O BRB iniciou conversas com diversos players do mercado financeiro e imobiliário para vender ativos considerados não estratégicos, com o objetivo de recompor o caixa e reduzir riscos após a crise envolvendo o Banco Master. A medida ocorre em meio a investigações da Polícia Federal e ao impacto financeiro gerado pela aquisição de carteiras de crédito de baixa qualidade.
BRB negocia venda de ativos comprados do Master na Faria Lima
BRB negocia venda de imóveis e ativos para recompor caixa após crise com o Banco Master e investigações de fraudes.
Entre os ativos colocados no radar de venda está um terreno próximo à região da Cidade Jardim, em São Paulo, área nobre e de alto valor de mercado. A lista inclui ainda imóveis, restaurantes e outros bens, que podem atrair desde investidores do setor imobiliário até fundos especializados em ativos problemáticos.
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Estratégia de venda para reduzir riscos
Na prática, o BRB busca diminuir a exposição a riscos após ter comprado créditos considerados de baixa qualidade do Banco Master. Esses ativos, segundo apurações, não tinham garantias financeiras robustas, o que pressionou a estrutura de capital do banco regional.
Quem pode comprar os ativos
- Fundos especializados em ativos estressados: costumam adquirir carteiras com grande desconto para tentar recuperar parte do valor ao longo do tempo
- Bancos e gestoras de crédito: interessados nos trechos mais “limpos” das carteiras
- Investidores imobiliários: focados em imóveis específicos, com negociações separadas para ativos de maior valor, como terrenos em regiões nobres
Essa segmentação aumenta as chances de liquidação mais eficiente, maximizando a recuperação de recursos sem comprometer ainda mais o balanço.
A crise com o Banco Master
O relacionamento entre BRB e Banco Master entrou no centro das atenções após a liquidação extrajudicial do Master e a abertura de investigações por suspeitas de fraudes financeiras bilionárias. O banco de Daniel Vorcaro teria vendido ao BRB cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito de baixa qualidade, sem garantias adequadas.
Essas operações ocorreram a partir de 2024, durante a gestão anterior do BRB, presidida por Paulo Henrique Costa. Em março de 2025, o banco chegou a anunciar um acordo para comprar o Banco Master, em uma transação estimada em R$ 2 bilhões.
Operação vetada pelo Banco Central
A aquisição do Banco Master pelo BRB, no entanto, foi vetada pelo Banco Central do Brasil em setembro, após análise regulatória. A decisão ampliou o escrutínio sobre as operações entre as duas instituições e reforçou questionamentos sobre governança e gestão de riscos.
Pouco depois, Paulo Henrique Costa foi afastado do cargo e, posteriormente, demitido em definitivo. Em seu lugar, assumiu Nelson Antônio de Souza, atual dirigente do banco, que passou a conduzir uma agenda de ajuste e revisão de ativos.
Inquérito de fraudes financeiras se amplia
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A Polícia Federal abriu um novo inquérito especificamente para apurar indícios de gestão fraudulenta no BRB, além das suspeitas já levantadas no caso Banco Master. O foco agora inclui a forma como as carteiras foram adquiridas e a eventual omissão de riscos relevantes.
Segundo a investigação, Daniel Vorcaro, o ex-sócio do Master Maurício Quadrado e o fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, teriam comprado ações do BRB como pessoas físicas, utilizando múltiplos fundos e estruturas intermediárias. Essa engenharia teria dificultado a identificação dos reais compradores, levantando suspeitas de ocultação de participação relevante.
Impactos para o BRB e para o mercado
A venda de ativos sinaliza uma tentativa clara do BRB de estabilizar o balanço, reduzir exposição a créditos problemáticos e restaurar a confiança do mercado. Para investidores, o movimento indica uma estratégia defensiva, mas necessária, diante do aumento do risco reputacional e regulatório.
Para o mercado financeiro, o caso reforça a importância de governança, transparência e due diligence em operações de aquisição de crédito. Já no setor imobiliário, a eventual venda de ativos de alto padrão pode abrir oportunidades pontuais para investidores atentos a negociações individualizadas.
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Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com
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