O Projeto de Lei 4.501/2024, proposto pelo deputado federal Eros Biondini (PL‑MG), teve novo impulso nesta semana.
Brasil debate Reserva Soberana de Bitcoin: audiência pública pode avançar PL pioneiro
O PL 4501/2024, que institui a Reserva Soberana de Bitcoin no Brasil, avança no Congresso com pedido de audiência pública e apoio crescente de parlamentares.
O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL‑SP) oficializou o pedido de realização de audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) para aprofundar o debate e qualificar o texto que propõe a criação de uma Reserva Estratégica Soberana de Bitcoins (RESBit) no Brasil.
Desde sua apresentação em novembro de 2024, o PL já caminhou por comissões e recebeu parecer favorável do relator Luiz Gastão (PSD‑CE) em 6 de junho de 2025. Agora, com o requerimento de audiência pública, o texto ganha fôlego para receber contribuições de especialistas e stakeholders antes de seguir para votação.
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O que propõe a RESBit?
Até 5% das reservas internacionais em Bitcoin
O PL determina que o governo federal poderá destinar até 5% das reservas internacionais em Bitcoin, por meio de aquisição gradual e planejada, sempre em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Em valores, considerando o estoque de cerca de US$ 328 bilhões, isso representa mais de US$ 16 bilhões em BTC.
Fundo com Bitcoins apreendidos

Outra medida relevante do projeto é o destino de bitcoins apreendidos em operações de combate à lavagem de dinheiro para um fundo soberano, fortalecendo o patrimônio estatal e adicionando liquidez ao fundo de reserva.
Infraestrutura, segurança e governança
A gestão da RESBit ficaria sob responsabilidade do Banco Central e do Ministério da Fazenda, prevendo:
- uso de carteiras frias (cold wallets);
- sistemas robustos de monitoramento baseados em blockchain e IA;
- emissão de relatórios semestrais ao Congresso;
- criação de um comitê consultivo técnico;
- adoção de medidas para garantir o lastro do Drex (real digital) em Bitcoin.
A audiência pública: quem deve participar?
No requerimento, o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança incluiu nomes estratégicos para enriquecer o debate:
- Diego Kolling, Head de Estratégia Bitcoin do Méliuz;
- Bernardo Srur, da ABCripto;
- Representantes do Ministério da Fazenda, Banco Central e da Febraban;
- Pedro Henrique Giocondo Guerra, chefe de gabinete do Ministro do Desenvolvimento, ligado ao vice-presidente Alckmin.
Objetivos esperados
O parlamentar justifica que a audiência pública visa:
- “debater com profundidade o mérito técnico e econômico do PL”;
- garantir robustez e segurança jurídica e operacional ao texto;
- promover transparência e legitimidade perante investidores e a sociedade.
Por que a RESBit pode colocar o Brasil na vanguarda?
Referências internacionais
O projeto ganha força diante de iniciativas semelhantes:
- Estados Unidos, com propostas nos moldes da senadora Cynthia Lummis;
- El Salvador, que adotou o Bitcoin como moeda oficial;
- países como China e UE, com reservas estratégicas em ativos digitais.
Vantagem estratégica para o Brasil
O deputado Biondini enfatiza que o país pode assumir um papel pioneiro em economia digital, reduzindo dependência do dólar, agregando soberania financeira e atraindo investimentos. Ele destaca:
“Pelo que vemos na comunidade bitcoin, é um dos projetos mais relevantes apresentados na Câmara”
Além disso, o PL reconhece que a demora pode comprometer a oportunidade estratégica:
“demora na aprovação da pauta pode comprometer a vantagem estratégica do Brasil”.
Etapas de tramitação até o Plenário
Trilhas cumpridas
- 25/11/2024 – apresentação à mesa da Câmara;
- Encaminhamento às comissões: CDE, CT&I, FT e CCJ;
- 06/06/2025 – parecer favorável do relator Luiz Gastão na CDE.
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Próximos passos
- Audiência pública na CDE — requerida por Orleans e Bragança;
- Votação na CDE, seguida por CCJ e CT&I;
- Plenário da Câmara;
- Análise no Senado Federal, se aprovado;
- Sanção ou veto presidencial.
Impactos esperados e desafios
Para a economia e finanças
- Diversificação das reservas brasileiras: proteção contra crises cambiais e geopolíticas;
- Fortalecimento do Drex, com lastro em ativo deflacionário;
- Promoção da tecnologia blockchain e IA no setor público e privado.
Riscos e críticas
- Volatilidade do Bitcoin: o preço pode oscilar drasticamente, afetando o valor da reserva;
- Autonomia do Banco Central: o BC costuma operar com independência em suas reservas – o PL altera isso diretamente;
- Infraestrutura exigida: alta complexidade operacional aumenta custos e risco de falhas.
Repercussão política e apoio parlamentar
Bancada cripto em expansão
O PL recebeu manifestações positivas, reforçadas por:
- apoio de deputados da “bancada bitcoin”;
- envolvimento de técnicos do BC, Fazenda e Febraban;
- atenção de parlamentares ligados ao governo, como Pedro Guerra.
Pressão pública e midiática
O interesse da comunidade bitcoin, de startups e veículos como o Cointelegraph, CriptoFácil e Livecoins, indica que o projeto ganhou destaque nacional e teve repercussão internacional.
Conclusão: um marco na política de ativos digitais

A audiência pública no CDE representa uma etapa estratégica na tramitação do PL 4501/2024. Se aprovada sem alterações drásticas, a RESBit pode transformar o Brasil em referência em gestão pública de criptomoedas.
O processo traz exigências claras: segurança operacional, governança robusta e gestão prudente. Ao mesmo tempo, pode elevar a discussão sobre real digital, soberania econômica e inovação tecnológica. Torna-se urgente para o país aproveitar esse momento global e consolidar sua posição na nova economia.
