O Benefício de Prestação Continuada (BPC) está no centro das discussões de revisão de gastos no Brasil. A recente proposta do governo de aumentar a idade mínima para concessão do BPC a idosos gerou fortes reações entre especialistas e representantes sociais.
BPC: a mudança na idade mínima de 70 anos e o impacto da revisão de gastos
A proposta de elevar a idade mínima do BPC para 70 anos causa debates sobre o impacto nas finanças públicas e na assistência aos beneficiários.
Por isso, reunimos as origens do benefício, as implicações das mudanças sugeridas e os argumentos em defesa de sua preservação.
Leia Mais:
Beneficiários, cuidado: Golpistas estão de olho no seu Bolsa Família e Auxílio Gás
Origem e Evolução do BPC

O BPC é um benefício assistencial previsto pela Constituição e regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) desde 1993. Implementado em 1996, ele garante um salário mínimo a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, com renda familiar de até ¼ do salário mínimo por pessoa.
Inicialmente, a idade mínima para o BPC era de 70 anos, mas mudanças ao longo dos anos, incluindo o Estatuto do Idoso, reduziram essa idade para os atuais 65 anos.
Expansão do Benefício e Revisão dos Critérios
Entre 2020 e 2021, houve alterações nos critérios de renda para acesso ao BPC, após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que questionaram a constitucionalidade do limite de renda per capita. Como consequência, o número de beneficiários aumentou, superando 6,2 milhões em setembro de 2024. Esse crescimento acendeu alertas sobre o impacto orçamentário do programa, que poderá ultrapassar R$ 111 bilhões em despesas neste ano.
Discussões sobre Elevação da Idade Mínima
A ideia de aumentar a idade mínima para o BPC voltou à tona em setembro de 2024, proposta pelo Ministério do Planejamento.
Defensores argumentam que a mudança poderia reduzir os custos, diferenciando o benefício da aposentadoria por idade, concedida a partir dos 65 anos mediante contribuição ao INSS. Contudo, essa proposta encontra oposição por parte de representantes sociais, como a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que a considerou “um retrocesso”.
Alternativas para Sustentabilidade Financeira

Combate à Fraude no BPC
Uma das estratégias discutidas para reduzir os gastos com o BPC é o combate a fraudes. De acordo com o ex-presidente do INSS Leonardo Rolim, há indícios de fraude em milhares de benefícios, identificados por um sistema que detecta práticas suspeitas, como uso de fotos iguais para diferentes beneficiários. Estima-se que até 700 mil benefícios possam estar sob risco de irregularidade.
Revisão do Valor do Benefício
Outra proposta em discussão é desvincular o valor do BPC do salário mínimo, o que permitiria reajustes menores e reduziria o impacto financeiro. Especialistas apontam, porém, que essa medida poderia prejudicar as famílias que dependem do benefício, já que, em muitos casos, o BPC representa a principal fonte de renda familiar.
Foco em Pessoas com Incapacidades Mais Graves
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Há também a sugestão de restringir o benefício apenas a pessoas com deficiência que apresentem incapacidade total para o trabalho. No entanto, críticos dessa ideia defendem que tal restrição penalizaria aqueles que buscam superar limitações e se reinserir no mercado de trabalho, reduzindo seu incentivo ao desenvolvimento pessoal e profissional.
O Papel do BPC na Redução da Pobreza
Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que o BPC tem um impacto significativo na redução da pobreza e da desigualdade no Brasil. Para a pesquisadora Ana Cleusa Mesquita, desvincular o BPC do salário mínimo prejudicaria a eficácia do programa.
Ela destaca que o benefício representa, em média, 79% da renda das famílias contempladas, e que, em muitos casos, é a única fonte de subsistência.
Importância da Idade Mínima Atual
Especialistas como Mesquita argumentam que a idade mínima de 65 anos não desestimula a formalização no mercado de trabalho, como alguns defendem.
Segundo ela, a contribuição ou não ao INSS está mais relacionada a questões estruturais do mercado de trabalho brasileiro, como a informalidade. Além disso, a aposentadoria oferece benefícios adicionais, como auxílio-doença e salário-maternidade, enquanto o BPC é voltado exclusivamente para subsistência.
Imagem: Freepik e shutterstock / Edição: Seu Crédito Digital
Pode ser do seu interesse:
Pode ser do seu interesse:

