O governo federal anunciou uma medida inédita para fortalecer a permanência de estudantes de medicina em situação de vulnerabilidade socioeconômica nas universidades. Trata-se do Programa de Bolsa Permanência no âmbito do Mais Médicos (PBP-PMM), criado por meio da Portaria nº 655/2025, publicada pelo Ministério da Educação (MEC).
Governo lança novo auxílio destinado a estudantes de baixa renda
Estudantes de medicina em situação de vulnerabilidade social agora podem receber auxílio mensal do governo.
Voltado exclusivamente para alunos de baixa renda matriculados em cursos de medicina integrados ao programa Mais Médicos, o novo auxílio mensal busca combater a evasão universitária causada por dificuldades financeiras e assegurar a formação de novos profissionais da saúde.
Leia mais:
Fies abre inscrições com reserva de vagas para estudantes de baixa renda

O que é a Bolsa Permanência do PBP-PMM?
Um suporte financeiro contínuo para jovens vulneráveis
A Bolsa Permanência é um benefício financeiro mensal, concedido pelo MEC em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), a estudantes de medicina que enfrentam barreiras econômicas para concluir a graduação.
Embora já existam programas semelhantes nas universidades federais, essa iniciativa se diferencia por estar focada nos cursos de medicina credenciados pelo programa Mais Médicos, com critérios rigorosos de elegibilidade.
Quem pode receber o novo auxílio?
Regras e critérios de elegibilidade
Para receber a nova bolsa, o estudante deve obrigatoriamente:
- Estar matriculado em curso de medicina autorizado pelo programa Mais Médicos;
- Ter inscrição ativa e atualizada no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais);
- Não ter concluído nenhum outro curso de nível superior;
- Não ser beneficiário de outra Bolsa Permanência vinculada ao MEC ou às universidades federais;
- Possuir renda familiar bruta mensal per capita de até 1,5 salário mínimo, o que equivale a R$ 2.277 em 2025.
Bolsistas de faculdades particulares e universidades públicas
A medida contempla tanto alunos de instituições públicas quanto privadas. No caso das faculdades particulares, é indispensável que o estudante seja bolsista integral da própria instituição. Já nas universidades federais, terão prioridade os alunos que ingressaram pelo sistema de cotas sociais.
Como se cadastrar na Bolsa Permanência?
Etapas para solicitar o auxílio
O processo de inscrição será feito pelo Sistema de Gestão da Bolsa Permanência (SISBP), disponível na plataforma Gov.br. Veja o passo a passo:
- Acesse o SISBP com sua conta Gov.br;
- Preencha o formulário de solicitação da bolsa;
- Anexe os seguintes documentos:
- Comprovante de matrícula ativa no curso de medicina;
- Documentos que comprovem a renda familiar (como contracheques, extratos bancários ou declaração de isenção de renda);
- Documento de identidade e CPF;
- Declaração de bolsista integral, se for o caso;
- Termo de compromisso assinado.
Quem faz a seleção?
A seleção dos beneficiários será responsabilidade das instituições de ensino superior (IES), que deverão seguir os critérios definidos pelo MEC e priorizar:
- Estudantes com menor renda familiar;
- Dentro da mesma faixa de renda, aqueles que cursaram ensino médio em escolas públicas.
Qual é o valor da Bolsa Permanência?

Valor mínimo e possibilidade de acúmulo
O valor exato do benefício ainda será definido oficialmente pelo MEC e pelo FNDE, mas a Portaria nº 655/2025 estabelece que nenhum pagamento poderá ser inferior ao valor da Bolsa de Iniciação Científica, atualmente fixado em R$ 700.
O auxílio poderá ser acumulado com outras bolsas acadêmicas, como iniciação científica ou monitoria, desde que o valor total recebido não ultrapasse 1,5 salário mínimo por mês (R$ 2.277 em 2025).
Quais são os motivos para cancelamento da bolsa?
Regras de permanência no programa
A Bolsa Permanência poderá ser cancelada ou suspensa nas seguintes situações:
- Trancamento da matrícula no curso de medicina;
- Troca de curso para área fora do Mais Médicos;
- Perda da bolsa integral (no caso de faculdades privadas);
- Baixo rendimento acadêmico, segundo avaliação da instituição de ensino;
- Apresentação de documentação falsa no processo de inscrição;
- Acúmulo indevido com outra Bolsa Permanência federal, violando as regras do programa.
O que muda com a nova Bolsa Permanência?
Combate à evasão e formação de médicos para o Brasil real
Estudar medicina no Brasil representa um grande desafio financeiro, mesmo para alunos em universidades públicas. Os custos com transporte, alimentação, moradia e materiais são elevados, o que leva muitos estudantes de baixa renda a abandonarem o curso antes da formatura.
Com esse novo benefício, o governo federal dá um passo estratégico para assegurar a permanência de jovens vulneráveis na graduação e formar médicos onde mais se precisa.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Segundo o MEC, a meta é aumentar a quantidade de profissionais de saúde atuando em regiões carentes, especialmente no interior e em áreas remotas. Ao garantir condições mínimas para que estudantes vulneráveis se formem, o programa fortalece a estratégia do Mais Médicos e reduz as desigualdades na distribuição de médicos no país.
O que dizem especialistas e educadores?
Repercussão positiva no meio acadêmico e social
A iniciativa foi bem recebida por universidades, movimentos estudantis e especialistas em políticas públicas educacionais. De acordo com a professora Marta Belém, pesquisadora em Educação e Saúde Pública na UFMG:
“É uma medida que finalmente reconhece o esforço duplo desses alunos. Muitos são os primeiros da família a entrar no ensino superior e ainda enfrentam barreiras socioeconômicas que colocam a permanência acadêmica em risco.”
Para ela, a medida poderá servir de modelo para outros cursos de alta demanda social, como enfermagem e odontologia.
Comparativo com outras bolsas estudantis
| Bolsa | Valor médio mensal | Público-alvo | Pode acumular? |
|---|---|---|---|
| Iniciação Científica | R$ 700 | Acadêmicos em projetos de pesquisa | Sim |
| Bolsa Permanência PBP-PMM | ≥ R$ 700 | Estudantes de medicina vulneráveis | Sim, até 1,5 SM |
| Prouni (mensalidade) | Integral ou parcial | Faculdades privadas | Não |
| FIES (financiamento) | Não é bolsa | Faculdades privadas | Não se acumula |
Qual o impacto esperado?
Resultados sociais e de saúde pública
O novo programa de Bolsa Permanência tem impacto direto em três dimensões fundamentais:
- Social: inclusão educacional de jovens de baixa renda;
- Educacional: redução da evasão em cursos de medicina;
- Sanitária: aumento da oferta de médicos formados, principalmente em áreas com déficit de profissionais.
O governo espera que a medida aumente o número de concluintes em medicina nos próximos anos, garantindo mais equidade no acesso à saúde em todo o território nacional.
Quando começa a valer?

A Portaria nº 655/2025 entrou em vigor em setembro de 2025, e o MEC deve divulgar nas próximas semanas o cronograma oficial de inscrições e o orçamento destinado ao programa.
As instituições de ensino já foram notificadas para ajustar seus sistemas internos e repassar as instruções aos alunos elegíveis. O SISBP estará atualizado para o novo programa até o final de outubro, segundo o próprio MEC.
Imagem: insta_photos / Shutterstock.com
