O número de brasileiros endividados com contas em atraso segue em trajetória de alta e já atinge um patamar alarmante. Dados recentes da Serasa Experian apontam que cerca de 82,8 milhões de pessoas estão negativadas, o que corresponde a quase metade da população nacional.
Brasil tem 82,8 milhões de endividados; contas de luz, água e gás lideram débitos
Endividados no Brasil cresce e Desenrola 2.0 surge como saída para renegociar dívidas e recuperar o crédito.
O volume total das dívidas também chama atenção: ultrapassa R$ 557 bilhões, evidenciando o impacto direto da perda de renda, do desemprego e da inflação no orçamento das famílias.
Na prática, isso significa que milhões de consumidores enfrentam dificuldades para acessar crédito, financiar bens ou até mesmo manter serviços básicos em dia.
Leia mais: Gás do Povo exige critérios mesmo para quem recebe Bolsa Família
Quais são as principais dívidas dos brasileiros
Bancos e cartões lideram inadimplência
O setor financeiro concentra a maior fatia do endividamento. Aproximadamente 47% das dívidas estão ligadas a instituições financeiras, com destaque para bancos, responsáveis por mais de um quarto do total.
O cartão de crédito aparece como o principal vilão. Segundo os dados, cerca de 73% dos endividados possuem pendências nessa modalidade. Em muitos casos, o problema começa com o pagamento mínimo da fatura, que rapidamente evolui para juros elevados.
Além disso, empréstimos pessoais e o uso do cheque especial também têm peso relevante no orçamento. Mais da metade dos inadimplentes possui dívidas com crédito pessoal, enquanto cerca de um terço recorre ao limite da conta bancária.
Contas básicas também pesam no orçamento
Outro ponto importante é o crescimento das dívidas relacionadas a despesas essenciais. Contas de água, luz e gás representam cerca de 21% do total.
Esse dado reforça que o problema vai além do consumo supérfluo. Muitas famílias estão deixando de pagar serviços básicos para priorizar alimentação e outras necessidades imediatas.
Já o setor de serviços responde por pouco mais de 11% das dívidas, incluindo mensalidades diversas e contratos recorrentes.
Perfil de brasileiros endividados
A inadimplência não afeta todos os grupos da mesma forma. A faixa etária entre 41 e 60 anos concentra a maior parcela de endividados, com cerca de 35,5%.
Em seguida aparecem:
- Pessoas entre 26 e 40 anos
- Idosos com mais de 60 anos
- Jovens de 18 a 25 anos
Esse recorte revela que o problema atinge principalmente a população economicamente ativa, que geralmente sustenta famílias e possui maior volume de compromissos financeiros.
Outro dado relevante mostra que muitos consumidores acumulam várias dívidas ao mesmo tempo. Em média, cada inadimplente possui mais de três débitos em aberto, frequentemente concentrados na mesma instituição financeira.
Por que os brasileiros estão se endividando
Perda de renda é o principal fator
Entre os motivos mais citados para a inadimplência estão o desemprego e a redução de renda. Cerca de 38% dos consumidores nessa situação apontam essas causas como determinantes.
A informalidade e a instabilidade no mercado de trabalho também contribuem para o cenário, dificultando o planejamento financeiro de longo prazo.
Juros altos agravam a situação
Outro fator decisivo é o custo do crédito no Brasil. Linhas como cartão de crédito e cheque especial possuem taxas elevadas, o que faz com que pequenas dívidas cresçam rapidamente.
Falta de educação financeira
Embora não seja o único motivo, a ausência de planejamento financeiro ainda pesa. Muitos consumidores não acompanham gastos ou não possuem reserva de emergência, o que aumenta a dependência de crédito.
Desenrola 2.0: nova tentativa de reduzir inadimplência
Diante do aumento do endividamento, o Governo Federal lançou uma nova fase do programa de renegociação de dívidas: o Desenrola 2.0.
A proposta amplia o alcance da iniciativa anterior e busca facilitar acordos para milhões de brasileiros.
Quem pode participar
Podem aderir ao programa pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos e que tenham dívidas contratadas até janeiro de 2026.
Outro requisito importante é o tempo de atraso: os débitos devem estar vencidos entre 90 dias e dois anos.
Como funciona o Desenrola Famílias
O eixo voltado às famílias é o principal destaque do programa. Ele permite renegociar dívidas como:
- Cartão de crédito
- Cheque especial
- Empréstimos pessoais não consignados
Uma das principais vantagens é o limite de juros, que pode chegar a até 1,99% ao mês, reduzindo significativamente o custo da renegociação.
Uso do FGTS para quitar dívidas
Uma das novidades é a possibilidade de utilizar até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para abater débitos.
O valor não será liberado diretamente ao trabalhador. Ele será usado exclusivamente para reduzir ou quitar a dívida junto à instituição credora.
Outros eixos do programa
Além do Desenrola Famílias, o programa foi estruturado em outras frentes:
Desenrola Fies
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Voltado para estudantes com débitos do Fundo de Financiamento Estudantil, pode beneficiar cerca de 1,5 milhão de pessoas.
Desenrola Empresa
Focado em pequenos negócios, busca facilitar a renegociação de dívidas empresariais e estimular a retomada econômica.
Desenrola Rural
Destinado a produtores rurais, com potencial de alcançar centenas de milhares de trabalhadores do campo.
Restrições para quem aderir ao programa
Um ponto que chama atenção são as regras impostas aos participantes. Quem renegociar dívidas pelo programa poderá enfrentar algumas restrições temporárias.
Entre elas está a proibição de realizar apostas em plataformas de jogos online por um período de um ano. A medida busca evitar o agravamento da situação financeira dos beneficiários.
Impacto esperado na economia
A expectativa do governo é que milhões de brasileiros consigam limpar o nome e voltar ao mercado de crédito.
No eixo das famílias, a projeção é atingir cerca de 20 milhões de pessoas. Além disso, aposentados vinculados ao Instituto Nacional do Seguro Social também podem ser beneficiados com ajustes em linhas de crédito consignado.
A reativação do consumo dessas famílias pode gerar efeitos positivos na economia, estimulando comércio, serviços e produção.
Como sair das dívidas na prática
Além de programas governamentais, especialistas recomendam algumas estratégias para recuperar o controle financeiro:
Priorize dívidas com juros mais altos
Comece quitando ou renegociando dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial.
Negocie diretamente com credores
Muitas instituições oferecem descontos significativos para pagamento à vista ou parcelamentos com juros menores.
Organize o orçamento
Mapear receitas e despesas é essencial para evitar novos atrasos.
Evite novas dívidas
Durante o processo de reorganização financeira, o ideal é reduzir o uso de crédito.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

