A radiografia da saúde financeira do brasileiro revela um cenário de extrema fragilidade: no encerramento de 2025, três em cada dez adultos no país não possuíam qualquer tipo de poupança para emergências.
1 em cada 3 brasileiros não tem reserva financeira, diz Anbima
Pesquisa revela que maioria dos brasileiros não tem reserva financeira e enfrenta desafios para investir. Veja dados e como mudar isso.
Segundo a 9ª edição da pesquisa Raio X do Investidor, realizada pela Anbima em parceria com o Datafolha, o desamparo financeiro atinge níveis críticos, onde apenas uma pequena fatia de 15% da população dispõe de recursos capazes de sustentar o padrão de vida por um período entre seis meses e um ano.
O cenário desenhado pelos dados colhidos ao final de 2025 revela um Brasil de contrastes. Enquanto o acesso à informação cresce e novas tecnologias como a Inteligência Artificial ganham espaço, a vulnerabilidade imediata atinge metade da população: 51% dos brasileiros não têm economias ou possuem fôlego financeiro para, no máximo, um mês.
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A radiografia da fragilidade financeira no Brasil
Os dados da Anbima mostram que a falta de colchão financeiro não escolhe necessariamente a juventude. Curiosamente, a Geração X (45 a 64 anos) lidera o grupo dos que não possuem reservas, seguida de perto pelos Millennials. Esse dado é preocupante, pois se trata da parcela da população que está mais próxima da aposentadoria e, teoricamente, no auge de sua capacidade produtiva.
A pesquisa aponta que apenas 24% da população possui segurança financeira para mais de seis meses. Esse “fôlego curto” coloca as famílias em risco diante de imprevistos comuns, como desemprego, problemas de saúde ou reparos emergenciais em residências.
O paradoxo das apostas e o crescimento das Bets
Um dos pontos mais alarmantes do relatório é a ascensão das apostas esportivas e jogos online (Bets). Enquanto o percentual de investidores em produtos financeiros tradicionais recuou levemente para 10%, o interesse pelas Bets saltou para 17%.
Essa tendência é impulsionada pela Geração Z (27%), que muitas vezes confunde o ato de apostar com uma estratégia de ganho de capital. Especialistas alertam que, diferentemente do investimento, onde há expectativa de retorno baseada em ativos reais e juros compostos, a aposta é um consumo de entretenimento com viés estatístico desfavorável ao usuário no longo prazo.
Por onde começar: o caminho para a reserva de emergência
Para quem faz parte dos 63% que ainda não investem, o primeiro passo não deve ser a busca pela “tacada certeira” na Bolsa de Valores, mas sim a construção da reserva de emergência.
O conceito de reserva ideal
A reserva de emergência é um montante guardado em ativos de alta liquidez (que podem ser sacados imediatamente) e baixo risco. O objetivo não é a rentabilidade extrema, mas a disponibilidade.
- Assalariados: Recomenda-se o equivalente a 6 meses de custo de vida.
- Autônomos e empresários: Pelo menos 12 meses de custo de vida, dada a maior volatilidade da renda.
Onde alocar o recurso de segurança
Embora a caderneta de poupança ainda seja a aplicação mais popular (usada por 22% dos brasileiros), ela vem perdendo espaço para investidores mais qualificados. As alternativas mais eficientes em 2026 incluem:
- Tesouro Selic: Títulos públicos garantidos pelo Governo Federal.
- CDBs de liquidez diária: Títulos emitidos por bancos que pagam ao menos 100% do CDI.
- Fundos de Renda Fixa Simples: Com taxas de administração baixas ou zeradas.
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A evolução do conhecimento e o papel da tecnologia
Uma notícia positiva trazida pelo Raio X do Investidor é o aumento do conhecimento financeiro: 43% dos brasileiros afirmam conhecer opções de investimento. Esse amadurecimento reflete na diversificação da carteira. Investidores com maior nível de educação financeira tendem a sair da poupança e migrar para títulos privados, fundos e até ativos digitais.
O impacto da Inteligência Artificial e redes sociais
A forma como o brasileiro consome informação financeira mudou drasticamente. YouTube (35%) e Instagram (27%) superam a televisão e portais de notícias como fontes de atualização.
A grande novidade de 2026 é o uso da Inteligência Artificial (IA). Cerca de 9% dos entrevistados já utilizam ferramentas de IA para aprender sobre finanças. Na Geração Z, esse número chega a quase metade (49%). A IA atua como um tutor personalizado, ajudando a comparar taxas, explicar termos técnicos e simular cenários de longo prazo.
O que esperar para o futuro dos investimentos no Brasil
A projeção para o fechamento de 2026 é otimista em termos de volume de investidores. Cerca de 23,3 milhões de pessoas que hoje não investem declararam intenção de começar. Se esse compromisso for cumprido, o Brasil poderá atingir a marca histórica de 69,3 milhões de investidores.
O renascimento dos imóveis e o avanço das criptos
Apesar da digitalização, o sonho da casa própria ou do investimento imobiliário físico ainda é forte: 13% dos brasileiros pretendem investir em imóveis este ano. Por outro lado, as criptomoedas já são mais lembradas que os imóveis como opção de aplicação e superam ações e títulos públicos na carteira de quem já investe, sendo citadas por 8% e utilizadas por 4% da população.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

