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Botijões chineses ganham mercado com o Gás do Povo e provocam reação da indústria

Importação de botijões de gás da China cresce com o Gás do Povo e provoca debate entre indústria nacional e distribuidoras.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes7 min de leitura
Botijões chineses ganham mercado com o Gás do Povo e provocam reação da indústria

O aumento expressivo da entrada de botijões de gás de cozinha fabricados na China abriu uma nova discussão na cadeia de distribuição do gás liquefeito de petróleo (GLP) no Brasil. De um lado, fabricantes nacionais defendem medidas para proteger a produção brasileira. Do outro, distribuidoras afirmam que a importação foi uma alternativa necessária diante do aumento da demanda provocado por uma nova política pública de distribuição de botijões.

A disputa ganhou força após o crescimento acelerado das compras internacionais de recipientes de 13 quilos, justamente em um momento em que o governo federal ampliou ações para facilitar o acesso ao gás de cozinha para famílias de baixa renda.

O debate envolve questões industriais, tarifárias e de abastecimento, além de colocar em discussão a capacidade da indústria brasileira de responder rapidamente ao crescimento da demanda.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Importação de botijões chineses cresce com aumento da demanda

Os dados do mercado mostram uma mudança significativa no volume de botijões importados pelo Brasil.

Segundo informações compiladas pela indústria nacional, as compras de recipientes produzidos na China passaram de cerca de 29 mil unidades em 2025 para aproximadamente 515 mil unidades apenas no primeiro semestre do ano seguinte.

Considerando que o mercado brasileiro de reposição movimenta aproximadamente 2 milhões de botijões por ano, a participação dos produtos importados passou a representar uma fatia relevante do setor.

O crescimento das importações ocorreu principalmente após a criação do programa federal Gás do Povo, iniciativa voltada para ampliar o acesso ao botijão de 13 quilos entre famílias em situação de vulnerabilidade.

Com a expectativa de aumento no consumo subsidiado, distribuidoras passaram a reforçar seus estoques e buscar alternativas para garantir disponibilidade dos recipientes utilizados no abastecimento.

Como funciona o programa Gás do Povo

O avanço das importações está diretamente relacionado à expansão da política pública de acesso ao gás de cozinha.

O programa Gás do Povo foi criado com o objetivo de garantir que milhões de famílias de baixa renda tenham acesso ao botijão de gás de 13 quilos sem precisar arcar integralmente com o custo do produto.

A iniciativa prevê a distribuição de benefícios que podem ser utilizados em revendas autorizadas, permitindo a retirada do botijão em estabelecimentos credenciados.

Com a ampliação do público atendido, o mercado passou a se preparar para uma possível elevação da demanda por recipientes novos, especialmente porque o botijão precisa seguir regras de segurança e manutenção estabelecidas pelos órgãos reguladores.

A necessidade de ampliar rapidamente os estoques fez com que algumas distribuidoras recorressem a fornecedores estrangeiros.

Indústria nacional pede aumento da tarifa de importação

A reação dos fabricantes brasileiros veio por meio de um pedido apresentado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A indústria solicita que a tarifa de importação dos botijões prontos aumente de 12,6% para 25%.

O argumento dos fabricantes é que existe uma diferença considerada prejudicial na estrutura tarifária atual.

Segundo a indústria, enquanto alguns insumos utilizados na fabricação dos recipientes, como chapas de aço, possuem tarifas mais elevadas, o produto acabado importado entra no país com uma tributação menor.

Na avaliação dos fabricantes, essa diferença reduz a competitividade da produção nacional e estimula a compra de botijões prontos no exterior.

Fabricantes apontam desequilíbrio no custo de produção

A indústria de recipientes para GLP afirma que o aço representa uma parcela significativa dos custos de fabricação dos botijões.

De acordo com os fabricantes, aproximadamente 72% do custo das matérias-primas e cerca de 57% do custo total de produção estão relacionados ao aço utilizado na fabricação.

O setor argumenta que a cobrança de uma tarifa maior sobre o insumo e menor sobre o produto acabado cria uma situação desfavorável para quem produz no Brasil.

