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Rússia quer driblar o dólar dentro do BRICS, mesmo sem acordo geral!

Rússia mantém planos para criar sistema de pagamento alternativo ao dólar dentro do BRICS, mesmo sem consenso entre todos os membros.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
rússia trump

A Rússia segue firme na intenção de estabelecer um sistema de pagamento alternativo ao dólar para as transações entre os países do BRICS, mesmo sem um consenso unânime entre os membros do grupo. A iniciativa, considerada estratégica para reduzir a dependência do dólar americano nas negociações internacionais, foi reforçada pelo ministro das finanças russo, Anton Siluanov, durante o recente encontro do bloco.

O contexto do sistema alternativo ao dólar no BRICS

bandeiras de países do BRICS. rússia
Imagem: Oleg Elkov / shutterstock.com

Leia mais: Brasil assume papel estratégico na definição das prioridades do brics

Por que o dólar ainda domina as transações internacionais?

O dólar americano mantém-se como moeda dominante nas transações globais há décadas, sustentado pela influência econômica dos Estados Unidos e pela confiança dos mercados. A maioria dos países utiliza o dólar para comércio internacional, reservas cambiais e investimentos, devido à sua estabilidade e ampla aceitação.

No entanto, essa hegemonia cria vulnerabilidades para economias que buscam independência financeira e para países que enfrentam sanções econômicas, como é o caso da Rússia desde o início do conflito com a Ucrânia.

BRICS e a busca pela autonomia econômica

O BRICS, como um bloco que representa economias emergentes e em desenvolvimento, tem discutido há anos formas de reduzir a dependência do dólar. A criação de um sistema próprio de pagamentos transfronteiriços faz parte dessas estratégias, visando a facilitar trocas comerciais e financeiras dentro do grupo sem passar pelo dólar.

No entanto, as diferentes prioridades e condições econômicas dos países membros dificultam o consenso total, o que impede o lançamento de um sistema único e unificado até o momento.

Declarações do ministro das finanças da Rússia

Anton Siluanov ressaltou que a ausência de unanimidade entre os membros não implica o abandono da proposta. Ele apontou que nem todas as decisões financeiras exigem consenso total. O ministro indicou que acordos parciais, envolvendo dois ou três países, podem viabilizar a implantação dos mecanismos alternativos de pagamento.

Dessa forma, o projeto pode evoluir de maneira gradual, incorporando novos participantes à medida que as primeiras iniciativas se mostram bem-sucedidas, sem depender da aprovação unânime do grupo.

O papel do NDB

O NDB, banco multilateral criado pelos países do BRICS para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento, poderá ter papel fundamental no suporte às novas plataformas financeiras. Entre os planos está a criação de uma estrutura de garantias multilaterais para ampliar o fluxo de investimentos privados, reduzindo riscos e aumentando a confiança nos negócios dentro do bloco.

Essa iniciativa visa mitigar riscos específicos, como os relacionados à logística, clima e construção, que atualmente representam barreiras para o avanço de investimentos na região.

Desafios e perspectivas

Falta de consenso entre os países membros

A diversidade econômica e política dos países do BRICS dificulta a construção de uma plataforma financeira que atenda aos interesses de todos. Enquanto China e Índia possuem sistemas financeiros robustos e distintas políticas cambiais, Brasil e África do Sul têm desafios econômicos e estruturais que influenciam suas decisões.

O resultado é um cenário em que cada país avalia o risco e o benefício do sistema de forma particular, o que dificulta o alinhamento completo.

Competição com sistemas já existentes

Além disso, sistemas internacionais consolidados, como o SWIFT e mecanismos de pagamentos em dólar, ainda dominam o mercado, o que gera uma forte competição para qualquer alternativa surgir com força e liquidez suficientes.

Por outro lado, os riscos de sanções e bloqueios financeiros têm estimulado países como a Rússia a buscar alternativas rápidas e eficazes.

Implicações geopolíticas da iniciativa russa

Rússia
Imagem: fabrikasimf/ Freepik

Redução da influência do dólar

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O avanço do sistema alternativo no BRICS pode significar um enfraquecimento gradual da hegemonia do dólar, alterando a dinâmica econômica mundial e diminuindo o poder dos Estados Unidos sobre países emergentes.

Fortalecimento do bloco BRICS

Ao estimular a integração financeira, o bloco pode aumentar sua relevância no cenário internacional, criando novas parcerias comerciais e financeiras independentes de influências externas.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é o sistema de pagamento alternativo ao dólar proposto pelo BRICS?

Trata-se de uma plataforma ou conjunto de mecanismos financeiros que permitiriam transações internacionais entre os países do BRICS sem utilizar o dólar americano como moeda intermediária, buscando reduzir custos e riscos associados ao dólar.

Todos os países do BRICS apoiam essa iniciativa?

Não. Há divergências internas e falta de consenso total, mas alguns países têm mostrado interesse em seguir com sistemas bilaterais ou trilaterais enquanto não há um acordo geral.

Como o sistema pode funcionar sem consenso geral?

Mecanismos podem ser implementados entre grupos menores dentro do BRICS, possibilitando que países interessados criem sistemas próprios que possam depois ser expandidos.

Considerações finais

A agenda dos ministros de finanças e diretores de bancos centrais do BRICS continuará discutindo os temas relacionados a interoperabilidade dos sistemas de pagamentos. Ainda sem acordos definitivos, a expectativa é que iniciativas bilaterais ou trilaterais avancem e que novas propostas sejam avaliadas até o fim de 2025.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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