A exigência de atualização cadastral por meio de visitas domiciliares no Cadastro Único (CadÚnico) tem gerado consequências graves para idosos e pessoas com deficiência em São Paulo. A escassez de assistentes sociais na rede municipal tem provocado atrasos nas inspeções obrigatórias, resultando na suspensão de benefícios essenciais como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Bolsa Família. Sem essa renda, muitos brasileiros enfrentam dificuldades financeiras, endividamento e perda de autonomia.
Idosos e PCDs enfrentam atraso no BPC por falta de equipe
Falta de assistentes sociais em SP atrasa visitas do CadÚnico e suspende BPC e Bolsa Família, afetando idosos e PcDs. Entenda.
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Falta de visitas trava acesso a benefícios sociais
A atualização do CadÚnico é um requisito indispensável para a manutenção de diversos programas sociais no Brasil. Desde dezembro de 2024, com a entrada em vigor da Lei nº 15.077, pessoas que moram sozinhas passaram a depender de visitas domiciliares obrigatórias a cada dois anos.
Na prática, porém, a medida tem esbarrado na falta de estrutura da assistência social municipal. Em São Paulo, relatos apontam que o número reduzido de profissionais não tem sido suficiente para atender a demanda crescente.
Segundo documento da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), existem atualmente 312 profissionais responsáveis por entrevistas sociais, mas apenas 30 atuam diretamente em visitas domiciliares. Isso cria um gargalo significativo.
Filas invisíveis e espera de meses
Dados internos apontam que mais de 15 mil famílias unipessoais aguardam visitas para atualização cadastral, sendo:
- 12.332 beneficiários do BPC
- 3.548 beneficiários do Bolsa Família
Essa espera pode durar meses, período em que os benefícios ficam bloqueados ou suspensos.
Impacto direto: renda cortada e dívidas acumuladas
Sem a atualização cadastral, os pagamentos são interrompidos automaticamente. Para quem depende exclusivamente desses valores, o impacto é imediato.
Caso real: sete meses sem BPC
Maria Auxiliadora Marques, de 71 anos, ficou sete meses sem receber o BPC. Durante esse período, precisou contar com ajuda familiar e acumulou dívidas básicas, como conta de luz.
A situação só começou a ser resolvida após a visita domiciliar, realizada meses depois do vencimento do cadastro.
Bolsa Família também é afetado
Aparecida de Paula da Silva, de 62 anos, teve o Bolsa Família cancelado após perder um agendamento. Desde então, aguarda uma visita que nunca ocorreu.
Sem o benefício, ela precisou renegociar dívidas e reduzir gastos essenciais.
O que é o BPC e quem tem direito
O Benefício de Prestação Continuada é um programa garantido pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), que assegura um salário mínimo mensal a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Critérios para receber o BPC
Para ter direito ao benefício, é necessário:
- Ter 65 anos ou mais, ou possuir deficiência
- Comprovar renda familiar por pessoa de até ¼ do salário mínimo
- Estar inscrito e com dados atualizados no CadÚnico
O pagamento é feito pelo governo federal, geralmente via conta bancária ou cartão magnético.
Importante: não exige contribuição ao INSS
Diferente da aposentadoria, o BPC não exige contribuição previdenciária. Isso o torna essencial para milhões de brasileiros que trabalharam informalmente ao longo da vida.
Autonomia ameaçada: idosos ficam vulneráveis
A suspensão dos benefícios vai além da questão financeira. Ela afeta diretamente a autonomia e dignidade dos beneficiários.
Idosos que vivem sozinhos, por exemplo, passam a depender de familiares ou terceiros para sobreviver, o que pode gerar desconforto emocional e insegurança.
Caso real: dificuldade para manter independência
Delfina Josefa da Silva, de 81 anos, utiliza o BPC para pagar aluguel e despesas básicas. Com o benefício suspenso, a família precisou se reorganizar financeiramente para ajudá-la.
Mesmo após o pagamento ser retomado, a insegurança permanece.
Prefeitura e assistentes sociais divergem
A situação expõe um conflito entre a gestão municipal e os profissionais da assistência social.
O que dizem os assistentes sociais
Representantes da categoria denunciam:
- Falta de profissionais
- Sobrecarga de trabalho
- Precarização dos serviços públicos
Segundo o sindicato, a demora nas visitas tem prejudicado diretamente os beneficiários.
O que diz a Prefeitura de São Paulo
A gestão municipal afirma que houve aumento no número de visitas em 2025:
- Média de 3.692 visitas mensais no primeiro trimestre
- Em 2024, eram cerca de 2.117 por mês
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Apesar disso, os números ainda são insuficientes frente à demanda acumulada.
Por que a visita domiciliar é obrigatória
A exigência da visita tem como objetivo principal combater fraudes, especialmente em casos de pessoas que declaram morar sozinhas.
O problema da execução
Embora a intenção da política pública seja legítima, especialistas apontam que a implementação sem estrutura adequada gera exclusão social.
Na prática, quem mais precisa acaba sendo penalizado pela lentidão do sistema.
Como evitar a suspensão do benefício
Mesmo diante das dificuldades estruturais, existem algumas medidas que podem reduzir o risco de bloqueio.
Dicas importantes
- Manter o CadÚnico sempre atualizado
- Comparecer a agendamentos marcados
- Procurar o CRAS regularmente
- Acompanhar a situação do benefício pelo aplicativo ou telefone
Onde buscar ajuda
Os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) são a principal porta de entrada para resolver pendências.
Caso haja demora excessiva, é possível registrar reclamações na ouvidoria municipal ou no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
O que pode mudar nos próximos meses
A pressão por melhorias na assistência social tem aumentado. O próprio sindicato da categoria já cobrou contratações e reforço na estrutura.
A secretária municipal reconheceu o déficit de profissionais em reuniões recentes, o que pode indicar futuras medidas para reduzir o problema.
No entanto, пока não há prazos concretos para normalização das visitas.
Conclusão
A exigência de visitas domiciliares para atualização do CadÚnico trouxe um novo desafio para a assistência social em São Paulo. Sem estrutura suficiente, a medida tem causado a suspensão de benefícios essenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), afetando diretamente idosos e pessoas com deficiência.
A situação evidencia a importância de alinhar políticas públicas com capacidade operacional. Caso contrário, iniciativas voltadas ao combate de fraudes podem acabar ampliando a vulnerabilidade social.
Para quem depende do BPC ou do Bolsa Família, acompanhar o cadastro e buscar atendimento constante ainda é a melhor forma de evitar prejuízos, mesmo diante das falhas do sistema.
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