Uma espécie de “Pix internacional”. É assim que vem sendo apresentado o Brics Pay, sistema de pagamentos digitais criado no âmbito do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de novos integrantes e países associados.
Novo sistema do BRICS facilita transações internacionais
Entenda como funciona o Brics Pay, o “Pix internacional” do bloco, e como usar a plataforma em viagens e negócios.
Inspirado no sucesso do Banco Central do Brasil com o Pix, o Brics Pay promete facilitar transações internacionais entre os países do grupo, tanto para turistas quanto para empresas. O aplicativo já pode ser encontrado na loja do Google e, segundo o Conselho Empresarial do bloco, está disponível para uso em viagens e operações comerciais.
Mas, na prática, o que muda para o brasileiro? É seguro? Vale a pena usar? A seguir, você entende como o sistema funciona e quais são os impactos para o comércio e para quem viaja ao exterior.
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O que é o Brics Pay
O Brics Pay é uma plataforma de pagamentos digitais descentralizada desenvolvida no âmbito do Conselho Empresarial do bloco. A proposta é criar uma infraestrutura financeira alternativa para conectar sistemas nacionais de pagamento e instituições financeiras dos países participantes.
O projeto tem como pilares:
- Interoperabilidade entre sistemas de pagamento;
- Soberania monetária;
- Inclusão financeira;
- Redução da dependência de moedas intermediárias, como o dólar.
Na prática, o sistema conecta bancos centrais e instituições financeiras, permitindo transações diretas entre moedas locais — como real, yuan, rúpia ou rand — sem a necessidade de conversão prévia para dólar.
Como funciona na prática
Tecnologia e processamento
O Brics Pay foi desenvolvido com base em tecnologia blockchain e, segundo os idealizadores, tem capacidade para processar até 20 mil transações por segundo. O objetivo é garantir:
- Liquidação rápida;
- Segurança criptográfica;
- Rastreabilidade das operações;
- Redução de custos operacionais.
A proposta é semelhante ao modelo do Pix brasileiro: pagamentos instantâneos, digitais e disponíveis 24 horas por dia. A diferença está na abrangência internacional e na integração entre diferentes sistemas financeiros soberanos.
Uso em viagens internacionais
Para o turista brasileiro que viaja, por exemplo, à China ou aos Emirados Árabes Unidos, a ideia é que seja possível pagar diretamente em moeda local usando meios integrados ao sistema, sem depender de casas de câmbio ou cartões internacionais tradicionais.
Segundo o Conselho do bloco, o sistema permite usar cartões e contas já existentes, conectados à plataforma. O pagamento ocorre de forma direta, dentro das normas regulatórias de cada país.
Na prática, isso pode significar:
- Menos taxas de conversão;
- Redução de spread cambial;
- Menor dependência de bandeiras internacionais;
- Pagamento sem uso de dinheiro físico.
Pagamentos entre empresas
O maior impacto, no entanto, está no comércio exterior. Empresas que exportam ou importam entre países do bloco poderão liquidar operações diretamente em moedas locais.
Hoje, muitas transações internacionais passam pelo dólar como moeda intermediária. Com o Brics Pay, a proposta é eliminar essa etapa, reduzindo:
- Custos cambiais;
- Riscos de volatilidade;
- Tempo de liquidação.
O papel do Novo Banco de Desenvolvimento
A coordenação das inovações financeiras do bloco está ligada ao Novo Banco de Desenvolvimento, sediado em Xangai.
Desde 2023, a instituição é presidida por Dilma Rousseff, indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e posteriormente reconduzida ao cargo.
O banco, criado para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países do grupo, também atua como articulador de soluções financeiras que fortaleçam a integração econômica do bloco.
Quais países participam
O bloco original é formado por:
- Brasil
- Rússia
- Índia
- China
- África do Sul
Nos últimos anos, houve ampliação com a entrada de novos membros como:
- Egito
- Emirados Árabes Unidos
- Etiópia
- Irã
- Indonésia
Além deles, existem países associados que participam de iniciativas específicas.
Quanto maior a adesão, maior o potencial de uso do Brics Pay, especialmente em cadeias comerciais estratégicas, como energia, alimentos, tecnologia e infraestrutura.
A influência do Pix brasileiro
Lançado em 2020 pelo Banco Central do Brasil, o Pix transformou o sistema de pagamentos no país. Em 2025, o sistema movimentou cerca de R$ 35,4 trilhões, consolidando-se como o principal meio de pagamento do Brasil.
A experiência brasileira serviu como referência para o desenho do Brics Pay, especialmente em aspectos como:
- Liquidação instantânea;
- Baixo custo;
- Inclusão digital;
- Ampla adesão por pessoas físicas e jurídicas.
A diferença central está na complexidade regulatória internacional, já que cada país possui regras próprias de câmbio, compliance e supervisão bancária.
Brics Pay substitui o dólar?
Não necessariamente. O sistema não elimina o uso do dólar no comércio global, mas cria uma alternativa para transações entre os países do bloco.
A proposta é ampliar o uso de moedas locais no comércio bilateral e multilateral. Isso pode reduzir a dependência do dólar em determinadas operações, mas não significa o fim da moeda norte-americana como referência global.
Para o Brasil, isso representa:
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- Maior autonomia em negociações comerciais;
- Redução de exposição cambial;
- Possível fortalecimento do real em acordos bilaterais.
É seguro usar o Brics Pay?
A segurança depende de três fatores principais:
- Infraestrutura tecnológica (blockchain e criptografia);
- Regulação local de cada país;
- Integração com instituições financeiras autorizadas.
Como o sistema envolve bancos centrais e instituições reguladas, a expectativa é de conformidade com normas internacionais de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo.
No entanto, como qualquer inovação financeira, o uso exige atenção do consumidor:
- Baixar o aplicativo apenas de fontes oficiais;
- Verificar integração com bancos autorizados;
- Confirmar taxas e regras antes de realizar pagamentos internacionais.
O que muda para o consumidor brasileiro
No curto prazo, o impacto direto pode ser mais relevante para quem viaja ou faz negócios com países do bloco.
Exemplos práticos:
- Um empresário brasileiro que exporta carne para a China pode fechar contratos com liquidação direta em real e yuan.
- Um turista no Egito pode pagar despesas locais sem precisar comprar dólar antes da viagem.
- Uma empresa de tecnologia que presta serviços à Índia pode receber em rúpia com conversão simplificada.
No médio e longo prazo, a consolidação do sistema pode ampliar a concorrência no mercado internacional de pagamentos, pressionando taxas para baixo.
Desafios e próximos passos
Apesar do potencial, o Brics Pay enfrenta desafios:
- Harmonização regulatória entre países;
- Integração tecnológica entre sistemas distintos;
- Confiança internacional;
- Adoção por bancos e empresas privadas.
Além disso, o sucesso dependerá da escala de uso. O Pix só se consolidou no Brasil após ampla adesão de bancos, fintechs, empresas e consumidores.
O Brics Pay seguirá caminho semelhante: quanto maior a aceitação, maior o impacto no comércio e nas finanças internacionais.
Conclusão
O Brics Pay surge como uma tentativa concreta de criar um sistema de pagamentos internacionais mais integrado entre os países do bloco, inspirado no modelo brasileiro de transferências instantâneas.
Para o consumidor brasileiro, o sistema pode representar economia em viagens e mais eficiência em transações internacionais. Para empresas, pode significar redução de custos e menor dependência de moedas intermediárias.
Ainda em fase de consolidação, o projeto reforça o movimento de transformação digital no sistema financeiro global — com o Brasil ocupando posição estratégica nessa mudança.
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