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Jair Bolsonaro passa a usar tornozeleira eletrônica após operação da Polícia Federal

O ex-presidente Jair Bolsonaro é alvo de uma operação da Polícia Federal e, por ordem do STF, passou a usar tornozeleira eletrônica.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Bolsonaro com a mão no rosto, com expressão de tédio ou insatisfação

O ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), foi alvo de mais uma operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (18). Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele passou a utilizar tornozeleira eletrônica.

Além disso, foi submetido a um conjunto de medidas cautelares restritivas.

A operação, autorizada dentro de um inquérito que tramita sob sigilo na Suprema Corte, mira supostas ações do ex-presidente para coagir autoridades judiciais e interferir em processos em andamento.

De acordo com a decisão judicial, Bolsonaro também está proibido de usar redes sociais, sair de casa à noite, e manter contato com outros investigados, inclusive com o filho Eduardo Bolsonaro.

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O que motivou a decisão do STF

Bolsonaro inelegível
Imagem: ettore chiereguini / shutterstock.com

Confissão voluntária e tentativa de interferência judicial

De acordo com Moraes, a decisão foi tomada com base em declarações públicas de Jair Bolsonaro, consideradas como confissão consciente e voluntária de tentativa de extorsão contra o Judiciário brasileiro.

A movimentação da PF ganhou força após declarações dadas por Bolsonaro em entrevista coletiva no dia anterior, em que condicionou o fim das sanções econômicas dos EUA à sua anistia no Brasil.

Além disso, investigações da Polícia Federal apontam que Bolsonaro articulava uma possível fuga do país — o que reforçou a necessidade de medidas preventivas.

A PF informou ao STF que um pendrive escondido em um banheiro da residência do ex-presidente foi apreendido, além de valores em espécie que superam os US$ 10 mil permitidos sem declaração à Receita Federal.

Medidas cautelares impostas

O ministro Alexandre de Moraes impôs as seguintes restrições judiciais ao ex-presidente:

  • Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
  • Recolhimento domiciliar noturno, entre 19h e 7h, inclusive aos finais de semana;
  • Proibição de comunicação com embaixadores e diplomatas estrangeiros;
  • Proibição de manter contato com outros investigados e réus dos inquéritos em curso;
  • Bloqueio e proibição de uso de redes sociais, sob pena de prisão preventiva em caso de descumprimento.

PF suspeita de plano de fuga e ocultação de provas

Durante as buscas realizadas nesta manhã em Brasília e em endereços ligados ao Partido Liberal, a PF informou que havia evidências de movimentações para ocultar provas e planejar eventual saída do país por parte do ex-presidente.

Entre os itens apreendidos estavam US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie, além de documentos com referências a processos judiciais, e uma cópia de ação judicial movida pela plataforma Rumble contra Alexandre de Moraes nos Estados Unidos, acusando o magistrado de censura.

Segundo agentes federais, esses elementos reforçam a narrativa de que Bolsonaro pretendia usar a pressão internacional como estratégia de defesa jurídica.

Reação de Bolsonaro e defesa

“Nunca pensei em sair do Brasil”, diz ex-presidente

Após a instalação da tornozeleira, Jair Bolsonaro afirmou que se sentiu “humilhado” com a medida. Em declaração à imprensa, negou que tivesse qualquer plano de deixar o país ou se refugiar em embaixadas. “Nunca pensei em sair do Brasil ou ir para embaixada nenhuma”, disse.

A defesa do ex-presidente divulgou nota oficial afirmando ter recebido com “surpresa e indignação” a decisão do STF, classificando as medidas como “severas” e desproporcionais, alegando que Bolsonaro sempre cumpriu determinações judiciais.

“A defesa irá se manifestar oportunamente, após conhecer a decisão judicial”, informou a nota.

Repercussão política e nas redes sociais

Filhos do ex-presidente criticam decisão do STF

A reação foi imediata no campo político, sobretudo entre os aliados de Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro, licenciado do cargo de deputado federal, publicou em inglês nas redes sociais que Alexandre de Moraes “dobrou a aposta” após a divulgação de vídeo de Jair Bolsonaro direcionado a Donald Trump.

Já o senador Flávio Bolsonaro publicou uma imagem ao lado do pai com a legenda: “Fica firme, pai, não vão nos calar! A humilhação proposital vai deixar cicatrizes, mas também nos fortalece”.

Ele também criticou duramente o STF por proibir o pai de manter contato com o próprio filho, qualificando como “ato de perseguição”.

Reações do Congresso e da oposição

Parlamentares da oposição defenderam a medida como necessária para proteger as instituições democráticas, enquanto aliados classificaram como mais uma etapa de “criminalização da política”.

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Relação com os Estados Unidos e repercussão internacional

Trump pressiona por anistia e condena sanções

A escalada jurídica contra Bolsonaro acontece dias após o presidente norte-americano Donald Trump impor um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, alegando instabilidade institucional no Brasil.

Na noite de quinta-feira (17), Trump divulgou nova carta criticando a Justiça brasileira e condicionando o fim das sanções à anistia de Bolsonaro — o que, segundo Moraes, foi utilizado pelo próprio ex-presidente como ferramenta de pressão, configurando tentativa de coação e extorsão institucional.

A atuação da PF ganhou atenção internacional, e veículos como The New York Times e El País repercutiram a medida com destaque.

Entenda o contexto jurídico

Processo investiga coação, obstrução e ataque à soberania

O processo em curso no STF tem origem em um inquérito instaurado no dia 11 de julho, logo após a escalada diplomática com os Estados Unidos. Ele investiga crimes de coação no curso do processo, obstrução da Justiça e tentativa de atentado à soberania nacional.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda não se manifestou oficialmente, mas fontes próximas ao órgão indicam que há elementos robustos para a manutenção das medidas.

O que acontece agora?

Bolsonaro livre de multa
Presidente Jair Bolsonaro durante coletiva ao sair da reunião no Ministério de Minas e Energia onde tratou sobre energia (petróleo e solar) com o ministro Bento Albuquerque e os presidentes da Petrobras E ANP. | Sérgio Lima/Poder360 05.jan.2020|

Com a aplicação das medidas cautelares, Jair Bolsonaro passará a ser monitorado 24 horas por dia. Qualquer violação das condições impostas pelo Supremo pode resultar em prisão preventiva imediata, conforme previsto na decisão de Moraes.

Além disso, a Polícia Federal continuará analisando o material apreendido, especialmente o conteúdo do pendrive e dos documentos, para verificar se há elementos que sustentem novas acusações ou aprofundem a atual investigação.

Considerações finais

A imposição de tornozeleira eletrônica ao ex-presidente Jair Bolsonaro marca um novo e decisivo capítulo na crise política e institucional brasileira.

A medida tem repercussões profundas tanto no cenário interno quanto nas relações internacionais, especialmente no contexto das tensões diplomáticas com os Estados Unidos.

Independentemente das opiniões políticas, os próximos passos do Judiciário e os desdobramentos das investigações da Polícia Federal devem continuar atraindo atenção nacional e internacional. O caso pode se tornar um divisor de águas na jurisprudência envolvendo ex-chefes de Estado no Brasil.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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