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CadÚnico: Estudo Revela que 48,9% dos Jovens Saem do Cadastro

Um novo levantamento divulgado nesta semana chamou atenção de quem acompanha os programas sociais no Brasil: quase metade dos jovens que estavam no Cadastro Único (CadÚnico) em 2012 já não fazem mais parte do registro atualmente. O estudo, feito pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), acompanhou por 12 anos a trajetória de cerca de […]

Avatar de Eduardo Mendes Eduardo Mendes · · 4 min de leitura
CadUnico

Um novo levantamento divulgado nesta semana chamou atenção de quem acompanha os programas sociais no Brasil: quase metade dos jovens que estavam no Cadastro Único (CadÚnico) em 2012 já não fazem mais parte do registro atualmente. O estudo, feito pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), acompanhou por 12 anos a trajetória de cerca de 15,5 milhões de beneficiários do Bolsa Família que na época tinham entre 7 e 16 anos.

A pesquisa, batizada de “Determinantes da Saída do Cadastro Único”, buscou entender o que diferencia quem consegue deixar a rede de proteção social de quem permanece dependente dela ao longo dos anos. O ano de 2012 foi escolhido porque foi o primeiro momento em que o governo passou a reunir microdados detalhados do CadÚnico de forma sistemática, o que permitiu um acompanhamento mais preciso dessas famílias.

Três caminhos diferentes após 12 anos

Segundo o levantamento, o grupo analisado se dividiu em três trajetórias distintas depois de mais de uma década. Cerca de 7,6 milhões de jovens, o equivalente a 48,9% do total, saíram completamente do Cadastro Único. Outros 2,7 milhões, ou 17,6%, deixaram de receber o Bolsa Família, mas continuaram registrados no CadÚnico, o que indica uma melhora parcial na renda familiar. Já 5,2 milhões, cerca de 33,5%, permaneceram tanto no programa quanto no cadastro, sinalizando que a vulnerabilidade social persistiu para esse grupo ao longo dos anos.

Educação e emprego pesaram na saída do cadastro

De acordo com os pesquisadores, os jovens que conseguiram sair do CadÚnico geralmente já tinham condições de vida um pouco melhores em 2012. Entre os fatores associados a essa saída estão a alfabetização na idade certa, a entrada mais cedo no mercado de trabalho formal, famílias com maior nível de escolaridade e renda familiar per capita acima de R$ 140. O estudo também apontou que ter um responsável familiar com ensino médio completo ou superior aumentou consideravelmente as chances de o jovem deixar o cadastro com o passar do tempo.

Quem tem mais chances de continuar no programa

Por outro lado, o levantamento mostrou que jovens de famílias com histórico mais longo de dependência do Bolsa Família e em situação de maior vulnerabilidade tiveram mais dificuldade para sair da rede de proteção. Em 2012, o grupo estudado era formado majoritariamente por jovens pretos e pardos, que representavam 73,4% do total. Apesar de 96% frequentarem a escola na época, 27,4% já apresentavam defasagem entre idade e série. As condições de moradia também eram um desafio: 14,3% viviam em casas construídas com materiais considerados frágeis e apenas 40,4% tinham acesso à rede coletora de esgoto.

O que isso significa para quem está no CadÚnico hoje

Esses números reforçam algo que muitas famílias já sentem no dia a dia: manter o cadastro atualizado e buscar oportunidades de qualificação e emprego formal são fatores que aumentam as chances de melhorar de vida e, eventualmente, deixar de depender dos programas sociais. Ainda assim, é importante lembrar que sair do CadÚnico não deve ser visto como punição, mas como consequência natural de uma melhora na condição financeira da família. Por isso, quem está no cadastro deve ficar atento aos prazos de atualização cadastral, já que informações desatualizadas podem gerar tanto a perda indevida de benefícios quanto o pagamento a quem não tem mais direito a recebê-los.

Leia também: Cadastro Único e Bolsa Família.

Para quem quer verificar a própria situação, o processo é simples: basta procurar o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do município ou acessar o aplicativo Meu CadÚnico, disponível gratuitamente para celular. Por lá, é possível conferir dados pessoais, renda informada e a validade do cadastro, além de agendar uma atualização quando necessário. Especialistas recomendam revisar essas informações pelo menos uma vez por ano, especialmente após mudanças como nascimento de filhos, alteração de emprego ou mudança de endereço, evitando assim surpresas desagradáveis na hora de receber benefícios sociais.

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