Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Café falsificado com toxina é alvo de proibição da Anvisa; veja os nomes

Evite riscos à saúde! Veja as marcas de café proibidas pela Anvisa e saiba como identificar produtos contaminados.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro4 min de leitura
Café tarifaço

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição da fabricação, comercialização e propaganda de três marcas de café após encontrar uma substância altamente tóxica nos produtos.

A medida foi motivada pela presença da ocratoxina A, uma micotoxina com potencial para causar danos ao fígado, rins e até câncer. As marcas que tiveram seus produtos banidos pela Anvisa são: Melissa, Pingo Preto e Oficial.

Essas marcas comercializavam o que a Anvisa denominou como “pó para preparo de bebida sabor café”, mas que na prática não continham café verdadeiro em sua composição. As investigações mostraram que os produtos eram feitos a partir de grãos crus, resíduos agrícolas e materiais estranhos.

Leia mais:

Botox falso é retirado do mercado; Anvisa faz alerta urgente

Histórico de irregularidades

Café
Imagem: 8photo / Freepik

Em março, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) já havia desclassificado esses produtos como café, alegando fraude na composição e presença de impurezas em níveis superiores aos permitidos pela legislação brasileira.

Os rótulos também eram enganosos, informando a presença de “polpa de café” e “café torrado e moído” — o que foi desmentido pelas análises laboratoriais.

O que é a ocratoxina A e por que é perigosa?

Origem e formação da toxina

A ocratoxina A é uma micotoxina produzida por fungos dos gêneros Aspergillus e Penicillium. Ela é encontrada principalmente em alimentos mal armazenados, como grãos de café, cereais, frutas secas e vinho.

A toxina se forma especialmente em ambientes quentes e úmidos, comuns durante o armazenamento ou secagem inadequada dos grãos.

Efeitos no organismo humano

A exposição contínua à ocratoxina A pode causar:

  • Danos aos rins, com risco de doença renal crônica;
  • Alterações hepáticas, como acúmulo de gordura e cirrose;
  • Possível atividade cancerígena, com risco de câncer de rim;
  • Danos imunológicos e neurológicos em longo prazo.

A substância é considerada imprópria para o consumo humano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Sintomas da intoxicação

Embora a ingestão isolada de pequenas quantidades possa não causar sintomas imediatos, o consumo prolongado de produtos contaminados pode provocar:

  • Fadiga persistente;
  • Dor abdominal e nas costas (região renal);
  • Urina escura ou com espuma;
  • Náusea, vômito e perda de apetite.

Como foi feita a identificação?

A proibição se deu após inspeções realizadas em estabelecimentos produtores e distribuidores. As amostras foram analisadas em laboratórios credenciados e revelaram a presença da toxina.

Segundo o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), Hugo Caruso, o conteúdo dos pacotes não continha café, mas sim “lixo da lavoura” — uma mistura de cascas, folhas, impurezas e grãos impróprios.

O que fazer se você comprou um dos cafés proibidos?

A Anvisa determinou o recolhimento de todos os lotes das três marcas. Os consumidores que adquiriram os produtos devem:

  • Não consumir o produto;
  • Descarte imediatamente;
  • Registrar reclamação na vigilância sanitária local, se tiver sintomas;
  • Guardar nota fiscal ou embalagem para eventual reembolso ou investigação.

Como identificar um “café fake”?

A seguir, veja algumas dicas práticas para reconhecer possíveis fraudes:

Rótulo suspeito

  • Textos vagos como “sabor café”;
  • Termos genéricos e ausência de “100% café”;
  • Falta de registro no Ministério da Agricultura.

Aparência do pó

  • Cor excessivamente escura ou acinzentada;
  • Presença de fragmentos estranhos ou grânulos;
  • Textura arenosa ou diferente do habitual.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Sabor e aroma

  • Gosto amargo e estranho;
  • Falta de aroma característico;
  • Resíduo queimado após preparo.

Quais são as implicações legais?

A comercialização de produtos falsificados é considerada crime contra o consumidor e contra a saúde pública. Empresas que descumprem as normas sanitárias estão sujeitas a:

  • Multas administrativas;
  • Suspensão do alvará de funcionamento;
  • Processos criminais por falsificação e risco à saúde;
  • Responsabilidade civil por danos causados.

Posicionamento das marcas

Até o momento da publicação deste artigo, nenhuma das marcas mencionadas se pronunciou oficialmente sobre a proibição ou sobre o recolhimento de seus produtos.

Como se proteger de fraudes alimentares?

Anvisa
Imagem: Freepik e Canva

Dicas do consumidor consciente

  1. Compre apenas em estabelecimentos confiáveis;
  2. Verifique o selo do MAPA na embalagem;
  3. Desconfie de preços muito baixos;
  4. Leia o rótulo com atenção;
  5. Denuncie irregularidades aos órgãos competentes.

Canais para denúncia

  • Vigilância Sanitária Municipal;
  • Disque Saúde 136;
  • Ouvidoria do MAPA.

Conclusão: cuidado redobrado com o que você consome

O caso dos “cafés falsificados” mostra como a negligência na fiscalização e a busca por lucro fácil podem colocar a saúde da população em risco.

A ação rápida da Anvisa é uma medida crucial, mas é igualmente importante que o consumidor fique atento aos sinais de fraude e exija qualidade e transparência naquilo que consome.

Imagem: Mark Daynes / Unsplash

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

Topicos relacionados