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Brasil Sem Fome entra em nova fase e pode apertar fiscalização; entenda

MDS capacita agentes estaduais para aplicar o protocolo Brasil sem fome e integrar SUS, SUAS e Sisan no combate à insegurança alimentar.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
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O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) iniciou, nesta terça-feira (24.02), em Brasília, um curso estratégico de formação para agentes estaduais responsáveis pela implementação do Protocolo Brasil Sem Fome. A capacitação segue até quinta-feira (26.02) e marca mais uma etapa na consolidação de uma política pública que busca identificar, priorizar e acompanhar famílias em risco de insegurança alimentar em todo o país.

A iniciativa reforça o papel do governo federal na articulação entre diferentes sistemas públicos, promovendo integração de dados, padronização de fluxos e atuação coordenada nos territórios.

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O que é o protocolo Brasil sem fome

O Protocolo Brasil Sem Fome é um instrumento de gestão pública que organiza procedimentos e define responsabilidades entre três grandes estruturas do Estado brasileiro:

  • Sistema Único de Saúde (SUS)
  • Sistema Único de Assistência Social (SUAS)
  • Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan)

Na prática, o protocolo estabelece fluxos integrados de atendimento e determina como os órgãos devem compartilhar informações para localizar famílias em situação de vulnerabilidade alimentar.

Segundo a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, o diferencial do protocolo está na metodologia estruturada. A identificação das famílias ocorre por meio da Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (Tria), aplicada dentro do SUS.

Como funciona a triagem pelo SUS

A Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (Tria) é aplicada nas unidades de saúde, especialmente na atenção primária. Profissionais do SUS fazem perguntas padronizadas que avaliam se a família enfrenta dificuldade de acesso regular e suficiente a alimentos.

Cruzamento com o cadastro único

O ponto central da estratégia é o cruzamento das informações da Tria com o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Esse banco de dados reúne informações socioeconômicas das famílias de baixa renda no Brasil.

Quando o sistema identifica uma família com risco alimentar e que ainda não está inserida em políticas públicas prioritárias, o protocolo permite:

  • Priorizar o acesso a benefícios sociais
  • Direcionar atendimento pelo SUAS
  • Integrar ações de segurança alimentar pelo Sisan
  • Avaliar inclusão ou atualização no Bolsa Família

De acordo com o MDS, a Tria já foi aplicada a mais de 24 milhões de famílias no país. Os dados estão sendo cruzados com o CadÚnico para permitir identificação objetiva dos casos mais urgentes.

Brasil fora do mapa da fome: o que isso significa

O Brasil saiu do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Isso significa que menos de 2,5% da população está em situação de subalimentação crônica.

A saída do mapa não elimina o problema, mas indica melhora nos indicadores nacionais. O desafio atual é localizar grupos específicos que permanecem invisíveis nas estatísticas agregadas, especialmente em áreas periféricas urbanas, comunidades rurais isoladas e populações tradicionais.

Nesse contexto, o Protocolo Brasil Sem Fome atua como ferramenta de focalização.

Estrutura do curso de formação

A capacitação promovida pelo MDS foi estruturada em três dias, com abordagem técnica e operacional.

Primeiro dia: fundamentos e instrumentos

No primeiro dia, os agentes debateram:

  • Estrutura do Sisan
  • Marcos de referência do protocolo
  • Papel da participação social
  • Funcionamento da Tria no SUS
  • Uso do Cadastro Único
  • Portfólio da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan)

O objetivo foi alinhar conceitos e padronizar procedimentos entre os estados.

Segundo dia: programas integrados

No segundo dia, os participantes conheceram programas federais que podem ser acionados após a identificação do risco alimentar, como:

  • Bolsa Família
  • Acredita no Primeiro Passo
  • Pé-de-Meia

Também foram discutidas estratégias de trabalho social com famílias em situação de vulnerabilidade.

Um dos destaques foi a construção da Cartografia de Respostas Locais, ferramenta que mapeia serviços públicos disponíveis em cada território, como restaurantes populares, cozinhas solidárias, bancos de alimentos e centros de referência da assistência social (CRAS).

Terceiro dia: fluxo integrado e priorização

No último dia, o foco foi a construção do fluxo de atendimento integrado. Os agentes trabalharam:

  • Estratégias de priorização
  • Integração entre SUS, SUAS e Sisan
  • Uso do sistema CadInsan
  • Procedimentos de adesão e permanência no Sisan
  • Planejamento de implementação nos estados

Essa etapa é considerada crucial para evitar fragmentação de políticas públicas.

Impacto direto para estados e municípios

O protocolo não é apenas uma diretriz federal. Ele depende da adesão e operacionalização por estados e municípios.

Na prática, quando um agente de saúde identifica uma família com insegurança alimentar:

  1. A informação é registrada na Tria.
  2. O dado é cruzado com o CadÚnico.
  3. A assistência social é acionada.
  4. Programas complementares são avaliados.
  5. A rede de segurança alimentar é mobilizada.

Esse fluxo reduz o risco de que famílias fiquem sem atendimento por falta de comunicação entre órgãos.

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Para municípios menores, a padronização ajuda a organizar melhor recursos já existentes, como cestas emergenciais, cozinhas comunitárias e programas de transferência de renda.

Integração como estratégia de política pública

Especialistas em políticas sociais apontam que um dos principais gargalos históricos no combate à fome é a fragmentação de dados. Saúde, assistência social e segurança alimentar muitas vezes operam com sistemas distintos.

O Protocolo Brasil Sem Fome atua justamente nessa lacuna, criando interoperabilidade entre bases de dados e definindo responsabilidades claras.

Essa abordagem fortalece a lógica intersetorial prevista na Constituição Federal e na Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional.

Desafios na erradicação da fome

Apesar dos avanços, o cenário exige atenção constante. A insegurança alimentar pode ser agravada por:

  • Desemprego ou informalidade
  • Endividamento das famílias
  • Aumento no custo de alimentos
  • Eventos climáticos extremos

A focalização é essencial para alcançar grupos invisíveis, como pessoas em situação de rua, migrantes internos e comunidades isoladas.

A secretária Valéria Burity destacou que o protocolo oferece método, informação e capacidade de direcionamento, mas depende de execução efetiva nos territórios.

O que muda para a população

Para o cidadão, o impacto pode ser percebido de forma indireta, mas concreta. A aplicação da Tria no SUS amplia a chance de que a vulnerabilidade alimentar seja identificada mesmo quando a família não procura diretamente a assistência social.

Exemplo prático: uma mãe que leva o filho à unidade básica de saúde pode, durante o atendimento, responder à triagem e ter sua situação registrada. Se o sistema identificar risco alimentar, a rede de assistência pode ser acionada automaticamente.

Essa integração reduz barreiras burocráticas e amplia o acesso a direitos.

Perspectivas para os próximos meses

Com a capacitação dos agentes estaduais, a expectativa do MDS é acelerar a implementação do protocolo nos territórios. O planejamento inclui:

  • Expansão da aplicação da Tria
  • Ampliação da integração de dados
  • Monitoramento contínuo pelo CadInsan
  • Fortalecimento da participação social no Sisan

O objetivo declarado é avançar não apenas na redução, mas na erradicação da fome no país.

A estratégia combina transferência de renda, articulação intersetorial e mapeamento territorial, reforçando a capacidade do Estado de atuar de forma preventiva e direcionada.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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