O ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a ser julgado nesta terça-feira, 16, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) em um novo processo que investiga declarações de caráter racista. A ação civil pública, movida pela Defensoria Pública da União (DPU) e pelo Ministério Público Federal (MPF), tem como alvo comentários feitos por Bolsonaro em 2021, quando comparou o cabelo “black power” de um apoiador negro a baratas.
Condenado a 27 anos, Bolsonaro encara mais um processo — agora por declarações racistas
Ex-presidente Jair Bolsonaro, já condenado pelo STF a 27 anos, é julgado pelo TRF-4 por declarações racistas. Saiba mais!
A movimentação ocorre poucos dias após Bolsonaro ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de prisão por crimes envolvendo corrupção e ataque à democracia, consolidando um cenário jurídico complexo para o ex-presidente.
O que motivou o processo

O processo em análise pelo TRF-4 se refere a declarações públicas feitas pelo ex-presidente entre maio e julho de 2021. Segundo a ação, Bolsonaro utilizou de linguagem discriminatória ao se referir ao cabelo de um apoiador negro, associando-o a sujeira e à presença de baratas.
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A DPU e o MPF apontam que essas declarações extrapolam qualquer crítica pessoal, configurando um ataque coletivo e simbólico contra a população negra, com potencial de perpetuar estigmas e reforçar preconceitos sociais.
Detalhes das declarações
De acordo com a ação, os episódios ocorreram em diferentes ocasiões:
- 4 de maio de 2021: Primeira menção ao cabelo do apoiador.
- 6 de maio de 2021: Nova piada sobre o cabelo, desta vez associando o estilo ao surgimento de baratas.
- 8 de julho de 2021 e transmissão ao vivo nas redes sociais: Bolsonaro repetiu comentários semelhantes, insistindo na “piada” sem demonstrar arrependimento.
As autoridades responsáveis pelo processo consideram que as manifestações do ex-presidente não configuram apenas uma ofensa individual, mas um ataque estigmatizante que afeta a dignidade de toda a população negra no país.
Objetivos da ação civil pública
A DPU e o MPF solicitam que o TRF-4 determine uma série de medidas em resposta às declarações do ex-presidente:
- Indenização por dano moral coletivo: O valor mínimo exigido é de R$ 5 milhões, destinado ao Fundo de Direitos Difusos.
- Campanha nacional de combate ao racismo: A proposta prevê ações digitais, radiodifusão, mídia escrita e indoor, com duração mínima de um ano e orçamento de pelo menos R$ 10 milhões. A campanha deve ser aprovada pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH).
O objetivo principal dessas medidas é criar efeitos pedagógicos e preventivos, além de reforçar a responsabilidade pública sobre discursos discriminatórios, especialmente quando emitidos por figuras políticas de grande relevância.
Contexto jurídico
O processo no TRF-4 acontece em um momento em que Bolsonaro já enfrenta condenações criminais em outras instâncias. A diferença crucial é que, enquanto a condenação do STF envolve crimes de corrupção e atentado à democracia, a ação por racismo trata de violação direta de direitos humanos, reforçando a gravidade das declarações e o impacto social.
A legislação brasileira classifica o racismo como crime inafiançável e imprescritível, o que significa que não há limite de tempo para que processos sejam instaurados. Essa característica fortalece a ação movida pela DPU e pelo MPF, independentemente do histórico criminal do ex-presidente.
Repercussão política e social
A movimentação jurídica repercute diretamente no cenário político e social brasileiro. Especialistas em direitos humanos ressaltam que casos envolvendo figuras públicas exigem respostas firmes do sistema judicial para evitar normalização de discursos discriminatórios.
Organizações da sociedade civil consideram o caso um teste importante para a efetividade da legislação contra racismo e a responsabilidade de autoridades públicas. A expectativa é de que a decisão do TRF-4 possa servir como precedente para futuras ações envolvendo declarações públicas de líderes políticos
Próximos passos do processo

O julgamento pelo TRF-4 deve avaliar se as declarações de Bolsonaro configuram racismo coletivo e se há fundamento para aplicar as medidas de indenização e campanhas educativas.
Se confirmada a responsabilização, o ex-presidente poderá ter:
- Pagamento de indenização financeira significativa;
- Obrigação de implementar medidas educativas e preventivas de combate ao racismo;
- Registro de condenação civil, afetando sua imagem pública e futura participação política.
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A decisão ainda pode ser questionada em instâncias superiores, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas a ação representa um marco importante na responsabilização de autoridades públicas por discurso discriminatório.
FAQ – Perguntas frequentes
1. Quem está processando Bolsonaro?
A ação civil pública foi movida pela Defensoria Pública da União (DPU) e pelo Ministério Público Federal (MPF).
2. Por que Bolsonaro está sendo acusado?
O ex-presidente fez declarações públicas consideradas racistas, associando o cabelo de um apoiador negro à sujeira e a baratas.
3. Qual a pena ou indenização prevista?
A DPU e o MPF solicitam indenização mínima de R$ 5 milhões e a implementação de campanha nacional de combate ao racismo com orçamento mínimo de R$ 10 milhões.
4. O processo tem relação com a condenação anterior do STF?
Não diretamente. A condenação do STF envolveu crimes de corrupção e ataque à democracia, enquanto o processo no TRF-4 trata de racismo.
5. Quando o julgamento acontecerá?
O julgamento começou nesta terça-feira, 16, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).
6. O que é considerado racismo no Brasil?
Racismo é crime inafiançável e imprescritível, definido como discriminação ou preconceito contra pessoas com base na raça, cor, etnia, religião ou origem.
7. Quais medidas podem ser aplicadas além da indenização?
Além da indenização, o tribunal pode determinar campanhas de conscientização, educação pública e medidas preventivas contra manifestações racistas.
Considerações finais
O novo processo contra Jair Bolsonaro evidencia o rigor crescente do sistema judicial brasileiro em relação a discursos discriminatórios. A análise do TRF-4 determinará não apenas a responsabilização do ex-presidente, mas também a efetividade das políticas de combate ao racismo no país.
Independentemente do resultado, o caso reforça a necessidade de que figuras públicas considerem o impacto social de suas palavras e da importância de promover a igualdade e o respeito a todos os cidadãos.
