O Benefício de Prestação Continuada (BPC) do INSS se tornou ainda mais essencial em 2025, especialmente para famílias com crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Com o novo salário mínimo de R$ 1.518, o benefício passou a oferecer suporte ampliado a crianças em situação de vulnerabilidade social, desde que cumpridos os critérios legais.
BPC para crianças: veja o que a justiça mudou e quem agora pode ter acesso ao benefício
Veja como crianças com autismo e TDAH podem receber o BPC de R$ 1.518 em 2025, os critérios de renda, documentos exigidos e mais!
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O que é o BPC e quem tem direito
O BPC é um benefício assistencial pago mensalmente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com base na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), sem exigência de contribuições previdenciárias. Ele garante um salário mínimo por mês a:
- Idosos com 65 anos ou mais;
- Pessoas com deficiência de qualquer idade, inclusive crianças e adolescentes.
Em ambos os casos, a renda per capita da família deve ser igual ou inferior a 1/4 do salário mínimo. Contudo, decisões judiciais e novas regulamentações têm permitido maior flexibilidade na análise da renda familiar, principalmente ao considerar despesas com saúde.
Autismo e TDAH garantem acesso ao BPC?
Reconhecimento legal do autismo como deficiência
A Lei nº 12.764/2012 assegura que pessoas com autismo são consideradas pessoas com deficiência, para todos os efeitos legais. Isso significa que crianças com TEA têm direito ao BPC, desde que cumpram os critérios de renda e demonstrem impedimentos de longo prazo que dificultem sua vida social, educacional ou pessoal.
E quanto ao TDAH?
O caso do TDAH é mais delicado. O transtorno, por si só, não garante acesso automático ao BPC. Porém, se houver comprometimento funcional grave e contínuo, e a criança apresentar dificuldade significativa de autonomia, socialização ou aprendizado, o benefício pode ser concedido com base na deficiência.
Para isso, é indispensável que os laudos médicos sejam detalhados e evidenciem:
- Duração do transtorno (mínimo de 2 anos);
- Prejuízo na vida cotidiana;
- Necessidade de cuidados contínuos ou acompanhamento especializado.
Critérios para receber o BPC em 2025
Requisitos de renda
A regra principal permanece a mesma: renda familiar per capita de até ¼ do salário mínimo, o que equivale a R$ 379,50 por pessoa em 2025. No entanto, o INSS já considera situações específicas que permitem flexibilização dessa regra:
- Gastos com medicamentos, terapias e tratamentos intensivos;
- Laudos médicos que justifiquem alto grau de dependência;
- Decisões judiciais que permitam extrapolar o limite até ½ salário mínimo per capita.
Esses fatores devem ser comprovadamente registrados com recibos, notas fiscais ou documentos oficiais.
Requisitos de deficiência
A deficiência é avaliada em duas etapas:
- Perícia médica do INSS – que atesta o diagnóstico e suas implicações físicas, mentais, intelectuais ou sensoriais.
- Avaliação social – feita por assistente social, que verifica as condições de vida, recursos familiares e impactos do transtorno na convivência familiar e comunitária.
Documentos obrigatórios para solicitar o BPC

A organização documental é crucial para evitar indeferimentos e acelerar o processo de análise. Veja a lista completa:
- Documento de identificação (RG e CPF) da criança e dos membros da família;
- Comprovante de residência atualizado;
- Cadastro no CadÚnico (deve estar atualizado nos últimos 24 meses);
- Laudos médicos recentes com CID (ex: F84.0 para autismo; F90.0 para TDAH), preferencialmente de profissionais públicos;
- Relatórios escolares que demonstrem dificuldades de aprendizado, interação ou presença;
- Receitas e comprovantes de despesas médicas, quando houver;
- Declaração de renda ou ausência de renda dos membros da família.
Como pedir o BPC pelo Meu INSS em 2025
A solicitação pode ser feita 100% online, o que facilita bastante para quem já possui os documentos prontos e digitalizados. Veja o passo a passo:
- Acesse o Meu INSS ou o aplicativo;
- Faça login com a conta Gov.br;
- Na barra de busca, digite “Benefício assistencial à pessoa com deficiência”;
- Clique em “Novo pedido”;
- Preencha o formulário com todos os dados e anexe os documentos digitalizados;
- Envie e aguarde o agendamento para perícia médica e avaliação social.
O acompanhamento pode ser feito pela própria plataforma ou pelo telefone 135.
O que fazer se o pedido do BPC for negado
Infelizmente, muitos pedidos são indeferidos por falta de documentos, informações incompletas ou interpretação rígida do critério de renda.
Mas a família ainda pode agir:
Recurso administrativo
- Prazo: até 30 dias após o indeferimento;
- É possível apresentar documentos novos;
- Reanálise por junta médica e assistente social.
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Ação judicial
- Indicada principalmente quando a renda ultrapassa o limite formal, mas há comprovadas despesas com saúde;
- Requer apoio de advogado ou defensor público;
- Muitas decisões judiciais reconhecem o direito ao BPC com base na dignidade da pessoa humana e condições reais da família.
Como aumentar as chances de aprovação do BPC
A seguir, algumas estratégias que ajudam a fortalecer o pedido:
1. Laudos e relatórios detalhados
- Descrever o comprometimento funcional da criança;
- Incluir CID e histórico de terapias/medicamentos;
- Mencionar dificuldades na escola, socialização ou higiene pessoal.
2. Atualização do CadÚnico
- Sem ele, o BPC será negado automaticamente;
- Deve conter todos os membros da família e respectivas rendas.
3. Comprovação de despesas com saúde
- Terapias (fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia);
- Medicamentos contínuos;
- Equipamentos especiais ou exames.
4. Consultar assistência social do município
- Muitas prefeituras possuem técnicos treinados para orientar famílias sobre o BPC;
- Alguns locais oferecem acompanhamento para organizar a documentação.
Casos em que o BPC pode ser cancelado

Após a concessão, o benefício pode ser suspenso ou encerrado nos seguintes casos:
- Perícia de reavaliação constatar ausência de impedimentos;
- Melhora da renda familiar;
- Falta de atualização do CadÚnico;
- Falecimento do beneficiário;
- Fraudes ou inconsistências identificadas por auditoria.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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