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Bradesco melhora resultados, mas mercado debate até onde BBDC4 pode se recuperar

Bradesco registra lucro de R$ 7,05 bilhões no 2º trimestre de 2026. Veja a avaliação de analistas, projeções para BBDC4 e riscos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··6 min de leitura
Bradesco melhora resultados, mas mercado debate até onde BBDC4 pode se recuperar

O Bradesco encerrou o segundo trimestre de 2026 com um desempenho financeiro considerado sólido pelo mercado, mas que gerou interpretações diferentes entre bancos de investimento e corretoras. Apesar do crescimento do lucro, da expansão da carteira de crédito e da melhora da rentabilidade, analistas seguem divergindo sobre o potencial de valorização das ações diante dos desafios do cenário econômico e da qualidade da carteira de crédito.

O banco reportou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões entre abril e junho, resultado que superou ligeiramente as projeções do mercado. O desempenho reforça o processo de recuperação operacional da instituição, mas também evidencia que investidores continuam atentos aos riscos relacionados à inadimplência, ao ritmo de redução dos juros e à evolução da economia brasileira.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Lucro cresce e rentabilidade continua avançando

O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026.

O resultado representa crescimento em relação ao trimestre anterior e também na comparação com o mesmo período de 2025, refletindo a continuidade da recuperação operacional do banco.

Outro indicador que chamou atenção foi o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que alcançou 16,2%. Essa métrica é uma das mais acompanhadas pelo mercado financeiro, pois mede a capacidade de uma instituição gerar lucro utilizando os recursos investidos pelos acionistas.

Quanto maior o ROE, maior tende a ser a eficiência do banco na geração de resultados.

Carteira de crédito supera projeções

Um dos principais destaques positivos do balanço foi a expansão da carteira de crédito.

O volume total ultrapassou R$ 1,14 trilhão, registrando crescimento tanto na comparação trimestral quanto anual.

Esse avanço ocorreu acima da faixa de crescimento projetada anteriormente pelo próprio banco, indicando uma demanda por crédito superior ao inicialmente esperado.

Para analistas, esse movimento demonstra maior capacidade do Bradesco em ampliar sua participação no mercado, especialmente em operações consideradas estratégicas.

Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado da carteira exige atenção quanto ao comportamento futuro da inadimplência.

Receita financeira surpreende positivamente

Outro ponto bem recebido pelo mercado foi o desempenho das receitas provenientes das operações de tesouraria e derivativos.

Essa linha do balanço apresentou evolução significativa no trimestre, superando diversas estimativas elaboradas por analistas.

No acumulado do semestre, o resultado dessas operações já ultrapassou todo o desempenho registrado ao longo de 2025, contribuindo para fortalecer o lucro da instituição.

Esse tipo de receita costuma variar conforme as condições do mercado financeiro, comportamento dos juros e estratégias adotadas pela área de tesouraria do banco.

Seguros continuam sendo um importante motor de crescimento

Além das operações bancárias tradicionais, a área de seguros voltou a desempenhar papel relevante nos resultados.

A Bradesco Seguros apresentou crescimento expressivo no lucro líquido e manteve elevados níveis de rentabilidade.

O desempenho reforça a importância da diversificação das fontes de receita do grupo financeiro.

Enquanto parte dos bancos depende quase exclusivamente das operações de crédito, o Bradesco possui forte presença em seguros, previdência, capitalização e outros produtos financeiros, reduzindo parte da volatilidade dos resultados.

Nem todos os indicadores agradaram ao mercado

Apesar dos números positivos, o balanço também trouxe pontos de preocupação.

Entre eles está o comportamento da inadimplência.

Os indicadores de créditos com atraso superior a 90 dias apresentaram leve aumento durante o trimestre, principalmente nas operações voltadas para pessoas físicas e pequenas empresas.

Outro aspecto observado pelos analistas foi a redução do índice de cobertura para créditos inadimplentes.

Embora o banco continue mantendo provisões robustas, parte do mercado entende que a margem de segurança diminuiu em comparação aos trimestres anteriores.

Receitas com tarifas perderam ritmo

Outro ponto considerado menos favorável foi a desaceleração das receitas de prestação de serviços.

As tarifas bancárias cresceram em ritmo inferior ao observado anteriormente, especialmente em segmentos ligados ao mercado de capitais e assessoria financeira.

Mesmo com crescimento do volume de operações em cartões, parte dessa evolução não se refletiu de forma proporcional nas receitas.

Esse comportamento evidencia um ambiente mais competitivo entre as instituições financeiras e maior pressão sobre determinadas fontes tradicionais de receita.

Aumento de capital reforça estrutura financeira

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Um dos assuntos mais discutidos após a divulgação do balanço foi o anúncio do aumento de capital de até R$ 10 bilhões.

A operação prevê a emissão de novas ações para fortalecer a estrutura patrimonial da instituição.

Na avaliação de parte dos analistas, a iniciativa representa uma medida preventiva diante de um cenário econômico que ainda apresenta desafios para o mercado de crédito.

O reforço de capital também amplia a capacidade do banco para continuar expandindo sua carteira de empréstimos, atender exigências regulatórias e enfrentar eventuais deteriorações do ambiente macroeconômico.

Além disso, indicadores de capitalização apresentaram melhora após recentes reorganizações societárias realizadas pelo grupo.

Analistas divergem sobre o potencial das ações

Embora exista consenso de que o balanço foi positivo, as recomendações para as ações do Bradesco permanecem diferentes.

Algumas instituições enxergam espaço para valorização dos papéis diante da recuperação operacional do banco.

Outras preferem manter postura mais cautelosa por entender que os desafios relacionados ao crédito ainda podem limitar um avanço mais consistente das ações.

Entre os fatores que sustentam uma visão mais otimista estão:

  • crescimento da carteira de crédito;
  • melhora da rentabilidade;
  • fortalecimento do capital;
  • evolução das operações de seguros;
  • ganhos de eficiência operacional.

Já entre os principais riscos apontados aparecem:

  • aumento da inadimplência;
  • desaceleração econômica;
  • pressão sobre receitas de serviços;
  • possível manutenção de juros elevados por mais tempo.

O cenário econômico continua sendo determinante

Bradesco
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Mesmo apresentando melhora operacional, o desempenho futuro do Bradesco continuará bastante ligado ao comportamento da economia brasileira.

Caso a inflação permaneça controlada e o Banco Central consiga manter o ciclo de redução da taxa Selic, a demanda por crédito tende a continuar aquecida.

Por outro lado, um ambiente de juros elevados por período prolongado pode aumentar os custos financeiros para empresas e consumidores, pressionando os índices de inadimplência.

Por isso, investidores acompanham não apenas os resultados trimestrais do banco, mas também indicadores macroeconômicos como inflação, mercado de trabalho, crescimento do PIB e decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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