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Moody’s alerta: Braskem com rating Caa3 e risco de pressão financeira

Moody’s corta rating da Braskem para Caa3, com perspectiva negativa e alto risco de dificuldades financeiras.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
moody's

A crise financeira da Braskem (BRKM5) ganhou novos contornos na terça-feira (30), com o anúncio da agência de classificação de risco Moody’s, que rebaixou o rating da companhia de B2 para Caa3, mantendo a perspectiva negativa. A decisão ocorre um dia após os cortes promovidos por S&P e Fitch, configurando um cenário de deterioração grave da percepção de risco de crédito da maior petroquímica da América Latina.

Com o novo nível de classificação, a Braskem passa a ser considerada uma empresa altamente especulativa e sujeita a risco substancial de inadimplência, segundo os critérios da própria Moody’s.

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REUTERS/Andrew Kelly

Mercado reage com desconfiança

Às 12h37 da terça-feira, as ações da Braskem caíam 0,90%, negociadas a R$ 6,60. O papel acumula queda de 44,86% no ano, refletindo o crescente pessimismo do mercado em relação à capacidade da companhia de recuperar sua saúde financeira.

Por que a Moody’s rebaixou a Braskem?

Queima de caixa acelerada e fragilidade operacional

Segundo relatório divulgado pela Moody’s, o principal fator que motivou o rebaixamento foi o aumento do risco de transações consideradas “distressed”, ou seja, ações financeiras que denotam dificuldades sérias, como reestruturações forçadas ou inadimplência técnica.

Esse risco cresceu após a Braskem anunciar a contratação de consultores financeiros e jurídicos para “avaliar alternativas econômico-financeiras”, o que, no jargão do mercado, é visto como um movimento preliminar de reestruturação de dívida.

“A contínua queima de caixa e a fragilidade operacional da companhia ampliam substancialmente o risco de soluções financeiras não convencionais”, afirmou a Moody’s.

Alavancagem explodiu e fluxo de caixa é negativo

Dados preocupantes no acumulado de 12 meses

Nos 12 meses encerrados em junho de 2025, a alavancagem ajustada da Braskem, incluindo as operações no México, chegou a impressionantes 15,3 vezes o EBITDA.

Além disso, o fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 8,8 bilhões, resultado de:

  • Operações com margens comprimidas;
  • Custos elevados com provisões judiciais;
  • Desembolsos relacionados ao caso Alagoas, que ainda pesa sobre a imagem e os cofres da empresa.

Perspectiva para os próximos trimestres

Mesmo com iniciativas internas de reestruturação, a Moody’s projeta que, sem aumento significativo do EBITDA, a alavancagem deve permanecer entre 11x e 13,5x nos próximos 12 a 18 meses.

Spreads petroquímicos seguem pressionados

Margens reduzidas no setor

O cenário global da indústria petroquímica contribui para a crise. A queda nos spreads petroquímicos, ou seja, a diferença entre o custo das matérias-primas e o preço dos produtos finais, está corroendo a rentabilidade de empresas do setor.

No caso da Braskem, isso tem sido especialmente prejudicial devido à sua alta dependência de margens mais amplas para manter a sustentabilidade financeira, dado seu nível de endividamento.

Perspectiva negativa reforça risco de mais rebaixamentos

A manutenção da perspectiva negativa no novo relatório da Moody’s significa que novos cortes no rating não estão descartados. Isso pode ocorrer se:

  • A empresa não apresentar melhora nos indicadores operacionais;
  • A liquidez continuar deteriorando;
  • Houver eventos que indiquem reestruturação forçada da dívida.

Outras agências também rebaixaram a Braskem

Braskem (BRKM5)
Imagem: Divulgação

S&P e Fitch antecederam a Moody’s

Na segunda-feira (29), Standard & Poor’s (S&P) e Fitch Ratings já haviam sinalizado o agravamento do risco Braskem.

  • S&P rebaixou o rating para CCC, com perspectiva negativa, mencionando risco elevado de refinanciamento e pressão de liquidez;
  • Fitch rebaixou a nota de crédito para CCC+, destacando desafios operacionais persistentes e incertezas jurídicas e ambientais.

Caso Alagoas ainda pesa fortemente

Passivos judiciais bilionários

O caso Alagoas, envolvendo afundamentos de solo em Maceió supostamente causados por operações de extração de sal-gema pela Braskem, continua sendo uma bomba-relógio jurídica e financeira.

A empresa já provisionou bilhões em indenizações, além de enfrentar ações civis públicas e processos em múltiplas instâncias.

Esse passivo tem:

  • Reduzido a liquidez da empresa;
  • Aumentado o custo de captação;
  • Afastado investidores institucionais.

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Estratégias de curto prazo da Braskem

Avaliação de “alternativas financeiras”

A contratação de consultores financeiros indica que a Braskem está analisando possibilidades como:

  • Reestruturação voluntária de dívida;
  • Venda de ativos não estratégicos;
  • Novas emissões com garantia real;
  • Busca de parcerias ou capitalizações.

Contudo, o tom das agências de risco sugere que essas medidas, sem aumento real de EBITDA, podem ser insuficientes para afastar o risco de colapso financeiro.

Impactos para o investidor

Ações voláteis e risco elevado

Os papéis BRKM5 seguem sob intensa volatilidade, com movimentos especulativos predominando no curto prazo. A deterioração do rating torna o ativo ainda mais sensível a:

  • Rumores sobre negociações com credores;
  • Divulgação de resultados trimestrais;
  • Posicionamentos das agências de risco.

Renda fixa exposta

Investidores expostos a debêntures ou bonds da Braskem também enfrentam risco crescente de:

  • Reprecificação dos títulos;
  • Aumento de spreads de crédito;
  • Risco real de calote parcial ou total.

O que esperar dos próximos capítulos?

braskem
Imagem: Reprodução

Três variáveis-chave para a sobrevivência da empresa

  1. Recuperação operacional: aumento de margens, expansão de receitas e controle de custos.
  2. Gestão ativa da dívida: reestruturações amigáveis, alívio de amortizações e rolagem eficiente.
  3. Solução definitiva para o caso Alagoas: com valores previsíveis e controle de danos reputacionais.

Se a Braskem não conseguir avançar nessas frentes, o risco de default técnico ou intervenção judicial aumenta substancialmente.

REUTERS/Luisa González

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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