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‘Cafake’ já está circulando no mercado brasileiro

O "cafake" viralizou nas redes sociais, gerando discussões sobre a proliferação de produtos similares no mercado brasileiro.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
‘Cafake’ já está circulando no mercado brasileiro

Nos últimos dias, um novo produto tem ganhado notoriedade nas redes sociais: o “cafake”. Com embalagens que imitam as do café tradicional, esse produto, na verdade, não é café. Trata-se de um pó para preparo de bebida à base de café, misturado com impurezas que, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), não possuem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O produto, que tem sido comercializado por valores significativamente mais baixos do que o café convencional, é um exemplo claro de uma tendência que se espalha no mercado brasileiro, especialmente durante períodos de alta inflação. Neste artigo, exploraremos o impacto dessa proliferação de produtos semelhantes e suas implicações para a saúde e o consumo.

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O Crescimento dos Produtos Similares

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Imagem: Art_Photo / Shutterstock.com

O Contexto Econômico e a Busca por Alternativas

O aumento dos preços de alimentos básicos, como o café, tem levado muitas famílias brasileiras a buscar alternativas mais baratas. A inflação de 2024 fez com que itens como o café, um dos produtos mais consumidos nos lares brasileiros, sofressem uma alta de 39,6%, enquanto o índice geral de inflação foi de 4,83%. Esse cenário tem impulsionado o crescimento de produtos similares, como o “cafake”.

A principal motivação para a existência desses produtos é econômica: o aumento do custo dos produtos tradicionais leva os consumidores a optar por versões mais baratas, muitas vezes de qualidade inferior.

Luciana Medeiros, sócia e líder do setor de varejo da PwC, destaca que, com a pressão econômica, muitas famílias de baixa renda acabam trocando produtos de maior qualidade por versões mais acessíveis. “Quando o orçamento apertado não permite a compra do suco de maior qualidade, por exemplo, as famílias optam por alternativas mais baratas, como o suco em pó”, explica.

Produtos que “Parecem, Mas Não São”

O “cafake” é apenas um exemplo de uma tendência que se fortalece com o aumento da inflação: a proliferação de produtos que imitam alimentos tradicionais, mas que não são exatamente o que aparentam. De acordo com a Abic, o “cafake” é uma mistura de café com impurezas como casca, pau, pedra e palha, que não são apropriadas para consumo humano. Essa prática não é nova e pode ser observada em outros segmentos do mercado, como o leite, os queijos e até carnes processadas.

Ana Paula Bortoletto Martins, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, explica que essa prática surge devido a um aumento nos custos de produção. “Quando a matéria-prima mais cara é substituída por algo mais barato, o produto final perde em qualidade”, afirma. Esse processo, muitas vezes, é realizado sem que o consumidor tenha ciência do que está realmente comprando.

O Caso da Linguiça “Tipo Calabresa”

Outro exemplo recorrente de produtos similares são as linguiças “tipo calabresa”. Essas linguiças, que aparentam ser feitas de carne suína, frequentemente contêm proteína vegetal e ossos de animais, o que gera confusão no consumidor. A rotulagem, muitas vezes, omite essas informações, induzindo o consumidor a acreditar que está comprando o produto tradicional. Esse tipo de engano, como no caso do “cafake”, é um dos principais problemas quando se trata de produtos similares.

A Legislação e a Regulamentação

A Falta de Regulação do “Cafake”

A Abic alertou que o “cafake” não tem registro na Anvisa e, portanto, não está aprovado para comercialização. Isso é um problema, pois a Anvisa exige que novos alimentos e ingredientes sejam autorizados previamente, garantindo que sejam seguros para o consumo. O produto que circula nas redes sociais está apresentando resoluções revogadas pela Anvisa, o que coloca em risco a saúde dos consumidores. Em relação a outros produtos similares, como o óleo composto ou o creme culinário, a legislação permite sua comercialização, desde que fique claro para o consumidor que se trata de uma versão mais barata e não do produto tradicional.

O Impacto da Rotulagem Enganosa

A rotulagem inadequada ou enganosa é uma questão importante quando se trata de produtos similares. Mariana Ribeiro, nutricionista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), aponta que muitos consumidores não percebem a diferença entre o produto que compraram e o produto original até consumi-lo. Ela alerta que, na correria do dia a dia, muitos consumidores compram produtos com embalagens semelhantes e só se dão conta do engano quando chegam em casa e leem o rótulo. Isso é especialmente preocupante quando se trata de alimentos que têm um apelo de saudabilidade ou que são consumidos por pessoas com restrições alimentares.

Os Riscos à Saúde

Ultraprocessados e Seus Efeitos

Os produtos similares, especialmente os ultraprocessados, podem representar um risco à saúde. Esses alimentos, que passam por uma série de etapas industriais até chegarem à prateleira do supermercado, geralmente contêm altos níveis de açúcares, sal e gorduras, o que pode levar ao aumento do risco de obesidade, doenças cardiovasculares e síndrome metabólica. Produtos como refrigerantes, sorvetes, pizza e massas congeladas estão frequentemente presentes nesse grupo.

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A nutricionista Mariana Ribeiro explica que, para identificar ultraprocessados, é importante verificar três ingredientes no rótulo: corantes, aromatizantes e edulcorantes. Se o açúcar aparecer no topo da lista de ingredientes, isso indica que o produto contém uma quantidade significativa de açúcar. A recomendação do Idec é que esses produtos sejam evitados, especialmente por crianças menores de dois anos.

O “Cafake” e Seus Riscos

O “cafake”, apesar de não ser um ultraprocessado, também pode representar um risco, já que o consumo de impurezas como cascas e pedras não é seguro para a saúde humana. Mesmo que o produto não apresente efeitos imediatos, o risco de contaminação e a baixa qualidade do produto são motivos suficientes para que os consumidores optem por produtos que sejam regulados e tenham a qualidade garantida pelas autoridades sanitárias.

O Papel da Educação no Consumo

Cafake
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A Proposta de Trocar Produtos Caros por Similares

A recente declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a troca de produtos caros por similares gerou polêmica. O presidente sugeriu que os consumidores adotassem essa prática como uma forma de reduzir os preços no mercado. Porém, essa estratégia pode não ser a melhor solução, especialmente quando os produtos similares não são regulamentados e podem representar riscos à saúde. A educação sobre a leitura de rótulos e a compreensão do que está sendo consumido é fundamental para que o consumidor tome decisões informadas.

Luciana Medeiros, da PwC, aponta que a consciência sobre o que estamos comprando pode ajudar a evitar problemas. “O consumidor precisa entender o que está comprando e os impactos que isso pode ter em sua saúde e bem-estar”, diz.

Conclusão

O “cafake” é apenas um dos muitos exemplos de produtos similares que estão invadindo o mercado brasileiro. A proliferação desses produtos, embora seja uma resposta ao aumento dos preços, traz desafios para a regulamentação e para a saúde pública. A falta de controle sobre esses itens e a rotulagem inadequada podem induzir os consumidores a fazer escolhas erradas, colocando sua saúde em risco. Em tempos de crise econômica, a educação sobre consumo consciente e a leitura atenta dos rótulos são ferramentas essenciais para garantir que os consumidores façam escolhas informadas e seguras.

A situação exige uma reflexão mais profunda sobre a qualidade dos produtos consumidos e a necessidade de um maior controle por parte das autoridades sanitárias.

Imagem: NoemiEscribano/Shutterstock

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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