O Brasil vive um processo de envelhecimento populacional sem precedentes. Segundo o Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a previsão é que, até 2050, um a cada quatro brasileiros terá 60 anos ou mais. Esse cenário representa desafios significativos para políticas públicas, infraestrutura urbana e sistemas de saúde.
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O envelhecimento acelerado no Brasil desafia municípios a garantir saúde, economia e qualidade de vida aos idosos, aponta IDL 2023.
Diante dessa realidade, o Instituto de Longevidade lançou a terceira edição do Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade (IDL 2023), abrangendo pela primeira vez os 5.570 municípios brasileiros. O índice busca medir, de forma detalhada, a capacidade das cidades em oferecer condições favoráveis para um envelhecimento saudável.
“O papel de um índice que permita entender a realidade municipal para lidar com os desafios e oportunidades dessa proporção crescente de idosos é enorme”, destacou Gleisson Rubin, diretor do instituto.
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Como funciona o IDL 2023

O Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade avalia 23 indicadores, agrupados em três grandes dimensões: saúde, economia e aspectos socioambientais. Cada variável representa um conjunto de condições essenciais para garantir qualidade de vida à população idosa.
Saúde
Na dimensão da saúde, são considerados indicadores como:
- Leitos hospitalares por habitante;
- Cobertura vacinal;
- Taxas de óbitos por doenças crônicas;
- Acesso a procedimentos médicos e especializados.
A análise da saúde reflete diretamente a capacidade de um município em atender as demandas de uma população que envelhece, prevenindo doenças e promovendo bem-estar.
Economia
Na esfera econômica, o IDL avalia:
- Capacidade de consumo da população idosa;
- Longevidade esperada;
- Segurança financeira;
- Disponibilidade de serviços financeiros acessíveis.
Esses indicadores ajudam a mapear o potencial de autonomia dos idosos e a sustentabilidade de políticas públicas voltadas ao envelhecimento.
Socioambiental
Os indicadores socioambientais medem:
- Relações afetivas e redes de apoio social;
- Engajamento cívico;
- Aprendizado contínuo e acesso à educação;
- Conectividade digital e inclusão tecnológica.
Essa dimensão é essencial para entender como a vida social e cultural influencia a saúde mental e o bem-estar da população idosa.
Categorias de municípios
O IDL 2023 divide os municípios em três categorias, considerando a população:
- Grandes cidades: acima de 100 mil habitantes;
- Médias cidades: de 34,8 mil a 99,9 mil habitantes;
- Pequenas cidades: até 34 mil habitantes.
Essa classificação permite comparações mais justas entre municípios com realidades distintas, destacando os desafios específicos de cada porte populacional.
Destaque catarinense: São Martinho
Entre as pequenas cidades, com até 34 mil habitantes, São Martinho, no sul de Santa Catarina, conquistou a sétima posição nacional. Com menos de quatro mil moradores, o município se destacou especialmente nos indicadores de saúde, com boa oferta de leitos hospitalares, cobertura vacinal eficiente e acesso a procedimentos médicos.
Além da infraestrutura de saúde, São Martinho é reconhecida pelo turismo rural e pela preservação da herança cultural germânica, com casas em estilo enxaimel, produção artesanal de alimentos e forte tradição de hospitalidade. O equilíbrio entre qualidade de vida e manutenção de tradições locais é um dos fatores que impulsionam a cidade no IDL 2023.
Cidades grandes: líderes nacionais

Nas grandes cidades, São Caetano do Sul (SP) manteve a liderança do ranking. A cidade se destacou pela longevidade esperada e pela infraestrutura hospitalar de qualidade.
Logo em seguida, aparece Vitória (ES), que avançou do 39º lugar em 2020 para o 2º em 2023, demonstrando melhorias significativas em políticas públicas voltadas à população idosa. Santos (SP) completou o top 3, consolidando o Sudeste como uma região de referência em planejamento urbano para longevidade.
Cidades médias: novos destaques
Entre as cidades médias, o destaque nacional ficou com São Lourenço (MG), famosa por suas águas minerais e atrativos turísticos. O município combina desenvolvimento econômico e infraestrutura de saúde, garantindo bem-estar aos idosos.
Gramado (RS) e São Miguel do Oeste (SC) completam o top 3, mostrando que diferentes regiões do Brasil oferecem condições adequadas para envelhecimento saudável, cada uma com suas particularidades culturais e ambientais.
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Envelhecer com qualidade
O IDL 2023 evidencia que o envelhecimento saudável é um desafio que demanda planejamento urbano, políticas públicas eficientes e engajamento da sociedade. “O envelhecimento saudável é um desafio coletivo e progressivo, que depende de planejamento urbano e social”, reforçou Rubin.
O levantamento mostra ainda que, embora algumas cidades estejam preparadas, muitas regiões ainda precisam investir em infraestrutura, serviços de saúde e programas de inclusão socioeconômica para a população idosa.
Turismo e cultura como aliados
Cidades como São Martinho e Gramado mostram que turismo e cultura podem ser aliados no envelhecimento saudável. O turismo rural e as atividades culturais estimulam a participação social, o engajamento cívico e a prática de exercícios leves, beneficiando diretamente a saúde física e mental dos idosos.
Economia e longevidade
O estudo também aponta que a capacidade financeira influencia diretamente a qualidade de vida na terceira idade. Municípios com maior segurança econômica, acesso a serviços e consumo equilibrado proporcionam mais autonomia e independência aos idosos.
Inclusão socioambiental
A dimensão socioambiental do IDL reforça a importância das relações afetivas e do aprendizado contínuo. Redes de apoio social e atividades educativas contribuem para reduzir a solidão e o isolamento, fatores que impactam significativamente a saúde mental e física na terceira idade.
Desafios futuros

O envelhecimento populacional brasileiro exige investimentos contínuos em:
- Expansão da infraestrutura de saúde;
- Programas de incentivo à educação e aprendizado contínuo;
- Políticas de segurança financeira;
- Melhoria da mobilidade urbana e acessibilidade.
O planejamento integrado entre governo, sociedade civil e iniciativa privada é essencial para transformar o envelhecimento em uma oportunidade de desenvolvimento social e econômico, garantindo bem-estar para todos.
Considerações finais
O IDL 2023 reforça a urgência de políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à população idosa. Enquanto algumas cidades se destacam, outras precisam acelerar a implementação de medidas que garantam saúde, segurança e qualidade de vida.
O envelhecimento no Brasil é um fenômeno inevitável, mas com planejamento urbano, investimentos em saúde e integração social, é possível transformar o desafio em oportunidade, permitindo que os idosos vivam com dignidade, autonomia e felicidade.
