Uma nova onda de desinformação digital tem ganhado força nas redes sociais desde o dia 12 de julho de 2025, promovendo uma suposta indenização oferecida pela Caixa Econômica Federal a clientes que teriam sido lesados por “taxas ilegais”.
Anúncios fraudulentos com Bonner, Haddad e Alckmin espalham falsa indenização da Caixa
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Utilizando vídeos manipulados de figuras públicas como Fernando Haddad, Geraldo Alckmin e William Bonner, os golpistas tentam convencer o público a acessar links fraudulentos e fornecer dados pessoais.
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Golpe: como funciona a falsa indenização da Caixa

Os conteúdos que circulam prometem valores expressivos de retorno — como R$ 3.200, R$ 5.700 e até R$ 10.000 — a pessoas que supostamente tiveram empréstimos, cartões de crédito, financiamentos ou contas ativas na Caixa Econômica.
Para dar legitimidade à mensagem, os golpistas utilizaram inteligência artificial e edição digital para simular falas dos políticos e do jornalista.
“Tem muita gente que fez a consulta para receber a indenização da Caixa Federal, mas não sacou porque não entendeu direito como funciona”, diz um dos vídeos, como se fosse uma fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Vídeos manipulados: origens verdadeiras, intenções falsas
Fernando Haddad
A gravação original utilizada para fabricar o vídeo falso de Haddad foi publicada em fevereiro de 2024, em sua conta no Instagram. No conteúdo verdadeiro, o ministro comentava sobre ações do governo federal no combate à dengue, sem qualquer menção a indenizações bancárias.
Geraldo Alckmin
O vídeo atribuído ao vice-presidente Geraldo Alckmin também é uma montagem. Sua origem está em uma publicação de janeiro de 2025, na qual ele desmentia rumores sobre uma suposta taxação do PIX. Nenhuma menção foi feita à Caixa ou a indenizações.
William Bonner
Já o vídeo de William Bonner, âncora do Jornal Nacional, foi retirado de uma publicação feita no TikTok em novembro de 2022, por um fã do jornalista. Bonner aparecia comentando o relatório do Partido Liberal (PL) sobre as eleições presidenciais de 2022.
Caixa Econômica desmente boatos
Em nota enviada à imprensa, a Caixa Econômica Federal negou categoricamente a existência de qualquer programa de indenização massiva a clientes por cobranças indevidas.
“A CAIXA não realiza por meio de terceiros a distribuição de links compartilhados em mídias sociais ou aplicativos de mensagens. Recomendamos que a população não acesse, compartilhe ou forneça dados pessoais em links suspeitos”, afirmou a assessoria do banco.
Além disso, a instituição ressaltou que toda e qualquer comunicação oficial é feita exclusivamente pelos canais oficiais da Caixa, como o site caixa.gov.br e perfis verificados nas redes sociais.
Detalhes que denunciam a fraude
Links falsos e domínios não oficiais
Um dos principais indícios de que os anúncios são fraudulentos está nos endereços eletrônicos divulgados. Ao contrário do site oficial da Caixa, que termina em “.gov.br”, os golpistas utilizam domínios como “.com.br” ou até mesmo extensões menos confiáveis, como “.info” ou “.xyz”.
Ausência de cobertura jornalística legítima
Nenhum veículo de imprensa confiável noticiou a existência de indenizações generalizadas por parte da Caixa. A única ocorrência verificada envolvendo uma decisão judicial foi registrada em 11 de julho de 2025, quando a 2ª Vara Federal de Dourados, no Mato Grosso do Sul, condenou o banco a pagar indenizações a uma única cliente, por problemas no prazo de entrega de um imóvel.
Uso de engenharia social
Os vídeos falsos usam linguagem emocional, promessas de valores elevados e urgência (“já tem gente recebendo”) para forçar decisões rápidas, uma tática típica de golpes digitais.
Como identificar golpes com vídeos falsos
1. Verifique a fonte
Desconfie de conteúdos que não vêm de páginas oficiais, especialmente quando se trata de benefícios financeiros. Sites oficiais do governo sempre usam o domínio “.gov.br”.
2. Preste atenção à qualidade do vídeo
Muitas vezes, os vídeos manipulados apresentam distorções visuais, erros de sincronização labial ou cortes abruptos. Essas são pistas de que a gravação pode ter sido adulterada.
3. Faça buscas reversas
Ferramentas como o Google Lens permitem verificar se um vídeo ou imagem já foi publicado anteriormente em outro contexto.
4. Consulte canais oficiais
Em caso de dúvida, ligue diretamente para os canais da Caixa:
- Capitais e regiões metropolitanas: 4004 0104;
- Demais localidades: 0800 104 0104.
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Por que essas fraudes são perigosas?
Roubo de dados pessoais e bancários
Ao clicar nos links falsos, os usuários são levados a páginas que solicitam informações pessoais como CPF, número de conta, senhas e dados de cartão. Essas informações são utilizadas para aplicar fraudes bancárias, solicitar empréstimos em nome da vítima ou realizar compras indevidas.
Riscos à imagem de figuras públicas
O uso da imagem de personalidades como Haddad, Alckmin e Bonner em vídeos falsos prejudica não apenas a credibilidade dessas pessoas, mas também contribui para a erosão da confiança pública nas instituições e na mídia tradicional.
Disseminação de desinformação
Ao compartilhar conteúdos desse tipo, mesmo sem intenção maliciosa, os usuários contribuem para o espalhamento da desinformação, o que pode gerar pânico, desconfiança e perda financeira em massa.
Papel das plataformas e do governo
O combate a esse tipo de fraude exige atuação conjunta entre plataformas digitais, órgãos de fiscalização e o próprio governo. É fundamental que redes sociais atuem com mais rapidez na remoção de conteúdos enganosos, e que o poder público fortaleça campanhas de alfabetização digital e conscientização.
Iniciativas em andamento
- Lei das Fake News: O Congresso discute atualmente o Projeto de Lei das Fake News, que visa responsabilizar plataformas por conteúdos falsos e exigir maior transparência na veiculação de anúncios.
- Educação midiática: O Ministério da Educação tem estimulado ações nas escolas para capacitar jovens a identificar informações falsas.
Como denunciar

Se você recebeu ou identificou esse tipo de conteúdo, denuncie por meio dos canais abaixo:
- Plataformas digitais: Use as opções de denúncia nas próprias redes sociais.
- SaferNet: www.safernet.org.br
- Ouvidoria da Caixa: www.caixa.gov.br ou pelo telefone 0800 725 7474
Considerações finais
A falsa indenização da Caixa é mais um exemplo de como a desinformação pode se aproveitar da confiança do público em figuras públicas e instituições para aplicar golpes.
A orientação é clara: não compartilhe, não clique e denuncie sempre que possível. A atenção a detalhes como a fonte da informação, a veracidade do conteúdo e os domínios dos sites pode fazer toda a diferença para evitar cair em armadilhas digitais.
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital
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