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Idosos e PCDs enfrentam atraso no BPC por falta de equipe

Falta de assistentes sociais em SP atrasa visitas do CadÚnico e suspende BPC e Bolsa Família, afetando idosos e PcDs. Entenda.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
BPC

A exigência de atualização cadastral por meio de visitas domiciliares no Cadastro Único (CadÚnico) tem gerado consequências graves para idosos e pessoas com deficiência em São Paulo. A escassez de assistentes sociais na rede municipal tem provocado atrasos nas inspeções obrigatórias, resultando na suspensão de benefícios essenciais como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Bolsa Família. Sem essa renda, muitos brasileiros enfrentam dificuldades financeiras, endividamento e perda de autonomia.

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Falta de visitas trava acesso a benefícios sociais

A atualização do CadÚnico é um requisito indispensável para a manutenção de diversos programas sociais no Brasil. Desde dezembro de 2024, com a entrada em vigor da Lei nº 15.077, pessoas que moram sozinhas passaram a depender de visitas domiciliares obrigatórias a cada dois anos.

Na prática, porém, a medida tem esbarrado na falta de estrutura da assistência social municipal. Em São Paulo, relatos apontam que o número reduzido de profissionais não tem sido suficiente para atender a demanda crescente.

Segundo documento da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), existem atualmente 312 profissionais responsáveis por entrevistas sociais, mas apenas 30 atuam diretamente em visitas domiciliares. Isso cria um gargalo significativo.

Filas invisíveis e espera de meses

Dados internos apontam que mais de 15 mil famílias unipessoais aguardam visitas para atualização cadastral, sendo:

  • 12.332 beneficiários do BPC
  • 3.548 beneficiários do Bolsa Família

Essa espera pode durar meses, período em que os benefícios ficam bloqueados ou suspensos.

Impacto direto: renda cortada e dívidas acumuladas

Sem a atualização cadastral, os pagamentos são interrompidos automaticamente. Para quem depende exclusivamente desses valores, o impacto é imediato.

Caso real: sete meses sem BPC

Maria Auxiliadora Marques, de 71 anos, ficou sete meses sem receber o BPC. Durante esse período, precisou contar com ajuda familiar e acumulou dívidas básicas, como conta de luz.

A situação só começou a ser resolvida após a visita domiciliar, realizada meses depois do vencimento do cadastro.

Bolsa Família também é afetado

Aparecida de Paula da Silva, de 62 anos, teve o Bolsa Família cancelado após perder um agendamento. Desde então, aguarda uma visita que nunca ocorreu.

Sem o benefício, ela precisou renegociar dívidas e reduzir gastos essenciais.

O que é o BPC e quem tem direito

O Benefício de Prestação Continuada é um programa garantido pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), que assegura um salário mínimo mensal a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Critérios para receber o BPC

Para ter direito ao benefício, é necessário:

  • Ter 65 anos ou mais, ou possuir deficiência
  • Comprovar renda familiar por pessoa de até ¼ do salário mínimo
  • Estar inscrito e com dados atualizados no CadÚnico

O pagamento é feito pelo governo federal, geralmente via conta bancária ou cartão magnético.

Importante: não exige contribuição ao INSS

Diferente da aposentadoria, o BPC não exige contribuição previdenciária. Isso o torna essencial para milhões de brasileiros que trabalharam informalmente ao longo da vida.

Autonomia ameaçada: idosos ficam vulneráveis

A suspensão dos benefícios vai além da questão financeira. Ela afeta diretamente a autonomia e dignidade dos beneficiários.

Idosos que vivem sozinhos, por exemplo, passam a depender de familiares ou terceiros para sobreviver, o que pode gerar desconforto emocional e insegurança.

Caso real: dificuldade para manter independência

Delfina Josefa da Silva, de 81 anos, utiliza o BPC para pagar aluguel e despesas básicas. Com o benefício suspenso, a família precisou se reorganizar financeiramente para ajudá-la.

Mesmo após o pagamento ser retomado, a insegurança permanece.

Prefeitura e assistentes sociais divergem

A situação expõe um conflito entre a gestão municipal e os profissionais da assistência social.

O que dizem os assistentes sociais

Representantes da categoria denunciam:

  • Falta de profissionais
  • Sobrecarga de trabalho
  • Precarização dos serviços públicos

Segundo o sindicato, a demora nas visitas tem prejudicado diretamente os beneficiários.

O que diz a Prefeitura de São Paulo

A gestão municipal afirma que houve aumento no número de visitas em 2025:

  • Média de 3.692 visitas mensais no primeiro trimestre
  • Em 2024, eram cerca de 2.117 por mês

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Apesar disso, os números ainda são insuficientes frente à demanda acumulada.

Por que a visita domiciliar é obrigatória

A exigência da visita tem como objetivo principal combater fraudes, especialmente em casos de pessoas que declaram morar sozinhas.

O problema da execução

Embora a intenção da política pública seja legítima, especialistas apontam que a implementação sem estrutura adequada gera exclusão social.

Na prática, quem mais precisa acaba sendo penalizado pela lentidão do sistema.

Como evitar a suspensão do benefício

Mesmo diante das dificuldades estruturais, existem algumas medidas que podem reduzir o risco de bloqueio.

Dicas importantes

  • Manter o CadÚnico sempre atualizado
  • Comparecer a agendamentos marcados
  • Procurar o CRAS regularmente
  • Acompanhar a situação do benefício pelo aplicativo ou telefone

Onde buscar ajuda

Os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) são a principal porta de entrada para resolver pendências.

Caso haja demora excessiva, é possível registrar reclamações na ouvidoria municipal ou no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

O que pode mudar nos próximos meses

A pressão por melhorias na assistência social tem aumentado. O próprio sindicato da categoria já cobrou contratações e reforço na estrutura.

A secretária municipal reconheceu o déficit de profissionais em reuniões recentes, o que pode indicar futuras medidas para reduzir o problema.

No entanto, пока não há prazos concretos para normalização das visitas.

Conclusão

A exigência de visitas domiciliares para atualização do CadÚnico trouxe um novo desafio para a assistência social em São Paulo. Sem estrutura suficiente, a medida tem causado a suspensão de benefícios essenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), afetando diretamente idosos e pessoas com deficiência.

A situação evidencia a importância de alinhar políticas públicas com capacidade operacional. Caso contrário, iniciativas voltadas ao combate de fraudes podem acabar ampliando a vulnerabilidade social.

Para quem depende do BPC ou do Bolsa Família, acompanhar o cadastro e buscar atendimento constante ainda é a melhor forma de evitar prejuízos, mesmo diante das falhas do sistema.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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