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Starlink fica de fora: Brasil aposta em teste de conexão via satélite independente

Brasil testa conexão via satélite independente, sem Starlink, com tecnologia D2D da ViaSat. Saiba mais sobre!

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
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A busca por uma internet mais acessível em regiões isoladas do Brasil acaba de dar um passo importante com a demonstração da tecnologia D2D (Direct-to-Device) pela ViaSat. A iniciativa representa uma aposta estratégica em conexão satelital independente, sem envolver a Starlink, gigante do setor comandada por Elon Musk. O movimento pode redesenhar o futuro da conectividade no país, especialmente em áreas onde a infraestrutura de telecomunicações ainda é limitada.

A apresentação, realizada no final de abril em Brasília, marca mais um capítulo dos testes da ViaSat no território nacional, que começaram em fevereiro. Com o avanço dessa tecnologia, o Brasil vislumbra uma alternativa soberana para ampliar a cobertura de internet, afastando-se da dependência de redes internacionais.

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Um novo modelo de conexão: entenda a proposta da ViaSat

Starlink satélite conexão
Imagem: Freepik

A ViaSat tem desenvolvido uma proposta que oferece comunicação direta entre dispositivos sem a necessidade de antenas ou torres terrestres. Essa conexão direta, conhecida como D2D, permite que celulares e outros equipamentos troquem informações via satélite, uma inovação que tem potencial para transformar o acesso em regiões rurais, florestas e zonas urbanas mal atendidas.

Ao contrário do modelo da Starlink, que depende de uma constelação com milhares de satélites em órbita baixa (LEO), a ViaSat opta por satélites geoestacionários, localizados a cerca de 36 mil quilômetros da Terra. Essa escolha tem implicações técnicas distintas, como maior cobertura por satélite, embora com latência ligeiramente superior.

Durante a demonstração em Brasília, o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, recebeu uma mensagem em seu celular por meio de um dispositivo conectado diretamente a um satélite da ViaSat. A ação foi simbólica, mas representou um marco importante para a viabilidade da tecnologia em solo brasileiro.

De Santa Catarina ao Paraná: os testes pelo país

Antes da exibição em Brasília, a ViaSat já havia iniciado os testes da tecnologia em fevereiro. A fase inicial envolveu veículos equipados com a conexão D2D, que conseguiram se manter conectados durante um trajeto entre Blumenau (SC) e Curitiba (PR).

A experiência em campo foi essencial para validar o potencial da tecnologia em situações reais de mobilidade e diferentes condições geográficas. A comunicação contínua ao longo do percurso mostrou que a proposta da ViaSat pode ser uma solução eficaz para áreas onde a conexão convencional é instável ou inexistente.

Como funciona a tecnologia D2D?

A comunicação Direct-to-Device representa uma evolução das conexões sem fio. Originalmente associada a sistemas como RFID e tecnologias de curto alcance, como Bluetooth e Wi-Fi Direct, o D2D agora assume um novo patamar ao utilizar sinais de satélite para conexão direta com dispositivos móveis.

Essa inovação permite o envio e recebimento de dados sem a necessidade de intermediários, como torres de celular ou servidores locais. O uso de bandas como a L, empregada tanto pela ViaSat quanto pela Starlink nos EUA, possibilita comunicação estável mesmo em áreas remotas.

Segundo especialistas, a principal vantagem do D2D é a redução da latência e o aumento da eficiência nas redes móveis. Isso abre espaço para aplicações em segurança pública, logística, agronegócio e monitoramento ambiental — setores altamente dependentes de conectividade em tempo real.

A Starlink ficou de fora — e isso é estratégico

starlink
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Embora a Starlink já esteja em operação no Brasil e tenha lançado recentemente a antena compacta Starlink Mini, sua exclusão do projeto da ViaSat é significativa. A escolha reflete uma intenção política e tecnológica de fortalecer soluções nacionais, o que pode ser entendido como uma resposta à crescente preocupação com a soberania digital.

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Em abril, a Anatel autorizou a ampliação da presença da Starlink no país com mais 7.500 satélites. No entanto, o PSOL apresentou um pedido para anular essa expansão, alegando riscos à soberania nacional, já que a empresa é estrangeira e controlada por um bilionário com interesses geopolíticos próprios.

Nesse cenário, a ViaSat surge como uma alternativa nacional, oferecendo ao Brasil maior controle sobre sua infraestrutura de telecomunicações.

Complemento ao 4G e 5G, e não substituição

É importante ressaltar que a tecnologia D2D não pretende substituir as redes móveis existentes. Pelo contrário: ela é complementar às redes 4G e 5G, oferecendo uma solução adicional para cenários em que o sinal convencional não chega.

A ideia é que essa conexão satelital entre dispositivos funcione como uma ponte para a inclusão digital em áreas esquecidas pelo mercado tradicional. Isso vale tanto para comunidades ribeirinhas na Amazônia quanto para propriedades agrícolas no interior do país.

A ViaSat, ao investir nessa abordagem, amplia as possibilidades de conectividade no Brasil e contribui para a universalização do acesso à internet — uma das metas do governo federal nos próximos anos.

Com informações de: Anatel via Mundo Conectado

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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