A crise financeira da Braskem (BRKM5) ganhou novos contornos na terça-feira (30), com o anúncio da agência de classificação de risco Moody’s, que rebaixou o rating da companhia de B2 para Caa3, mantendo a perspectiva negativa. A decisão ocorre um dia após os cortes promovidos por S&P e Fitch, configurando um cenário de deterioração grave da percepção de risco de crédito da maior petroquímica da América Latina.
Moody’s alerta: Braskem com rating Caa3 e risco de pressão financeira
Moody’s corta rating da Braskem para Caa3, com perspectiva negativa e alto risco de dificuldades financeiras.
Com o novo nível de classificação, a Braskem passa a ser considerada uma empresa altamente especulativa e sujeita a risco substancial de inadimplência, segundo os critérios da própria Moody’s.
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Mercado reage com desconfiança
Às 12h37 da terça-feira, as ações da Braskem caíam 0,90%, negociadas a R$ 6,60. O papel acumula queda de 44,86% no ano, refletindo o crescente pessimismo do mercado em relação à capacidade da companhia de recuperar sua saúde financeira.
Por que a Moody’s rebaixou a Braskem?
Queima de caixa acelerada e fragilidade operacional
Segundo relatório divulgado pela Moody’s, o principal fator que motivou o rebaixamento foi o aumento do risco de transações consideradas “distressed”, ou seja, ações financeiras que denotam dificuldades sérias, como reestruturações forçadas ou inadimplência técnica.
Esse risco cresceu após a Braskem anunciar a contratação de consultores financeiros e jurídicos para “avaliar alternativas econômico-financeiras”, o que, no jargão do mercado, é visto como um movimento preliminar de reestruturação de dívida.
“A contínua queima de caixa e a fragilidade operacional da companhia ampliam substancialmente o risco de soluções financeiras não convencionais”, afirmou a Moody’s.
Alavancagem explodiu e fluxo de caixa é negativo
Dados preocupantes no acumulado de 12 meses
Nos 12 meses encerrados em junho de 2025, a alavancagem ajustada da Braskem, incluindo as operações no México, chegou a impressionantes 15,3 vezes o EBITDA.
Além disso, o fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 8,8 bilhões, resultado de:
- Operações com margens comprimidas;
- Custos elevados com provisões judiciais;
- Desembolsos relacionados ao caso Alagoas, que ainda pesa sobre a imagem e os cofres da empresa.
Perspectiva para os próximos trimestres
Mesmo com iniciativas internas de reestruturação, a Moody’s projeta que, sem aumento significativo do EBITDA, a alavancagem deve permanecer entre 11x e 13,5x nos próximos 12 a 18 meses.
Spreads petroquímicos seguem pressionados
Margens reduzidas no setor
O cenário global da indústria petroquímica contribui para a crise. A queda nos spreads petroquímicos, ou seja, a diferença entre o custo das matérias-primas e o preço dos produtos finais, está corroendo a rentabilidade de empresas do setor.
No caso da Braskem, isso tem sido especialmente prejudicial devido à sua alta dependência de margens mais amplas para manter a sustentabilidade financeira, dado seu nível de endividamento.
Perspectiva negativa reforça risco de mais rebaixamentos
A manutenção da perspectiva negativa no novo relatório da Moody’s significa que novos cortes no rating não estão descartados. Isso pode ocorrer se:
- A empresa não apresentar melhora nos indicadores operacionais;
- A liquidez continuar deteriorando;
- Houver eventos que indiquem reestruturação forçada da dívida.
Outras agências também rebaixaram a Braskem

S&P e Fitch antecederam a Moody’s
Na segunda-feira (29), Standard & Poor’s (S&P) e Fitch Ratings já haviam sinalizado o agravamento do risco Braskem.
- S&P rebaixou o rating para CCC, com perspectiva negativa, mencionando risco elevado de refinanciamento e pressão de liquidez;
- Fitch rebaixou a nota de crédito para CCC+, destacando desafios operacionais persistentes e incertezas jurídicas e ambientais.
Caso Alagoas ainda pesa fortemente
Passivos judiciais bilionários
O caso Alagoas, envolvendo afundamentos de solo em Maceió supostamente causados por operações de extração de sal-gema pela Braskem, continua sendo uma bomba-relógio jurídica e financeira.
A empresa já provisionou bilhões em indenizações, além de enfrentar ações civis públicas e processos em múltiplas instâncias.
Esse passivo tem:
- Reduzido a liquidez da empresa;
- Aumentado o custo de captação;
- Afastado investidores institucionais.
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Estratégias de curto prazo da Braskem
Avaliação de “alternativas financeiras”
A contratação de consultores financeiros indica que a Braskem está analisando possibilidades como:
- Reestruturação voluntária de dívida;
- Venda de ativos não estratégicos;
- Novas emissões com garantia real;
- Busca de parcerias ou capitalizações.
Contudo, o tom das agências de risco sugere que essas medidas, sem aumento real de EBITDA, podem ser insuficientes para afastar o risco de colapso financeiro.
Impactos para o investidor
Ações voláteis e risco elevado
Os papéis BRKM5 seguem sob intensa volatilidade, com movimentos especulativos predominando no curto prazo. A deterioração do rating torna o ativo ainda mais sensível a:
- Rumores sobre negociações com credores;
- Divulgação de resultados trimestrais;
- Posicionamentos das agências de risco.
Renda fixa exposta
Investidores expostos a debêntures ou bonds da Braskem também enfrentam risco crescente de:
- Reprecificação dos títulos;
- Aumento de spreads de crédito;
- Risco real de calote parcial ou total.
O que esperar dos próximos capítulos?

Três variáveis-chave para a sobrevivência da empresa
- Recuperação operacional: aumento de margens, expansão de receitas e controle de custos.
- Gestão ativa da dívida: reestruturações amigáveis, alívio de amortizações e rolagem eficiente.
- Solução definitiva para o caso Alagoas: com valores previsíveis e controle de danos reputacionais.
Se a Braskem não conseguir avançar nessas frentes, o risco de default técnico ou intervenção judicial aumenta substancialmente.
REUTERS/Luisa González
