A quinta-feira, 27 de agosto, concentra decisões e indicadores importantes para o cenário político e econômico brasileiro. O principal destaque no Congresso é a tramitação da proposta que prevê o fim da escala 6×1, enquanto o mercado acompanha os novos números do emprego, a confiança da indústria e os efeitos do cenário internacional sobre petróleo e juros.
O relator da proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata da jornada de trabalho, senador Omar Aziz (PSD-AM), programou a apresentação de seu parecer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A movimentação ocorre depois de um acordo político entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, para acelerar a análise da pauta.
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A proposta em discussão estabelece mudanças na jornada semanal de trabalho e prevê dois dias de descanso, mantendo os salários. Uma das versões em análise reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais.
A apresentação do relatório não significa que a escala 6×1 será encerrada imediatamente. O texto ainda precisa passar pela CCJ e seguir o rito de uma PEC no Senado. Caso seja aprovado sem modificações em relação ao texto já analisado pela Câmara, a tramitação poderá avançar mais rapidamente.
O tema ganhou ainda mais força política após a aproximação entre Planalto e cúpulas do Congresso. O acordo anunciado por Lula, Alcolumbre e Motta também envolve outras pautas de interesse do governo, como a chamada “taxa das blusinhas” e a PEC da Segurança.
Mobilização também ocorre nas ruas
A discussão sobre a jornada não está restrita ao Congresso. No Rio Grande do Sul, a Federação dos Empregados do Comércio do Estado (Fecosul) programou uma caminhada pela Rua dos Andradas, em Porto Alegre, em defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada.
A mobilização sindical acompanha uma discussão que pode afetar diretamente trabalhadores do comércio, serviços, alimentação e outras atividades que utilizam jornadas com apenas um dia de descanso semanal.
Desemprego cai para 5,3% no Brasil
No campo econômico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).
A taxa de desocupação caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, ante 5,8% no trimestre anterior. O resultado representa o menor nível para um trimestre terminado em julho desde o início da série histórica, em 2012.
Outro dado relevante foi o número de pessoas ocupadas, que chegou a 103,3 milhões, também um recorde da série. A população desocupada ficou em aproximadamente 5,8 milhões de pessoas.
O resultado dá novo peso ao debate sobre a jornada de trabalho. Com mais brasileiros ocupados, mudanças na escala podem atingir uma parcela significativa do mercado formal e informal, especialmente setores que funcionam aos fins de semana.
Confiança da indústria recua em agosto
A Fundação Getulio Vargas (FGV) também divulgou nesta quinta-feira sua Sondagem da Indústria. O Índice de Confiança da Indústria caiu 3,5 pontos em agosto, para 93,7 pontos. Nas médias móveis trimestrais, o indicador recuou para 97 pontos.
O desempenho mostra um contraste com os dados positivos do mercado de trabalho. Enquanto o desemprego permanece em patamar historicamente baixo, a percepção das empresas industriais sobre as condições atuais e futuras da economia perdeu força.
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Para o consumidor, esse tipo de indicador é importante porque ajuda a sinalizar como as empresas estão avaliando demanda, produção, estoques e perspectivas de investimento.
Petróleo e cenário internacional também estão no radar

No mercado internacional, o petróleo permanece em destaque por causa das negociações envolvendo o Oriente Médio. O Brent chegou a ser negociado próximo de US$ 88 por barril nesta quinta-feira, com os investidores avaliando possíveis avanços diplomáticos e os riscos para o abastecimento global.
A cotação da commodity tem impacto direto sobre empresas produtoras, combustíveis e inflação. No Brasil, mudanças persistentes no preço internacional do petróleo podem influenciar custos de transporte e diversos produtos da economia.
Jackson Hole concentra atenção sobre os juros
Outro evento importante desta quinta-feira é o início do simpósio anual de Jackson Hole, organizado pelo Federal Reserve Bank of Kansas City. O encontro ocorre entre 27 e 29 de agosto, reunindo autoridades monetárias, economistas e pesquisadores.
O grande destaque será o primeiro discurso de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve. A fala, prevista para sexta-feira, ocorre em um momento de preocupação com a inflação americana, que permanece acima da meta de 2%.
Embora as decisões sobre os juros dos Estados Unidos não sejam tomadas em Jackson Hole, declarações do presidente do Fed podem alterar as expectativas dos investidores. Isso influencia o dólar, os mercados emergentes e, indiretamente, as condições financeiras brasileiras.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



