Os mercados acionários internacionais operam em direções distintas nesta quinta-feira (27). Enquanto as bolsas da Ásia e da Europa registram desempenho predominantemente negativo, Wall Street avança, impulsionada principalmente pelas ações da Nvidia após a divulgação de resultados recordes.
O movimento ocorre em meio à valorização do petróleo e às incertezas relacionadas ao cenário geopolítico no Oriente Médio. Para os investidores, a combinação entre o forte desempenho do setor de inteligência artificial, os preços da energia e as perspectivas para os juros americanos está no centro das decisões desta quinta-feira.
Às 11h, pelo horário de Brasília, o Dow Jones subia 0,02%, aos 53.522 pontos. O S&P 500 avançava 0,36%, aos 7.703 pontos, enquanto o Nasdaq registrava alta de 1,03%, aos 26.404 pontos.
O principal destaque era a Nvidia, cujas ações disparavam 7,6%, negociadas a US$ 225,87.
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Por que a Nvidia está impulsionando Wall Street?

A reação positiva dos investidores está diretamente relacionada ao balanço divulgado pela Nvidia. A fabricante de chips apresentou números recordes e voltou a reforçar o apetite do mercado por empresas ligadas à inteligência artificial.
A companhia registrou receita de US$ 96,2 bilhões no segundo trimestre do ano fiscal de 2027, um crescimento de 106% na comparação anual. O resultado também representa avanço de 18% em relação ao trimestre anterior.
O lucro líquido chegou a US$ 59,7 bilhões, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
Outro dado que chamou a atenção foi o desempenho da divisão de data centers. A receita da área alcançou US$ 89 bilhões, alta de 117% em 12 meses.
Esses números são acompanhados de perto porque a Nvidia ocupa uma posição central na infraestrutura utilizada para desenvolver e executar sistemas de inteligência artificial.
O que o resultado significa para o setor de tecnologia?
O balanço sinaliza que os investimentos das grandes empresas de tecnologia em inteligência artificial continuam elevados.
A Nvidia também projetou receita de aproximadamente US$ 108 bilhões para o próximo trimestre. A previsão reforça a expectativa de que a demanda por seus processadores permaneça forte.
A reação positiva se espalhou pela cadeia de semicondutores. Empresas como AMD, Broadcom, Micron e Intel também ficaram no radar dos investidores americanos.
Na Ásia, fabricantes de chips como SK Hynix e Samsung Electronics também foram beneficiadas pelo resultado.
Petróleo sobe em meio às incertezas no Oriente Médio
Enquanto a inteligência artificial sustenta as ações de tecnologia, o petróleo adiciona uma dose de cautela aos mercados.
Os preços da commodity voltaram a subir nesta quinta-feira diante das incertezas relacionadas ao fornecimento global e às condições de navegação pelo Estreito de Hormuz.
A região é uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo e gás. Qualquer interrupção significativa pode reduzir a oferta disponível no mercado internacional e provocar uma alta mais acentuada dos preços.
O petróleo chegou a apresentar perdas durante a sessão, diante da expectativa de uma possível normalização do tráfego pelo estreito. Entretanto, a falta de sinais concretos de negociações entre Estados Unidos e Irã voltou a aumentar a percepção de risco.
Por que a alta do petróleo preocupa os mercados?
O petróleo influencia diretamente os custos de transporte, energia e produção em diferentes setores da economia.
Quando a commodity sobe de forma persistente, o impacto pode chegar à inflação. Isso acontece porque combustíveis mais caros podem elevar os custos das empresas e, posteriormente, pressionar os preços cobrados dos consumidores.
Para os bancos centrais, uma inflação mais resistente pode dificultar a redução dos juros.
Nos Estados Unidos, isso ganha importância porque os investidores acompanham atentamente os próximos passos do Federal Reserve, o banco central americano.
Juros mais elevados por mais tempo tendem a reduzir o apetite por ativos considerados mais arriscados, além de aumentar o custo de financiamento das empresas.
Como fecharam as bolsas da Ásia?
Na Ásia, o desempenho foi misto.
Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 1,53%, beneficiado principalmente pela valorização das empresas ligadas aos semicondutores.
A SK Hynix subiu 2,5%, enquanto a Samsung Electronics avançou 1,7%. No Japão, a Kioxia Holdings ganhou 5%.
Em Taiwan, entretanto, a TSMC terminou o pregão com queda de 0,20%.
Os movimentos mostram que o resultado da Nvidia teve impacto relevante sobre empresas do setor, mas não eliminou as preocupações relacionadas à economia mundial e ao cenário geopolítico.
E os mercados europeus?
Na Europa, o ambiente foi predominantemente negativo.
O índice Stoxx 600 recuava 0,34%, pressionado por setores como químico, automotivo e bens pessoais.
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O desempenho europeu também está ligado à preocupação com os preços da energia. Uma alta prolongada do petróleo pode aumentar os custos das empresas e dificultar a continuidade do processo de desaceleração da inflação.
Com isso, os investidores europeus acompanham tanto o mercado de commodities quanto os próximos indicadores econômicos.
Como o cenário internacional afeta a Bolsa brasileira?
O mercado brasileiro também sente os efeitos dos movimentos internacionais.
Nesta quinta-feira, o Ibovespa operava em queda de 0,32%, interrompendo uma sequência de seis sessões consecutivas de alta. O dólar era negociado próximo de R$ 5,15.
O comportamento do petróleo pode favorecer empresas brasileiras produtoras da commodity, mas uma alta persistente também pode gerar efeitos negativos sobre a inflação e os juros.
Além disso, a direção dos mercados americanos influencia o sentimento dos investidores em relação aos ativos de países emergentes.
Quando Wall Street apresenta forte apetite por risco, mercados como o brasileiro podem receber parte desse fluxo. O movimento contrário também pode acontecer em períodos de maior aversão ao risco.
O que os investidores devem acompanhar nos próximos dias?

A reação aos resultados da Nvidia deve continuar entre os principais assuntos do mercado.
Os investidores vão observar se o forte crescimento da companhia será acompanhado por outras empresas do setor e, principalmente, se os elevados investimentos em inteligência artificial continuam sustentáveis.
No mercado de petróleo, o foco permanece sobre o Oriente Médio e o Estreito de Hormuz. Qualquer mudança nas condições de transporte ou nas negociações diplomáticas pode provocar novas oscilações nos preços.
Nos Estados Unidos, os próximos indicadores de inflação, emprego e atividade econômica também serão fundamentais para determinar as expectativas sobre os juros.
Conclusão
A sessão desta quinta-feira mostra duas forças importantes atuando sobre os mercados globais.
De um lado, o resultado recorde da Nvidia reforça o entusiasmo com a inteligência artificial e sustenta as ações de tecnologia em Wall Street. De outro, a alta do petróleo e as incertezas no Oriente Médio aumentam a cautela dos investidores.
Para o mercado brasileiro, a combinação pode produzir efeitos diferentes entre setores. Empresas ligadas ao petróleo podem se beneficiar da valorização da commodity, enquanto uma eventual pressão sobre inflação e juros pode pesar sobre outros segmentos da Bolsa.
Por isso, mais do que acompanhar apenas a alta ou a queda dos principais índices, o investidor precisa observar a combinação entre resultados corporativos, preços das commodities, cenário geopolítico e política monetária. São esses fatores que devem continuar definindo o comportamento dos mercados nos próximos pregões.



