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Bolsonaro avalia medidas contra tarifaço de trump e pode acionar casa branca

Bolsonaro cogita acionar Trump contra tarifa de 50% a produtos do Brasil e tenta isentar Eduardo Bolsonaro da responsabilidade.

Bianca BorgesPor Bianca Borges7 min de leitura
Bolsonaro

A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo carne bovina, provocou abalos políticos e econômicos no Brasil.

Em meio à repercussão, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estuda intervir diretamente junto à Casa Branca para tentar reverter a medida.

A iniciativa, segundo interlocutores, tem caráter político e estratégico, com o objetivo de neutralizar a narrativa construída pela esquerda de que o aumento tarifário teria sido provocado por ações do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

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Contexto do tarifaço de Trump e o impacto no Brasil

Bolsonaro inelegível
Imagem: ettore chiereguini / shutterstock.com

A decisão americana

Na última quarta-feira (9), Donald Trump oficializou a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, atingindo diretamente o agronegócio nacional. A justificativa do governo americano está ancorada em práticas de “reciprocidade comercial”, mas analistas apontam motivações políticas e geopolíticas mais profundas.

Impacto econômico imediato

Com os Estados Unidos figurando como o segundo maior comprador da carne brasileira, atrás apenas da China, a decisão compromete um setor que já havia expandido suas exportações em mais de 100% no primeiro semestre de 2025.

O custo adicional com a tarifa inviabiliza a competitividade brasileira no mercado americano, pressionando os preços internos e gerando incertezas entre produtores.

A resposta política de Bolsonaro

Tentativa de negociação com a Casa Branca

Fontes próximas ao ex-presidente confirmam que Bolsonaro considera estabelecer um contato direto com Donald Trump, seja por telefonema ou por meio de interlocutores políticos, entre eles o próprio Eduardo Bolsonaro.

A intenção seria demonstrar articulação internacional e desautorizar o discurso do governo Lula de que a diplomacia brasileira falhou em evitar o tarifaço.

Estratégia para conter desgaste político

O movimento também visa conter o desgaste sofrido por Bolsonaro e sua base aliada após setores da esquerda relacionarem a nova tarifa à atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O deputado licenciado é acusado por adversários de ter prejudicado a imagem do Brasil ao incentivar críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a integrantes do governo Lula em encontros internacionais.

Eduardo Bolsonaro no centro da controvérsia

Críticas à atuação do deputado

O Ministério Público Federal (MPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) já avaliam possíveis medidas contra Eduardo Bolsonaro por suposta conduta inadequada em território estrangeiro.

Parlamentares da base governista sustentam que sua retórica agressiva e a articulação com grupos conservadores americanos contribuíram para o endurecimento da postura de Trump com o Brasil.

Aliados defendem protagonismo de Eduardo

Por outro lado, aliados de Bolsonaro insistem que a atuação de Eduardo reflete a defesa da liberdade e da soberania nacional, além de estreitar laços com setores do Partido Republicano.

Para esses grupos, atribuir o tarifaço ao deputado é uma tentativa de desviar o foco da “inoperância” do governo Lula na condução da diplomacia.

A narrativa da esquerda e a reação da direita

Disputa de versões

A esquerda rapidamente incorporou o tarifaço ao seu discurso político. Dirigentes do PT e líderes governistas afirmam que o episódio reforça a imagem de irresponsabilidade da oposição bolsonarista na arena internacional, minando a credibilidade do Brasil como parceiro comercial confiável.

Estratégia bolsonarista de contra-ataque

A avaliação no núcleo duro do bolsonarismo é de que uma ação rápida de Bolsonaro pode evitar a consolidação da narrativa adversária. Uma tentativa pública de interceder junto a Trump pode ser usada como prova de liderança política e comprometimento com os interesses nacionais.

Conflito político e institucional

STF no radar

Há ainda um componente de risco institucional. Caso Bolsonaro atue diretamente para reverter o tarifaço, e isso resulte em sanções diplomáticas ou administrativas a autoridades brasileiras — como membros do Judiciário —, o movimento poderá ser interpretado como interferência externa.

