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BTG anuncia prospecção da Selic a 14,25 até o fim de 2026

O cenário econômico brasileiro ficou mais complexo após a atualização das projeções do BTG Pactual para os próximos anos. O banco revisou para cima suas estimativas de inflação e dívida pública, ao mesmo tempo em que reduziu a expectativa de crescimento da economia para 2027. As mudanças refletem um ambiente marcado por pressões inflacionárias persistentes, […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
Selic

O cenário econômico brasileiro ficou mais complexo após a atualização das projeções do BTG Pactual para os próximos anos. O banco revisou para cima suas estimativas de inflação e dívida pública, ao mesmo tempo em que reduziu a expectativa de crescimento da economia para 2027. As mudanças refletem um ambiente marcado por pressões inflacionárias persistentes, desafios fiscais e incertezas no cenário internacional.

A nova avaliação chama a atenção porque reúne alguns dos principais fatores que influenciam o dia a dia dos brasileiros: juros, preços dos alimentos, custo do crédito, crescimento econômico e capacidade do governo de administrar as contas públicas.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A principal revisão realizada pelo BTG ocorreu nas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o banco, a inflação deverá encerrar 2026 em 5,3%, acima da estimativa anterior de 4,9%.

Para 2027, a projeção também foi elevada, passando de 4,2% para 4,5%.

O que está pressionando os preços?

De acordo com o relatório, um dos principais fatores por trás da revisão é a alta recente do petróleo no mercado internacional.

Quando o petróleo sobe, os impactos se espalham por diversos setores da economia:

  • Aumento dos custos de transporte;
  • Pressão sobre o preço do diesel;
  • Elevação dos custos logísticos;
  • Enc encarecimento de produtos industrializados;
  • Reajustes indiretos nos preços dos alimentos.

Na prática, um caminhão mais caro para transportar mercadorias significa produtos mais caros nas prateleiras dos supermercados.

Além disso, o banco destaca que a inflação de serviços continua resistente, dificultando o retorno dos índices para patamares mais próximos da meta estabelecida pelo Banco Central.

Expectativas seguem preocupando o mercado

Outro ponto destacado é a chamada “desancoragem das expectativas”.

Esse fenômeno ocorre quando empresas, investidores e consumidores passam a acreditar que a inflação permanecerá elevada por mais tempo. Como consequência, salários, contratos e preços passam a incorporar essa expectativa, tornando o combate à inflação mais difícil.

Segundo o BTG, os riscos continuam concentrados na possibilidade de novas pressões inflacionárias tanto em 2026 quanto em 2027.

Selic pode ter apenas mais um corte

Mesmo diante da piora do cenário inflacionário, o banco manteve a expectativa de um último corte na taxa básica de juros durante a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

A previsão é de redução de 0,25 ponto percentual.

Caso isso ocorra, a taxa Selic passará para 14,25% ao ano.

Juros devem permanecer elevados por mais tempo

Após esse possível ajuste, o BTG acredita que o Banco Central deverá interromper o ciclo de cortes e manter os juros estáveis até o final de 2026.

A justificativa é simples: reduzir os juros em um ambiente de inflação persistente pode aumentar ainda mais a percepção de risco e dificultar o controle dos preços.

Para famílias e empresas, isso significa que o crédito pode continuar caro por um período mais longo, afetando financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais e investimentos produtivos.

Dívida pública continua avançando

Além da inflação, a situação fiscal também preocupa.

O BTG revisou para cima sua estimativa para a dívida bruta do governo geral.

Agora, o banco projeta:

  • Dívida equivalente a 80,9% do PIB em 2026;
  • Dívida equivalente a 85% do PIB em 2027.

A revisão ocorre em meio ao aumento dos gastos parafiscais anunciados desde 2025.

O impacto dos estímulos fiscais

Segundo os cálculos da instituição, os programas e medidas adotados recentemente devem injetar aproximadamente R$ 142 bilhões na economia apenas em 2026.

Considerando todas as iniciativas anunciadas desde meados de 2025, o valor acumulado chega perto de R$ 275 bilhões.

Embora esses recursos possam estimular o consumo e sustentar a atividade econômica no curto prazo, eles também ampliam as preocupações com o equilíbrio das contas públicas.

Déficit nominal segue elevado

O banco também elevou sua preocupação com o resultado fiscal brasileiro.

A projeção indica déficit nominal equivalente a:

  • 8,9% do PIB em 2026;
  • 8,4% do PIB em 2027.

O déficit nominal inclui tanto as despesas do governo quanto os gastos com juros da dívida pública.

Com juros elevados e dívida crescente, a tendência é que o custo de financiamento do setor público continue pressionando as contas nacionais.

PIB deve crescer mais em 2026

Nem todas as revisões foram negativas.

O BTG elevou ligeiramente sua estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2026.

A projeção do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,9% para 2%.

O que explica a melhora?

A revisão foi motivada principalmente por:

  • Resultado mais forte do primeiro trimestre;
  • Mercado de trabalho resiliente;
  • Consumo ainda aquecido;
  • Indicadores preliminares acima do esperado.

Mesmo com juros altos, a atividade econômica brasileira tem demonstrado capacidade de resistência superior à esperada por parte dos analistas.

Crescimento deve perder força em 2027

O cenário muda quando o foco se volta para 2027.

Nesse caso, o banco reduziu a projeção de crescimento do PIB de 1,6% para apenas 1,1%.

A expectativa reflete dois fatores principais:

Juros elevados por mais tempo

Com a inflação persistente, o Banco Central teria menos espaço para reduzir a Selic.

Menor impulso fiscal

O efeito dos estímulos econômicos tende a diminuir ao longo do tempo, reduzindo a força de sustentação da atividade econômica.

Como resultado, a economia pode entrar em um período de expansão mais moderada.

Petróleo e Oriente Médio seguem no radar

O cenário internacional continua sendo uma importante fonte de preocupação para economistas e investidores.

O BTG destaca que os conflitos no Oriente Médio permanecem entre os principais riscos globais.

Especial atenção é dada ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo mundial.

Qualquer restrição significativa na região pode provocar novos aumentos nos preços da energia e elevar os custos de transporte em escala global.

Alta do petróleo também traz benefícios ao Brasil

Apesar dos efeitos negativos sobre a inflação, o aumento dos preços do petróleo possui um lado positivo para a economia brasileira.

Como o Brasil é um importante exportador de commodities, preços mais elevados podem ampliar a entrada de dólares no país.

Superávit comercial robusto

O BTG manteve sua previsão de superávit comercial de US$ 90 bilhões tanto para 2026 quanto para 2027.

A combinação entre exportações fortes, preços favoráveis das commodities e fluxo comercial consistente ajuda a sustentar o setor externo brasileiro.

Câmbio permanece relativamente estável

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Mesmo diante das incertezas, o banco manteve sua projeção para o dólar em R$ 4,90 ao final de 2026.

A expectativa está baseada em três fatores principais:

  • Forte geração de divisas pelas exportações;
  • Termos de troca favoráveis;
  • Diferencial de juros ainda elevado em relação a outras economias.

Para investidores, empresários e consumidores, esse cenário indica que a volatilidade cambial continuará sendo um ponto de atenção, mas sem sinalizar uma deterioração abrupta no curto prazo.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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