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Brasileiros comprometem 70,5% da renda em contas a pagar, diz Serasa

Estudo da Serasa aponta que brasileiros destinam 70,5% da renda ao pagamento de dívidas e contas, restando pouco para novos gastos.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
Descontos

Um levantamento da Serasa Experian revelou que os brasileiros comprometem, em média, 70,5% da renda mensal com contas a pagar. O estudo mostra que o orçamento das famílias está cada vez mais pressionado por despesas fixas, como faturas de cartão de crédito, contas de energia elétrica, internet e financiamentos bancários. Com esse cenário, sobra em média apenas R$ 968 por mês para novos gastos.

Embora o percentual seja considerado elevado, a pesquisa indica que o comprometimento de renda vem apresentando queda gradual nos últimos anos. Em 2022, era de 72,3%; em 2023, caiu para 72%; em 2024, recuou para 70,9%; até chegar a 70,5% neste ano.

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Diferenças por faixa de renda

Dívidas Meis quebra cobrança renda serasa
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

A análise da Serasa revela que o comprometimento da renda é diretamente proporcional ao nível de ganhos do consumidor. Quanto menor a renda, maior a fatia destinada ao pagamento de contas.

Baixa renda mais pressionada

Entre aqueles que ganham até um salário mínimo, o índice chega a 90,1% da renda comprometida. Isso significa que sobra praticamente nada para imprevistos, lazer ou investimentos. Essa realidade reforça a vulnerabilidade financeira da população de baixa renda, que acaba recorrendo ao crédito rotativo e a empréstimos para fechar o mês.

Alta renda com mais margem de manobra

Na outra ponta, consumidores que recebem acima de dez salários mínimos destinam 58,2% da renda ao pagamento de dívidas, o menor percentual entre todas as faixas analisadas. Ainda que esse grupo enfrente obrigações financeiras, o espaço para consumo e investimentos é significativamente maior, garantindo maior resiliência frente a crises econômicas.


Queda no comprometimento não reduz inadimplência

Apesar da redução gradual do comprometimento de renda, os indicadores de inadimplência não acompanham a mesma trajetória. Segundo a Serasa, fatores como a alta do crédito pessoal e o uso frequente do cartão de crédito continuam pressionando as famílias.

Mercado de trabalho aquecido

De acordo com Eduardo Mônaco, vice-presidente de crédito e plataformas da Serasa Experian, a queda no comprometimento pode estar ligada a um mercado de trabalho aquecido e políticas de estímulo à renda. No entanto, ele alerta que esse movimento não tem sido suficiente para conter o aumento da inadimplência.

“Esse aumento na renda não está contribuindo para conter a elevação da inadimplência no País”, afirma Mônaco, destacando que o número de brasileiros com contas em atraso segue elevado, apesar do alívio no orçamento médio.


Endividamento no Brasil: fatores que pesam no bolso

O endividamento das famílias brasileiras é reflexo de uma série de fatores estruturais e conjunturais.

Inflação e custo de vida

A alta do custo de vida, impulsionada por aumentos em itens essenciais como alimentação, transporte e energia, força muitas famílias a utilizarem o crédito para suprir necessidades básicas.

Cartão de crédito como vilão

O cartão de crédito, por sua vez, aparece como um dos principais responsáveis pelo comprometimento da renda. O rotativo do cartão, com juros elevados, transforma pequenas dívidas em grandes passivos em poucos meses.

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Nos últimos anos, o aumento da oferta de crédito estimulou o consumo, mas também ampliou o risco de endividamento excessivo. Embora o mercado de trabalho mais aquecido e os programas de transferência de renda tenham ajudado a sustentar parte do consumo, a inadimplência ainda reflete a fragilidade do orçamento familiar.


Perspectivas para os próximos anos

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Imagem: Drazen Zigic – Freepik

Especialistas apontam que a tendência de redução no comprometimento da renda pode continuar, mas o desafio será transformar esse alívio em uma queda consistente da inadimplência.

Educação financeira como aliada

Um dos caminhos defendidos por economistas e analistas é o investimento em educação financeira, que ajude os consumidores a administrar melhor o orçamento, evitar o uso abusivo do crédito e criar reservas de emergência.

Políticas públicas

Além disso, políticas públicas que incentivem o consumo responsável e ampliem a renegociação de dívidas podem contribuir para equilibrar as finanças das famílias. Programas de renegociação em massa, como os já lançados pelo governo, têm desempenhado papel importante para aliviar parte da pressão sobre o orçamento familiar.

Impacto econômico

O comportamento das famílias no consumo tem impacto direto no crescimento da economia brasileira. Se os recursos permanecem excessivamente comprometidos com dívidas, sobra menos espaço para o consumo de bens e serviços, que é um dos principais motores do Produto Interno Bruto (PIB).

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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