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BPC já teve idade mínima de 70 anos; saiba mais

A revisão de gastos do governo inclui propostas de mudanças no BPC, como elevação da idade mínima para 70 anos e novas regras de concessão

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
BPC 70 anos inss

O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é um direito garantido pela Constituição Federal e regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), instituída em 1993 e implementada a partir de 1996. 

Este benefício oferece um salário mínimo mensal a idosos e pessoas com deficiência em situação de extrema pobreza, cuja renda familiar per capita não ultrapasse ¼ do salário mínimo, atualmente R$ 353. Veja mais detalhes!

Leia mais: Ministro se pronuncia sobre possíveis mudanças no BPC e Bolsa Família

Evolução da Idade Mínima para Idosos

Quando o BPC foi criado, a idade mínima para que os idosos tivessem direito ao benefício era de 70 anos. Em 1998, essa idade foi reduzida para 67 anos, e, em 2003, o Estatuto do Idoso determinou a idade atual de 65 anos.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Ampliação dos Critérios de Renda

Entre 2020 e 2021, o critério de renda familiar para acesso ao BPC foi flexibilizado após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou inconstitucional a limitação anterior. Essas mudanças contribuíram para um aumento no número de beneficiários e nos gastos totais com o programa.

Proposta de Elevação da Idade Mínima para 70 Anos

Recentemente, em meio à revisão de gastos do governo, houve a sugestão de elevação da idade mínima para o acesso ao BPC, retornando aos 70 anos. O secretário de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas do Ministério do Planejamento, Sergio Firpo, trouxe essa ideia à tona em uma entrevista em setembro de 2024.

Essa proposta gerou reações imediatas, como a crítica da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), que a classificou como um “tremendo retrocesso” e “covardia”.

Outras Propostas em Discussão

Além da questão da idade mínima, outras mudanças estão em debate:

  • Combate a fraudes: Adoção de novos mecanismos para identificar e evitar fraudes no programa;
  • Restrição do BPC para pessoas com deficiência: Limitação do benefício apenas para aqueles considerados incapazes para o trabalho, excluindo os casos de deficiências leves e moderadas;
  • Desvinculação do salário mínimo: Avaliação da possibilidade de reajustes menores do BPC, sem estar atrelado ao salário mínimo. No entanto, essa ideia parece ter sido descartada por falta de apoio.

Crescimento dos Beneficiários e Custos

Os dados mais recentes mostram que o número de beneficiários chegou a 6,2 milhões em setembro de 2024, o que representa um crescimento de 1,2 milhão em relação aos dois anos anteriores. A previsão de gastos para 2024 é de R$ 111,8 bilhões, um aumento real de 15,4% em relação aos R$ 96,9 bilhões de 2023.

Especialistas apontam que, embora a fila de análise de pedidos pelo INSS possa ter contribuído para o crescimento nos números, o aumento expressivo também levanta suspeitas sobre flexibilizações nas regras e possíveis fraudes.

Análise Crítica e Posições de Especialistas

Impacto Social do BPC

A pesquisadora Ana Cleusa Mesquita, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), destaca que o BPC é crucial para combater a pobreza e a desigualdade. Segundo suas pesquisas, o benefício representa 79% da renda das famílias beneficiadas e, em cerca de 50% dos casos, é a única fonte de renda.

Ela alerta que a desvinculação do BPC do salário mínimo pode aumentar as desigualdades. “Outros programas de assistência aliviam a pobreza, mas não conseguem eliminá-la como o BPC faz, especialmente por estar atrelado ao salário mínimo”, explica.

Debates sobre a Idade Mínima e Contribuições

Um dos argumentos para elevar a idade mínima é a diferenciação entre o BPC e a aposentadoria por idade, concedida aos 65 anos para homens mediante contribuição ao INSS. Essa medida teria como objetivo incentivar a formalização do trabalho. Contudo, Mesquita argumenta que essa hipótese é frágil e carece de evidências concretas.

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Leonardo Rolim, ex-presidente do INSS, afirma que a idade mínima atual é adequada, a menos que a aposentadoria por idade também sofra alterações. Ele sugere como alternativa um sistema de incentivo onde o valor do BPC poderia começar em 70% do salário mínimo, aumentando conforme a contribuição previdenciária.

Auxílio-Inclusão: Um Caminho para a Sustentabilidade

Desde 2021, pessoas com deficiência que conseguem emprego têm acesso ao Auxílio-Inclusão, que substitui o BPC pelo valor de meio salário mínimo (R$ 706). Essa medida visa incentivar a inserção no mercado de trabalho.

Rolim acredita que essa abordagem deveria ser fortalecida, pois é uma maneira inteligente de reduzir os custos do programa sem prejudicar os beneficiários.

Fraudes e Vulnerabilidades no Sistema

O tema das fraudes também é um ponto central nas discussões sobre o BPC. Rolim compartilhou que, durante seu período na liderança do INSS, foram identificados cerca de 100 mil benefícios suspeitos. “Acredita-se que atualmente existam pelo menos 700 mil benefícios com indícios de fraude”, afirmou.

Ele enfatiza que, embora tenham sido feitos avanços em termos de identificação de práticas fraudulentas, como o uso de uma mesma foto em diferentes cadastros, ainda faltam ferramentas legais para suspensões cautelares eficazes.

BPC Minha Casa Minha vida
Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Considerações Finais

As discussões sobre mudanças no BPC refletem a busca por um equilíbrio entre a sustentabilidade fiscal e a proteção social. A elevação da idade mínima, o combate a fraudes e as propostas de restrição geram controvérsia entre técnicos, governo e sociedade civil.

Especialistas destacam que qualquer modificação deve ser cuidadosamente ponderada para não aprofundar a vulnerabilidade de milhões de brasileiros que dependem desse benefício essencial.

Imagem: Reprodução / TV Brasil

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Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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