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IBGE: Brasil Alcança Menores Níveis de Pobreza e Extrema Pobreza da História

Em 2023, o Brasil alcançou os menores níveis de pobreza e extrema pobreza desde 2012, segundo o IBGE.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Mãos estendidas

Em 2023, o Brasil registrou uma queda significativa nos níveis de pobreza e extrema pobreza, alcançando os menores índices da história desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012.

Este avanço foi impulsionado principalmente por fatores como a recuperação do mercado de trabalho e o aumento na cobertura de programas sociais. Esses resultados trazem uma análise sobre as condições de vida da população brasileira e os desafios ainda presentes em diversas regiões e grupos sociais.

Queda na Pobreza e na Extrema Pobreza

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Imagem: Elizabeth Malkova/Shutterstock.com

De acordo com a pesquisa Síntese de Indicadores Sociais 2024 do IBGE, o Brasil reduziu significativamente o número de pessoas em situação de pobreza e extrema pobreza entre 2022 e 2023. A pobreza, definida por uma renda mensal inferior a R$ 665, afetava 59 milhões de brasileiros em 2023, o que representa uma redução de 8,7 milhões de pessoas em relação ao ano anterior. Em termos proporcionais, o índice de pobreza passou de 31,6% para 27,4% da população.

Leia mais: Bolsa Família: Gastos disparam 47% em 2023, revela IBGE

Por outro lado, a extrema pobreza, caracterizada por uma renda de até R$ 209 por mês, caiu ainda mais. A população extremamente pobre recuou de 12,6 milhões para 9,5 milhões de pessoas, representando uma redução de 3,1 milhões de brasileiros. A proporção de pessoas em extrema pobreza também diminuiu de 5,9% para 4,4% da população.

Fatores que Contribuíram para a Queda

O cenário positivo de redução da pobreza no Brasil pode ser atribuído principalmente a dois fatores principais:

1. Dinamismo no Mercado de Trabalho

O aquecimento do mercado de trabalho foi um dos motores responsáveis pela redução da pobreza. Com mais pessoas empregadas, especialmente nos setores de serviços e comércio, houve um aumento na renda familiar e, consequentemente, uma diminuição no número de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza.

2. Aumento na Cobertura de Benefícios Sociais

Outro fator crucial foi a expansão dos benefícios sociais, como o Bolsa Família, que têm um impacto direto na redução da extrema pobreza. Esses programas têm ajudado a tirar milhões de brasileiros da condição de extrema vulnerabilidade, especialmente nas regiões mais carentes do país.

Grupos Populacionais Mais Afetados

Apesar da queda geral na pobreza, certos grupos continuam sendo mais afetados pela desigualdade social, especialmente crianças, adolescentes e mulheres.

1. Crianças e Adolescentes

As crianças e adolescentes de 0 a 14 anos continuam sendo a faixa etária mais atingida pela pobreza. Em 2023, 44,8% das crianças viviam em situação de pobreza, enquanto 7,3% estavam em extrema pobreza. Esse cenário reflete as dificuldades enfrentadas pelas famílias para garantir o bem-estar infantil em um contexto de desigualdade social persistente.

2. Idosos

Por outro lado, os idosos apresentam os menores índices de pobreza e extrema pobreza. Apenas 11,3% dos brasileiros acima de 60 anos vivem em situação de pobreza, e apenas 2% se encontram em extrema pobreza. Esses números são indicativos de que, com o tempo, houve uma evolução nas políticas voltadas para a aposentadoria e para o suporte social aos mais velhos.

3. Mulheres e Homens

Embora os homens apresentem índices mais baixos de pobreza (26,3% contra 28,4% das mulheres), a extrema pobreza atinge de forma mais significativa as mulheres (4,5%) do que os homens (4,3%). A explicação para esse descompasso pode ser atribuída à desigualdade de gênero no mercado de trabalho e à sobrecarga de tarefas domésticas, que afetam principalmente as mulheres negras e pardas.

4. Racial

Em relação à cor da pele, a pesquisa revelou que as pessoas pardas (35,5%) e pretas (30,8%) enfrentam índices de pobreza mais altos em comparação com as pessoas brancas (17,7%). A extrema pobreza atinge 6% da população parda, 4,7% da população preta e 2,6% da população branca, evidenciando as desigualdades raciais persistentes no Brasil.

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Desigualdades Regionais

A desigualdade social no Brasil também é fortemente influenciada pela localização geográfica. As regiões Norte e Nordeste apresentam as maiores taxas de pobreza e extrema pobreza no país, com a pobreza afetando 47,2% da população do Nordeste e 38,5% do Norte. Em contrapartida, as regiões Sul e Sudeste apresentam índices significativamente mais baixos, com apenas 14,8% e 18,4% da população, respectivamente, em situação de pobreza.

A extrema pobreza é ainda mais pronunciada no Nordeste, atingindo 9,1% da população da região, enquanto no Sudeste esse índice é de apenas 2,5%.

Desafios Persistentes e Necessidade de Políticas Públicas

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Imagem: rafastockbr/shutterstock.com

Apesar dos avanços observados, o Brasil ainda enfrenta desafios significativos para erradicar completamente a pobreza e as desigualdades sociais.

As disparidades regionais, de gênero e de cor exigem a implementação de políticas públicas eficazes, como o acesso universal a creches e escolas de qualidade, além de medidas que possam incentivar a geração de emprego nas regiões mais carentes do país.

Considerações finais

Em 2023, o Brasil alcançou marcos históricos na redução da pobreza e extrema pobreza, mas a luta contra as desigualdades sociais continua.

A combinação de um mercado de trabalho dinâmico e programas sociais robustos tem mostrado efeitos positivos, mas as disparidades regionais e de gênero ainda são desafios importantes a serem superados. A continuidade e o fortalecimento de políticas públicas inclusivas serão fundamentais para garantir que o país avance ainda mais na erradicação da pobreza e na promoção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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