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Bradesco aumenta estimativa para o PIB e eleva projeções de inflação e Selic

Bradesco revisa projeções para PIB, inflação e Selic. Banco prevê crescimento maior em 2026, mas desaceleração da economia em 2027.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Bradesco

O Bradesco revisou suas projeções para a economia brasileira e passou a enxergar um cenário de crescimento mais forte em 2026, embora espere uma desaceleração da atividade econômica no ano seguinte. A atualização também trouxe mudanças nas estimativas para inflação, taxa Selic e mercado de trabalho, indicando que o ambiente econômico continuará desafiador mesmo com a expectativa de redução gradual dos juros.

Segundo relatório divulgado pela instituição financeira, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 subiu de 1,8% para 2%. Já para 2027, a estimativa foi reduzida de 2% para 1,5%, refletindo uma expectativa de perda de força da economia após os estímulos atuais.

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O que motivou a revisão do crescimento econômico

Bradesco
Imagem: Alf Ribeiro / Shutterstock

Na avaliação do banco, a economia brasileira continua sendo sustentada por fatores que ajudam a compensar parte dos efeitos da política monetária restritiva.

Entre eles estão:

  • expansão do crédito;
  • medidas de incentivo adotadas pelo governo;
  • consumo ainda resiliente;
  • mercado de trabalho relativamente aquecido.

De acordo com o Bradesco, esses estímulos devem amenizar a desaceleração econômica ao longo de 2026. Entretanto, os juros elevados continuarão limitando o ritmo de crescimento da atividade.

O relatório destaca que a expansão do PIB deverá permanecer abaixo do chamado crescimento potencial, que representa a capacidade da economia de crescer de forma sustentável sem gerar pressões inflacionárias.

Por que o banco prevê uma economia mais fraca em 2027

Apesar da melhora esperada para 2026, o cenário muda significativamente no ano seguinte.

Segundo o Bradesco, parte da expansão do crédito prevista para este ano poderá gerar efeitos negativos posteriormente, aumentando o comprometimento da renda das famílias e reduzindo a capacidade de investimento das empresas.

Entre os fatores que justificam a revisão para baixo estão:

Menor impulso fiscal

O banco mantém a expectativa de que os estímulos fiscais sejam reduzidos nos próximos anos, diminuindo um importante motor da atividade econômica.

Crédito perde força

A expansão do crédito tende a estimular o consumo no curto prazo, mas pode resultar em maior endividamento posteriormente, reduzindo o espaço para novos gastos.

Investimentos mais moderados

Com juros ainda elevados e menor disponibilidade de recursos, empresas tendem a investir menos, reduzindo o potencial de crescimento econômico.

Mercado de trabalho deve perder parte da força

Outro ponto destacado pelo Bradesco é a expectativa de uma acomodação gradual do mercado de trabalho.

A projeção indica que a taxa de desemprego poderá subir de:

  • 5,9% em 2026
  • para 6,8% em 2027

Mesmo com esse aumento, o banco ressalta que o desemprego continuará abaixo da média histórica brasileira.

Na prática, isso significa um mercado de trabalho ainda relativamente saudável, mas com menor pressão sobre salários e consumo.

Inflação deve permanecer acima do esperado

Além do crescimento econômico, o Bradesco também revisou para cima suas projeções para a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial utilizado pelo Banco Central.

As novas estimativas passaram para:

AnoProjeção anteriorNova projeção
20265,0%5,3%
20273,7%4,1%

As previsões permanecem acima da meta de inflação perseguida pelo Banco Central.

O que explica a inflação mais elevada

Segundo a instituição, diversos fatores continuam pressionando os preços.

Entre eles estão:

Guerra e cenário internacional

Conflitos geopolíticos seguem afetando cadeias produtivas e custos de diversas matérias-primas.

Alimentos

Eventos climáticos, incluindo os efeitos associados ao fenômeno El Niño, continuam influenciando a produção agrícola e os preços dos alimentos.

Setor de serviços

O Bradesco avalia que a inflação dos serviços segue resistente, refletindo um mercado de trabalho ainda aquecido e custos elevados em diversas atividades.

Por outro lado, o banco observa que alguns fatores começaram a aliviar as pressões inflacionárias.

Entre eles estão:

  • estabilidade cambial;
  • queda dos preços internacionais do petróleo;
  • redução dos impactos sobre bens industriais.

Segundo o relatório, esse movimento deve contribuir para uma desaceleração gradual da inflação ao longo dos próximos trimestres.

Bradesco revisa expectativa para a Selic

Com uma inflação mais persistente, o banco também elevou suas projeções para a taxa básica de juros.

As novas estimativas indicam que a Selic deverá encerrar:

AnoProjeção anteriorNova projeção
202612,75%13,75%
202710,25%11%

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Atualmente, a taxa Selic está em 14,25%.

Mesmo com a revisão para cima, o Bradesco continua projetando cortes graduais nos juros até o fim de 2026.

O papel do Copom na trajetória dos juros

A instituição também destacou que sua revisão considera as sinalizações mais recentes do Comitê de Política Monetária (Copom).

Segundo o banco, a ata da última reunião indicou que o ciclo de redução dos juros poderá ocorrer de forma gradual, inclusive com eventuais pausas durante o processo, caso o cenário inflacionário exija maior cautela.

Essa estratégia busca equilibrar dois objetivos importantes:

  • controlar a inflação;
  • evitar uma desaceleração econômica mais intensa.

O que muda para consumidores e empresas

As novas projeções indicam um ambiente de transição para a economia brasileira.

Na prática, consumidores podem enfrentar:

  • crédito ainda relativamente caro;
  • financiamentos com juros elevados;
  • inflação permanecendo acima da meta.

Para empresas, o cenário aponta para:

  • custo de capital ainda alto;
  • crescimento econômico moderado;
  • investimentos mais seletivos.

Ao mesmo tempo, a expectativa de redução gradual da Selic pode melhorar as condições de crédito ao longo dos próximos anos, desde que a inflação continue em trajetória de desaceleração.

O que observar nos próximos meses

Bradesco
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A evolução dessas projeções dependerá de diversos fatores econômicos.

Entre os principais estão:

  • decisões futuras do Copom sobre a Selic;
  • comportamento da inflação de serviços;
  • desempenho do mercado de trabalho;
  • cenário fiscal brasileiro;
  • evolução dos preços internacionais de alimentos e petróleo;
  • ritmo da atividade econômica global.

Mudanças nesses indicadores poderão levar instituições financeiras e analistas a revisarem novamente suas estimativas.

Conclusão

A nova avaliação do Bradesco reforça um cenário de crescimento moderado para a economia brasileira. Embora o banco tenha elevado sua projeção para o PIB de 2026, a expectativa é de desaceleração em 2027 diante dos efeitos prolongados dos juros elevados, da redução dos estímulos econômicos e da acomodação do mercado de trabalho.

Ao mesmo tempo, a revisão para cima das estimativas de inflação e Selic evidencia que o processo de convergência dos preços ainda deverá exigir cautela do Banco Central. Nos próximos meses, indicadores como inflação, atividade econômica e decisões do Copom continuarão sendo determinantes para definir o ritmo da economia brasileira.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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