A avaliação é que o cenário poderia comprometer investimentos, empregos e a capacidade da indústria nacional de acompanhar o crescimento do mercado.

China tem escala maior de produção de aço

Outro ponto levantado pela indústria brasileira envolve a diferença de escala entre a produção siderúrgica dos dois países.

A China possui uma das maiores capacidades de produção de aço do mundo, com volume muito superior ao brasileiro.

Essa escala permite aos fabricantes chineses operar com custos menores e ampliar sua competitividade no comércio internacional.

No Brasil, representantes do setor defendem que medidas de equilíbrio comercial são necessárias para evitar que a indústria nacional perca espaço justamente em um momento de expansão da demanda.

Fabricantes dizem ter capacidade para atender o mercado

A indústria brasileira afirma que não existe necessidade estrutural de depender de importações para abastecer o programa Gás do Povo.

Segundo fabricantes, o parque industrial nacional teria capacidade para produzir até 8 milhões de botijões por ano, volume considerado suficiente para atender a demanda adicional prevista.

A posição recebeu apoio de representantes do setor siderúrgico, incluindo entidades ligadas à indústria do aço.

O argumento central é que, com planejamento adequado e contratos de fornecimento, as fábricas brasileiras poderiam ampliar a produção e atender ao crescimento do consumo.

Distribuidoras afirmam que importação foi necessária

As empresas distribuidoras de gás apresentam uma visão diferente sobre o problema.

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) afirma que a questão principal não é apenas a capacidade instalada das fábricas, mas a capacidade real de entrega em curto prazo.

Segundo representantes do setor, uma indústria pode possuir estrutura física para produzir mais, mas ainda depender de tempo para aumentar turnos, contratar funcionários e reorganizar a operação.

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Para as distribuidoras, a importação surgiu como uma solução emergencial para evitar falta de recipientes diante da necessidade de ampliar rapidamente os estoques.

Empresas dizem que botijões importados não foram mais baratos

Outro argumento apresentado pelas distribuidoras é que a compra de botijões estrangeiros não ocorreu apenas por vantagem econômica.

Segundo o setor, os recipientes importados chegaram ao Brasil com custo superior ao produto adquirido no mercado nacional.

A justificativa é que as empresas não buscavam substituir fabricantes brasileiros, mas complementar a oferta em um período de aumento da demanda.

Na visão das distribuidoras, caso a indústria nacional consiga entregar os volumes necessários, a tendência é reduzir naturalmente a necessidade de compras externas.

Debate envolve capacidade de produção e prazo de entrega

O principal ponto de divergência entre fabricantes e distribuidoras está relacionado à diferença entre capacidade produtiva e capacidade de fornecimento imediato.

A indústria afirma que possui estrutura suficiente para atender o mercado. Já as distribuidoras argumentam que o desafio está em transformar essa capacidade em entregas efetivas no prazo exigido.

Essa diferença de interpretação é o centro da discussão sobre a política de importação.

Enquanto fabricantes defendem proteção comercial para fortalecer a produção interna, distribuidores defendem flexibilidade para garantir o abastecimento da população.

Governo analisa possível mudança na tarifa

O pedido para alterar a tarifa de importação está sendo avaliado pelo governo federal.

O processo passa por análise técnica no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Após essa etapa, a discussão pode seguir para os órgãos responsáveis pela política tarifária externa, incluindo instâncias ligadas à Câmara de Comércio Exterior (Camex).

Uma eventual mudança dependerá de avaliação sobre impacto econômico, competitividade da indústria brasileira e necessidade de garantir o abastecimento do mercado.

Papel da ANP no mercado de gás de cozinha

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Imagem: Reprodução

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acompanha diversos aspectos relacionados ao setor de GLP, especialmente regras de qualidade, segurança e funcionamento do mercado.

No entanto, questões relacionadas diretamente à alteração de tarifas de importação são tratadas no âmbito da política comercial do governo federal.

Por esse motivo, decisões sobre impostos de importação envolvem principalmente órgãos ligados à área econômica e industrial.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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