Essa interpretação aumentaria sua exposição no Supremo Tribunal Federal, onde ele já responde a processos.

Interferência externa ou articulação diplomática?

O debate sobre até que ponto a intervenção de Bolsonaro pode ser considerada legítima articulação política ou tentativa de minar o governo eleito já está sendo discutido nos bastidores de Brasília. Juristas alertam para os limites da atuação de ex-chefes de Estado em temas sensíveis da política externa.

As implicações da Cúpula do Brics

Encontro mal interpretado por Trump

Segundo relatos de Bolsonaro a interlocutores, Trump teria interpretado a realização da Cúpula do Brics no Brasil como um gesto simbólico de alinhamento do país a rivais dos EUA.

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O Brasil é o único país americano integrante do bloco — que inclui Rússia, China, Índia e África do Sul — e, para Trump, essa proximidade poderia reforçar a influência da Venezuela e de outros governos adversários dos EUA.

O peso geopolítico na decisão americana

O posicionamento geopolítico do Brasil nos fóruns internacionais tem sido analisado como fator relevante nas recentes decisões tarifárias de Trump.

O estreitamento de laços com países rivais dos Estados Unidos pode ter motivado um reposicionamento estratégico da Casa Branca, onde os interesses comerciais se entrelaçam com a política externa.

Repercussões internas: impasses e oportunidades

Pausa na agenda bolsonarista

A crise provocada pela tarifa americana interrompeu a narrativa que vinha sendo construída pela direita, incluindo a defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. A oposição, antes focada na crítica ao governo Lula, agora precisa lidar com a crise de imagem gerada pelo tarifaço.

Oportunidade para Lula fortalecer imagem internacional

A resposta do governo Lula tem sido focada em canais multilaterais. O presidente avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a decisão de Trump. Caso bem-sucedida, essa estratégia pode reforçar a imagem de Lula como um líder global e defensor do multilateralismo.

Prognóstico: quais os próximos passos?

Jair Bolsonaro parado com pessoas ao redor
Imagem: Isaac Fontana / shutterstock.com

Riscos e possibilidades da intervenção de Bolsonaro

Se Bolsonaro conseguir reverter a tarifa ou, ao menos, demonstrar iniciativa e protagonismo político, pode reconquistar parte do apoio perdido com o episódio.

Porém, o risco de fracasso é alto, e um insucesso poderia reforçar a narrativa de que seu grupo político teve responsabilidade na crise comercial com os EUA.

Diplomacia oficial x diplomacia paralela

Especialistas alertam que diplomacia paralela — conduzida por atores sem mandato oficial — pode ser ineficaz e até prejudicial. A atuação do Itamaraty e do presidente Lula será observada de perto nos próximos dias, especialmente nas relações com aliados estratégicos dos EUA e fóruns internacionais.

Conclusão

A tensão provocada pela imposição de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros pelos Estados Unidos provocou um terremoto político e econômico.

Jair Bolsonaro, pressionado pelo impacto da medida e pela acusação de que seu filho teria contribuído para o agravamento da crise, estuda um movimento ousado: negociar diretamente com a Casa Branca.

Esse gesto, no entanto, carrega riscos políticos, diplomáticos e jurídicos. Uma eventual negativa de Trump pode enfraquecer ainda mais a imagem do ex-presidente e consolidar a narrativa adversária. Por outro lado, caso obtenha algum resultado, Bolsonaro poderá reequilibrar o jogo político, mesmo fora do poder.

Enquanto isso, o governo Lula, por meio da diplomacia oficial e de mecanismos multilaterais, aposta em uma estratégia técnica para conter o impacto do tarifaço e preservar os interesses do Brasil no comércio internacional.

A disputa entre essas duas abordagens — política e diplomática — marcará os próximos capítulos desse embate geopolítico entre Brasil e Estados Unidos.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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