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Brasil reforça esforço diplomático para ampliar acesso ao mercado japonês de carne bovina

Brasil envia comitiva ao Japão para avançar na abertura do mercado de carne bovina, aguardada pela agroindústria há mais de 20 anos.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
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O governo brasileiro deu mais um passo estratégico para ampliar sua presença no mercado global de carnes.

Uma comitiva oficial desembarcou no Japão nesta segunda-feira (11) com o objetivo de avançar nas tratativas para que a carne bovina brasileira seja autorizada a entrar no país asiático — um processo aguardado há mais de duas décadas pela agroindústria nacional.

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Missão diplomática em território japonês

Carne bovina
Imagem: Federico Abis/Pexels.com

A delegação é liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua. O grupo deve se reunir com autoridades japonesas responsáveis pela análise dos trâmites sanitários e regulatórios necessários para viabilizar as exportações.

Segundo o Mapa, o encontro servirá para acompanhar de perto o andamento das auditorias já realizadas e tratar de ajustes técnicos solicitados pelo governo japonês. “O Japão é um mercado exigente e estratégico. Queremos mostrar a robustez do nosso sistema sanitário e a qualidade do produto brasileiro”, afirmou Rua antes da viagem.

Um mercado desejado há mais de 20 anos

O Japão é visto como um dos destinos mais cobiçados pelo setor de proteína animal. Reconhecido por suas exigências sanitárias rigorosas, o país mantém um padrão elevado de inspeção e rastreabilidade, o que aumenta o prestígio das exportações aprovadas.

O governo brasileiro busca essa habilitação há mais de 20 anos, e o avanço das negociações ganhou impulso após a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Tóquio, em março. Na ocasião, foram firmados acordos de cooperação e estabelecido um cronograma para auditorias nos frigoríficos e no sistema de inspeção brasileiro.

O peso do mercado japonês no comércio internacional

O Japão é o terceiro maior importador de carne bovina do mundo, adquirindo mais de 700 mil toneladas anuais. Atualmente, cerca de 80% desse volume vem de Estados Unidos e Austrália.

Para o Brasil, a entrada nesse mercado representaria não apenas um incremento nas receitas, mas também a diversificação de destinos de exportação, especialmente após as barreiras tarifárias impostas pelo ex-presidente americano Donald Trump, que afetaram o comércio de produtos agrícolas.

Auditorias e próximos passos

As autoridades japonesas já realizaram auditorias no sistema sanitário brasileiro em junho, avaliando protocolos de controle de doenças, inspeção de frigoríficos e monitoramento de transporte de gado.

O relatório dessas inspeções é agora aguardado pelo governo brasileiro. Caso o parecer seja positivo, restarão apenas etapas burocráticas, como a publicação de regulamentações e a definição dos requisitos de certificação.

A importância estratégica para o agronegócio

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Imagem: Senivpetro / Freepik

O setor de carnes é um dos pilares da balança comercial brasileira. Em 2024, o Brasil exportou mais de 2,3 milhões de toneladas de carne bovina, gerando receitas superiores a US$ 12 bilhões.

A inclusão do Japão na lista de mercados habilitados poderia abrir portas para outros países com padrões sanitários semelhantes, como Coreia do Sul e Taiwan, fortalecendo a imagem do produto brasileiro.

Impactos econômicos e diplomáticos

A possível abertura do mercado japonês tem impacto que vai além do aspecto comercial. Ela fortalece a posição do Brasil como player global em negociações agrícolas, especialmente no contexto de disputas comerciais entre potências e da crescente busca por segurança alimentar em países desenvolvidos.

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Expansão para outros produtos

Embora a carne bovina seja o foco principal da missão, a pauta das reuniões no Japão também inclui a ampliação das exportações de carne suína brasileira e a abertura para produtos de origem vegetal, como grãos e frutas tropicais.

Segundo dados do Mapa, o Japão já é um comprador relevante de frango e café do Brasil, mas ainda há grande potencial para outros segmentos.

O desafio das barreiras sanitárias

As exigências sanitárias japonesas são conhecidas por seu rigor. Entre os requisitos estão a ausência de casos recentes de febre aftosa, protocolos de rastreabilidade desde a origem até o consumidor final e padrões de bem-estar animal.

Cumprir todos esses critérios não é apenas uma questão técnica, mas também política, já que envolve negociações bilaterais e adaptações logísticas por parte dos produtores.

Expectativas para 2025

O governo brasileiro demonstra otimismo. De acordo com fontes do Mapa, a expectativa é que, se o relatório das auditorias for favorável, a habilitação para exportar carne bovina ao Japão possa ocorrer ainda em 2025.

O setor produtivo acompanha de perto o processo. Associações de frigoríficos e pecuaristas afirmam que estão prontas para atender às demandas do mercado japonês e que já adaptaram seus processos para atender às exigências internacionais.

Imagem: EyeEm – Freepik

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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