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Brasil e Rússia empatam com juros de 14%; veja os países à frente

Avatar de Bruna Cassana Machado Bruna Cassana Machado · · 7 min de leitura
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O Brasil conseguiu reduzir sua taxa básica de juros, mas continua em uma posição desconfortável no cenário internacional. Mesmo após o Banco Central cortar a Selic para 14% ao ano, o país permanece entre as economias com os maiores juros do mundo, atrás apenas de Argentina e Turquia em um ranking que reúne grandes mercados globais.

A redução chamou atenção porque ocorre em um momento de incerteza internacional, marcado por pressões inflacionárias, conflitos geopolíticos e mudanças nas políticas monetárias de diversos países. Apesar da queda, o custo do dinheiro no Brasil continua elevado, afetando diretamente consumidores, empresas e investidores.

Mas por que o Brasil mantém juros tão altos? O que essa posição significa para quem tem financiamento, cartão de crédito ou pretende investir? Entenda como funciona a Selic e quais são os impactos dessa realidade na economia brasileira.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O Banco Central iniciou um novo movimento de redução da taxa básica de juros brasileira. A Selic, que começou 2026 em 15% ao ano e estava em 14,25%, passou para 14% após a decisão mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom).

A Selic é a principal referência para os juros praticados no país. Ela influencia desde aplicações financeiras, como investimentos de renda fixa, até empréstimos, financiamentos e taxas cobradas pelos bancos.

Mesmo com o corte, o Brasil permanece entre os países com os maiores juros nominais do mundo.

Segundo levantamento do economista Jason Vieira, economista-chefe do grupo Lev e responsável por análises divulgadas pelo portal Moneyou, considerando uma lista com 40 das maiores economias globais, apenas dois países possuem taxas superiores à brasileira.

O ranking ficou da seguinte forma:

  • Turquia: 37% ao ano;
  • Argentina: 29% ao ano;
  • Brasil: 14% ao ano;
  • Rússia: 14% ao ano.

A Rússia, que anteriormente aparecia acima do Brasil, passou a empatar com a taxa brasileira após mudanças recentes em sua política monetária.

Por que o Brasil mantém juros tão elevados?

Para entender a posição brasileira, é necessário compreender que a taxa de juros não é definida apenas pelo desejo de estimular ou desacelerar a economia. O principal objetivo do Banco Central é controlar a inflação.

Quando os preços sobem de forma persistente, o Banco Central pode aumentar os juros para reduzir o consumo e diminuir a pressão sobre a demanda. Com crédito mais caro, famílias e empresas tendem a gastar menos, ajudando a desacelerar a alta dos preços.

Por outro lado, juros altos também tornam o crédito mais difícil e podem reduzir investimentos produtivos.

No caso brasileiro, alguns fatores historicamente contribuem para a manutenção de juros elevados:

Inflação ainda exige atenção

A inflação é um dos principais motivos considerados pelo Banco Central ao decidir o nível da Selic.

Mesmo quando o índice oficial de preços começa a desacelerar, as autoridades monetárias avaliam fatores como expectativas futuras de inflação, comportamento do dólar, preços administrados e cenário internacional.

A meta é evitar que aumentos temporários se transformem em uma alta persistente dos preços.

Risco fiscal influencia os juros

Outro elemento importante é a situação das contas públicas.

Quando investidores percebem maior risco relacionado ao equilíbrio das contas do governo, podem exigir retornos maiores para financiar a dívida pública brasileira.

Esse movimento pode pressionar os juros de mercado e dificultar uma queda mais rápida da Selic.

Histórico de inflação e instabilidade econômica

O Brasil carrega uma trajetória marcada por períodos de inflação elevada, incluindo episódios de hiperinflação antes do Plano Real, implantado em 1994.

Essa experiência influencia a forma como o mercado financeiro e as instituições econômicas avaliam riscos no país.

Como os juros altos afetam a vida dos brasileiros?

Embora a Selic seja uma taxa definida pelo Banco Central, seus efeitos chegam ao cotidiano da população.

