O governo brasileiro deu mais um passo estratégico para ampliar sua presença no mercado global de carnes.
Uma comitiva oficial desembarcou no Japão nesta segunda-feira (11) com o objetivo de avançar nas tratativas para que a carne bovina brasileira seja autorizada a entrar no país asiático — um processo aguardado há mais de duas décadas pela agroindústria nacional.
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Missão diplomática em território japonês

A delegação é liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua. O grupo deve se reunir com autoridades japonesas responsáveis pela análise dos trâmites sanitários e regulatórios necessários para viabilizar as exportações.
Segundo o Mapa, o encontro servirá para acompanhar de perto o andamento das auditorias já realizadas e tratar de ajustes técnicos solicitados pelo governo japonês. “O Japão é um mercado exigente e estratégico. Queremos mostrar a robustez do nosso sistema sanitário e a qualidade do produto brasileiro”, afirmou Rua antes da viagem.
Um mercado desejado há mais de 20 anos
O Japão é visto como um dos destinos mais cobiçados pelo setor de proteína animal. Reconhecido por suas exigências sanitárias rigorosas, o país mantém um padrão elevado de inspeção e rastreabilidade, o que aumenta o prestígio das exportações aprovadas.
O governo brasileiro busca essa habilitação há mais de 20 anos, e o avanço das negociações ganhou impulso após a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Tóquio, em março. Na ocasião, foram firmados acordos de cooperação e estabelecido um cronograma para auditorias nos frigoríficos e no sistema de inspeção brasileiro.
O peso do mercado japonês no comércio internacional
O Japão é o terceiro maior importador de carne bovina do mundo, adquirindo mais de 700 mil toneladas anuais. Atualmente, cerca de 80% desse volume vem de Estados Unidos e Austrália.
Para o Brasil, a entrada nesse mercado representaria não apenas um incremento nas receitas, mas também a diversificação de destinos de exportação, especialmente após as barreiras tarifárias impostas pelo ex-presidente americano Donald Trump, que afetaram o comércio de produtos agrícolas.
Auditorias e próximos passos
As autoridades japonesas já realizaram auditorias no sistema sanitário brasileiro em junho, avaliando protocolos de controle de doenças, inspeção de frigoríficos e monitoramento de transporte de gado.
O relatório dessas inspeções é agora aguardado pelo governo brasileiro. Caso o parecer seja positivo, restarão apenas etapas burocráticas, como a publicação de regulamentações e a definição dos requisitos de certificação.
A importância estratégica para o agronegócio

O setor de carnes é um dos pilares da balança comercial brasileira. Em 2024, o Brasil exportou mais de 2,3 milhões de toneladas de carne bovina, gerando receitas superiores a US$ 12 bilhões.
A inclusão do Japão na lista de mercados habilitados poderia abrir portas para outros países com padrões sanitários semelhantes, como Coreia do Sul e Taiwan, fortalecendo a imagem do produto brasileiro.
Impactos econômicos e diplomáticos
A possível abertura do mercado japonês tem impacto que vai além do aspecto comercial. Ela fortalece a posição do Brasil como player global em negociações agrícolas, especialmente no contexto de disputas comerciais entre potências e da crescente busca por segurança alimentar em países desenvolvidos.
Expansão para outros produtos
Embora a carne bovina seja o foco principal da missão, a pauta das reuniões no Japão também inclui a ampliação das exportações de carne suína brasileira e a abertura para produtos de origem vegetal, como grãos e frutas tropicais.
Segundo dados do Mapa, o Japão já é um comprador relevante de frango e café do Brasil, mas ainda há grande potencial para outros segmentos.
O desafio das barreiras sanitárias
As exigências sanitárias japonesas são conhecidas por seu rigor. Entre os requisitos estão a ausência de casos recentes de febre aftosa, protocolos de rastreabilidade desde a origem até o consumidor final e padrões de bem-estar animal.
Cumprir todos esses critérios não é apenas uma questão técnica, mas também política, já que envolve negociações bilaterais e adaptações logísticas por parte dos produtores.
Expectativas para 2025
O governo brasileiro demonstra otimismo. De acordo com fontes do Mapa, a expectativa é que, se o relatório das auditorias for favorável, a habilitação para exportar carne bovina ao Japão possa ocorrer ainda em 2025.
O setor produtivo acompanha de perto o processo. Associações de frigoríficos e pecuaristas afirmam que estão prontas para atender às demandas do mercado japonês e que já adaptaram seus processos para atender às exigências internacionais.
Imagem: EyeEm – Freepik
