O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME), votará nesta quarta-feira (25 de junho de 2025) a proposta de elevação da mistura de etanol na gasolina de 27% para 30%, o chamado E30.
Mistura de etanol na gasolina: elevação será discutida na próxima quarta-feira
Brasil pode elevar mistura de etanol na gasolina de 27% para 30% nesta quarta-feira. Proposta visa reduzir importações e reforçar biocombustíveis.
A medida é considerada estratégica para a autossuficiência energética do Brasil, principalmente diante da crescente instabilidade no mercado internacional de petróleo, acentuada pelas recentes tensões no estreito de Ormuz.
A proposta também prevê o aumento da mistura de biodiesel no diesel fóssil, passando de 14% para 15%, em um movimento que reforça o papel dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.
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Silveira defende autonomia energética

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem sido o principal articulador da proposta dentro do governo. Durante evento da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Silveira afirmou que o aumento da mistura “permitirá ao Brasil deixar praticamente de ser importador de gasolina”.
Segundo o ministro, a adoção do E30 representa um marco histórico para o país. “Em 2024, o Brasil importou 760 milhões de litros de gasolina. Agora, com o E30, vamos exportar.
Haverá um aumento de 1,5 bilhão de litros por ano na demanda por etanol”, afirmou. A previsão do governo é que a mudança possa reduzir até R$ 0,13 por litro no preço final da gasolina ao consumidor.
O que muda com o E30?
Maior participação do etanol na composição do combustível
Hoje, a gasolina vendida nos postos do Brasil já contém 27% de etanol anidro, um tipo de álcool sem água, que aumenta a octanagem e reduz emissões de gases poluentes. Com a nova proposta, o percentual subiria para 30%.
Vantagens da medida
- Redução das importações de derivados de petróleo, em especial da gasolina.
- Fortalecimento da cadeia produtiva do etanol, beneficiando produtores de cana-de-açúcar e milho.
- Menor emissão de gases poluentes, colaborando com metas climáticas.
- Estímulo à geração de empregos no setor de biocombustíveis.
Riscos e desafios
- Adequação da frota: embora veículos flex estejam preparados para misturas com altos percentuais de etanol, há preocupações quanto à performance e consumo em carros antigos.
- Oscilação no preço do etanol: o aumento da demanda pode pressionar os preços nos meses de entressafra.
- Logística de distribuição: o transporte e armazenamento da nova composição exige revisão técnica e operacional nos polos de distribuição.
Impacto geopolítico: tensão no estreito de Ormuz
Contexto internacional favorece aprovação
A votação da proposta ocorre em um momento de tensão internacional, após o Parlamento do Irã aprovar, no último domingo (22), o fechamento do estreito de Ormuz, um dos principais corredores de exportação de petróleo do mundo.
Esse estreito, localizado entre o Irã e Omã, é responsável por até 30% da movimentação global de petróleo.
Com a possibilidade de bloqueio do tráfego marítimo — em retaliação ao bombardeio de instalações nucleares iranianas ordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump —, o mercado internacional vive temores de disparada no preço do barril.
Possível efeito em cadeia no mercado global
O fechamento total ou parcial de Ormuz pode gerar:
- Aumento da inflação energética global.
- Queda na oferta de petróleo bruto.
- Reação em cadeia nos preços de derivados, como gasolina e diesel.
A conjuntura internacional, portanto, aumenta a chance de aprovação da proposta no CNPE, como forma de blindar o Brasil de eventuais choques de oferta.
Etanol e biodiesel: pilares da energia renovável no Brasil
Matriz energética brasileira é das mais limpas do mundo
Com mais de 48% da energia brasileira proveniente de fontes renováveis, o país está à frente de grandes economias mundiais. O etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel de soja são os principais representantes dos biocombustíveis no Brasil.
E30 e B15: metas alinhadas à política nacional
A proposta do E30 vem acompanhada da elevação da mistura do biodiesel (B15), de 14% para 15%. Essas mudanças fazem parte de um plano maior do governo de:
- Substituir progressivamente derivados de petróleo por renováveis.
- Estabelecer um novo patamar de independência energética.
- Cumprir compromissos do Acordo de Paris e metas de descarbonização.
O papel do CNPE na decisão
O que é o CNPE?
O Conselho Nacional de Política Energética é um órgão deliberativo presidido pelo ministro de Minas e Energia. Ele é responsável por formular políticas públicas para o setor energético nacional e tem poder de aprovar medidas como a alteração da composição de combustíveis.
Composição e funcionamento
O CNPE é composto por representantes de diversos ministérios e especialistas do setor energético. Suas decisões são vinculantes e precisam ser publicadas no Diário Oficial da União para entrar em vigor.
Expectativas para a votação
Fontes ligadas ao Ministério de Minas e Energia afirmam que há maioria formada a favor da proposta, especialmente após os eventos no Oriente Médio. Caso aprovada, a nova mistura entraria em vigor a partir do segundo semestre de 2025, com período de transição para as distribuidoras e refinarias.
Reação do setor produtivo
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Produtores de etanol celebram proposta
A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) e outras entidades do setor bioenergético se manifestaram positivamente.
Segundo a Unica, o aumento do percentual do etanol na gasolina representa uma oportunidade para expansão sustentável da indústria e contribui para a segurança energética nacional.
Distribuidoras e refinarias analisam impactos
Distribuidoras de combustíveis como BR Petrobras, Raízen e Ipiranga estão avaliando as implicações logísticas. O principal desafio seria a adequação de tanques, dutos e caminhões à nova proporção, além de garantir a padronização da mistura em todo o território nacional.
Histórico da mistura de etanol no Brasil
Evolução da proporção ao longo dos anos
O Brasil tem uma longa tradição no uso de etanol como combustível. A mistura obrigatória começou na década de 1970, como resposta à crise do petróleo, e foi gradualmente ajustada ao longo dos anos.
- 2003: percentual variava entre 20% e 25%.
- 2015: aumento para 27%.
- 2025: proposta de E30 em votação.
Comparação internacional
O Brasil é líder global no uso de etanol. Nos Estados Unidos, a mistura padrão é de 10% (E10), embora existam bombas com E15 e E85. A nova proporção brasileira seria uma das mais altas do mundo, consolidando o país como referência em biocombustíveis.
O que muda para o consumidor?

Pouca diferença no desempenho
Especialistas indicam que a diferença no consumo e performance de veículos flex será mínima com a adoção do E30. O maior teor de etanol pode até melhorar a queima de combustível e reduzir emissões, embora com leve aumento no consumo por quilômetro rodado.
Possível redução de preço
A maior oferta e uso de etanol no mercado interno pode levar a uma leve queda no preço médio da gasolina, estimada em até R$ 0,13 por litro, segundo o MME. A variação, no entanto, dependerá da safra de cana e das condições do mercado internacional.
Conclusão
A votação do CNPE nesta quarta-feira poderá marcar um novo capítulo na política energética brasileira, com impactos diretos na economia, no meio ambiente e na segurança estratégica do país.
Diante do cenário internacional conturbado, a elevação da mistura de etanol e biodiesel representa não apenas uma decisão técnica, mas uma resposta geopolítica e ambiental importante.
Com o E30, o Brasil dá mais um passo rumo à independência energética, ao mesmo tempo em que reafirma seu compromisso com uma matriz limpa, renovável e sustentável.