Muitas pessoas não acompanham decisões do Copom, mas sentem seus impactos quando tentam financiar um imóvel, comprar um veículo ou parcelar uma compra.

Crédito fica mais caro para consumidores

Quando a Selic está elevada, os bancos normalmente aumentam suas taxas de empréstimos e financiamentos.

Isso pode afetar:

  • financiamento de imóveis;
  • crédito para veículos;
  • empréstimos pessoais;
  • cheque especial;
  • parcelamentos no cartão.

Por exemplo, uma família que pretende financiar uma casa pode enfrentar prestações maiores em um cenário de juros elevados, mesmo que o valor do imóvel permaneça igual.

Empresas reduzem investimentos

Os juros também influenciam decisões empresariais.

Com crédito caro, muitas empresas adiam planos de expansão, compra de equipamentos ou abertura de novas unidades.

Isso pode afetar a geração de empregos e o ritmo de crescimento econômico.

Investimentos de renda fixa ganham destaque

Por outro lado, juros altos costumam beneficiar aplicações financeiras atreladas à Selic ou ao CDI.

Investimentos como Tesouro Selic, CDBs e outros produtos de renda fixa podem oferecer retornos mais elevados nesse cenário.

Por isso, períodos de juros altos costumam aumentar o interesse dos investidores por produtos conservadores.

O que muda com a redução da Selic para 14%?

A queda da taxa básica representa uma sinalização de que o Banco Central avalia uma melhora gradual das condições econômicas.

No entanto, uma redução de juros não significa que empréstimos ficarão baratos imediatamente.

Existe uma diferença entre a Selic definida pelo Banco Central e as taxas finais cobradas dos consumidores.

Os bancos consideram outros fatores, como:

  • risco de inadimplência;
  • custos operacionais;
  • garantias oferecidas;
  • perfil do cliente.

Por isso, uma queda na Selic costuma chegar ao consumidor de maneira gradual.

Brasil pode deixar o ranking dos maiores juros?

A saída do Brasil desse grupo depende de diversos fatores econômicos.

Para que os juros caiam de forma mais consistente, o país precisa manter a inflação controlada e melhorar a percepção de segurança econômica.

Entre os fatores observados pelo mercado estão:

  • cumprimento das metas fiscais;
  • estabilidade das contas públicas;
  • comportamento da inflação;
  • cenário internacional;
  • confiança dos investidores.

O Banco Central costuma destacar que suas decisões são tomadas com base em dados econômicos e buscando preservar o poder de compra da moeda.

Quais são os próximos passos para a política de juros?

O caminho da Selic dependerá da evolução da economia brasileira nos próximos meses.

O Copom avalia indicadores como inflação, atividade econômica, mercado de trabalho e expectativas do mercado antes de definir novas decisões.

Para o consumidor, o principal ponto de atenção é entender que juros menores podem trazer alívio gradual no crédito, mas mudanças mais profundas dependem de um ambiente econômico mais estável.

Enquanto isso, quem possui dívidas deve ter cuidado com contratos de juros elevados, especialmente no cartão de crédito e no cheque especial.

Já investidores precisam avaliar se suas aplicações continuam adequadas ao novo cenário de redução da Selic.

Perguntas frequentes sobre os juros do Brasil

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O Brasil tem o maior juro do mundo?

Não. Após o corte da Selic para 14% ao ano, o Brasil ficou entre os países com maiores juros, mas atrás da Turquia e da Argentina.

O que é a Selic?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela serve como referência para outras taxas cobradas no mercado financeiro.

Quem decide a taxa Selic?

A decisão é tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reúne periodicamente para avaliar o cenário econômico.

Juros altos são sempre ruins?

Não necessariamente. Juros elevados podem ajudar no controle da inflação, mas também encarecem o crédito e podem reduzir investimentos.

A queda da Selic reduz imediatamente os juros dos bancos?

Não. A redução da Selic influencia o mercado, mas as taxas cobradas pelos bancos dependem de outros fatores, como risco e custos.

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