A busca por uma internet mais acessível em regiões isoladas do Brasil acaba de dar um passo importante com a demonstração da tecnologia D2D (Direct-to-Device) pela ViaSat. A iniciativa representa uma aposta estratégica em conexão satelital independente, sem envolver a Starlink, gigante do setor comandada por Elon Musk. O movimento pode redesenhar o futuro da conectividade no país, especialmente em áreas onde a infraestrutura de telecomunicações ainda é limitada.
Starlink fica de fora: Brasil aposta em teste de conexão via satélite independente
Brasil testa conexão via satélite independente, sem Starlink, com tecnologia D2D da ViaSat. Saiba mais sobre!
A apresentação, realizada no final de abril em Brasília, marca mais um capítulo dos testes da ViaSat no território nacional, que começaram em fevereiro. Com o avanço dessa tecnologia, o Brasil vislumbra uma alternativa soberana para ampliar a cobertura de internet, afastando-se da dependência de redes internacionais.
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Um novo modelo de conexão: entenda a proposta da ViaSat

A ViaSat tem desenvolvido uma proposta que oferece comunicação direta entre dispositivos sem a necessidade de antenas ou torres terrestres. Essa conexão direta, conhecida como D2D, permite que celulares e outros equipamentos troquem informações via satélite, uma inovação que tem potencial para transformar o acesso em regiões rurais, florestas e zonas urbanas mal atendidas.
Ao contrário do modelo da Starlink, que depende de uma constelação com milhares de satélites em órbita baixa (LEO), a ViaSat opta por satélites geoestacionários, localizados a cerca de 36 mil quilômetros da Terra. Essa escolha tem implicações técnicas distintas, como maior cobertura por satélite, embora com latência ligeiramente superior.
Durante a demonstração em Brasília, o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, recebeu uma mensagem em seu celular por meio de um dispositivo conectado diretamente a um satélite da ViaSat. A ação foi simbólica, mas representou um marco importante para a viabilidade da tecnologia em solo brasileiro.
De Santa Catarina ao Paraná: os testes pelo país
Antes da exibição em Brasília, a ViaSat já havia iniciado os testes da tecnologia em fevereiro. A fase inicial envolveu veículos equipados com a conexão D2D, que conseguiram se manter conectados durante um trajeto entre Blumenau (SC) e Curitiba (PR).
A experiência em campo foi essencial para validar o potencial da tecnologia em situações reais de mobilidade e diferentes condições geográficas. A comunicação contínua ao longo do percurso mostrou que a proposta da ViaSat pode ser uma solução eficaz para áreas onde a conexão convencional é instável ou inexistente.
Como funciona a tecnologia D2D?
A comunicação Direct-to-Device representa uma evolução das conexões sem fio. Originalmente associada a sistemas como RFID e tecnologias de curto alcance, como Bluetooth e Wi-Fi Direct, o D2D agora assume um novo patamar ao utilizar sinais de satélite para conexão direta com dispositivos móveis.
Essa inovação permite o envio e recebimento de dados sem a necessidade de intermediários, como torres de celular ou servidores locais. O uso de bandas como a L, empregada tanto pela ViaSat quanto pela Starlink nos EUA, possibilita comunicação estável mesmo em áreas remotas.
Segundo especialistas, a principal vantagem do D2D é a redução da latência e o aumento da eficiência nas redes móveis. Isso abre espaço para aplicações em segurança pública, logística, agronegócio e monitoramento ambiental — setores altamente dependentes de conectividade em tempo real.
A Starlink ficou de fora — e isso é estratégico

Embora a Starlink já esteja em operação no Brasil e tenha lançado recentemente a antena compacta Starlink Mini, sua exclusão do projeto da ViaSat é significativa. A escolha reflete uma intenção política e tecnológica de fortalecer soluções nacionais, o que pode ser entendido como uma resposta à crescente preocupação com a soberania digital.
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Em abril, a Anatel autorizou a ampliação da presença da Starlink no país com mais 7.500 satélites. No entanto, o PSOL apresentou um pedido para anular essa expansão, alegando riscos à soberania nacional, já que a empresa é estrangeira e controlada por um bilionário com interesses geopolíticos próprios.
Nesse cenário, a ViaSat surge como uma alternativa nacional, oferecendo ao Brasil maior controle sobre sua infraestrutura de telecomunicações.
Complemento ao 4G e 5G, e não substituição
É importante ressaltar que a tecnologia D2D não pretende substituir as redes móveis existentes. Pelo contrário: ela é complementar às redes 4G e 5G, oferecendo uma solução adicional para cenários em que o sinal convencional não chega.
A ideia é que essa conexão satelital entre dispositivos funcione como uma ponte para a inclusão digital em áreas esquecidas pelo mercado tradicional. Isso vale tanto para comunidades ribeirinhas na Amazônia quanto para propriedades agrícolas no interior do país.
A ViaSat, ao investir nessa abordagem, amplia as possibilidades de conectividade no Brasil e contribui para a universalização do acesso à internet — uma das metas do governo federal nos próximos anos.
Com informações de: Anatel via Mundo Conectado
