A Caixa Econômica Federal anunciou na segunda-feira (13) um novo pacote de medidas que promete transformar o cenário do crédito imobiliário no Brasil. O objetivo é claro: ampliar o acesso da classe média ao financiamento de imóveis com condições mais acessíveis, facilitar o uso do FGTS e estimular o setor da construção civil, que responde por parcela relevante do PIB nacional.
Classe média em festa: novas regras da Caixa liberam crédito para imóveis mais caros – descubra como!
Caixa aumenta limite para financiamento e libera uso do FGTS em imóveis de até R$ 2,25 milhões.
As novas regras atualizam limites, reduzem a necessidade de entrada e ampliam a participação de recursos da poupança. Estima-se que essas mudanças possam movimentar mais de R$ 111 bilhões no mercado imobiliário já no primeiro ano.
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Novo teto de R$ 2,25 milhões amplia alcance do SFH
Uma das principais mudanças anunciadas foi o aumento do valor máximo dos imóveis que podem ser financiados dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). O teto subiu de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, tornando imóveis de padrão mais elevado elegíveis a taxas de juros reguladas — até 12% ao ano — e ao uso do FGTS.
Esse aumento beneficia diretamente a classe média com renda acima de R$ 12 mil mensais, que muitas vezes não se enquadrava nas faixas do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e era obrigada a recorrer ao crédito imobiliário com juros de mercado, geralmente superiores a 13% ao ano.
Cota de financiamento volta a ser de 80%
Outra mudança significativa é o retorno da cota máxima de financiamento de 80% do valor do imóvel. Anteriormente, esse percentual era limitado a 70%, o que obrigava os compradores a dar uma entrada de 30% — um obstáculo relevante para famílias com boa renda, mas com pouca poupança inicial.
Exemplo prático:
- Imóvel de R$ 500 mil
- Regra antiga (70%): entrada de R$ 150 mil
- Nova regra (80%): entrada de R$ 100 mil
Essa alteração, na prática, reduz o valor necessário de entrada em R$ 50 mil e aumenta o número de pessoas aptas a realizar o sonho da casa própria.
Uso do FGTS para imóveis mais caros
A nova regra também permite que o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) seja usado para financiar imóveis com valor de até R$ 2,25 milhões — o novo teto do SFH.
Como o FGTS pode ser utilizado:
- Entrada no financiamento: reduzindo o valor a ser financiado
- Amortização do saldo devedor: diminuindo o prazo ou o valor das parcelas
- Pagamento de parte das prestações mensais: aliviando o orçamento do comprador
Anteriormente, o uso do FGTS era restrito a imóveis mais baratos, o que excluía grande parte dos compradores da classe média. A mudança agora permite o uso do fundo também para imóveis de padrão médio e alto, desde que estejam dentro do SFH.
Quem pode se beneficiar?

As novas regras foram desenhadas para atender famílias com renda mensal acima de R$ 12 mil — grupo que ficava fora do escopo do MCMV e sofria com taxas de juros mais elevadas no mercado tradicional.
É importante destacar que não é necessário ser correntista da Caixa para solicitar o crédito. Qualquer cidadão que atenda aos critérios de renda e de capacidade de pagamento pode solicitar o financiamento.
Além disso, as regras valem tanto para imóveis novos quanto usados, ampliando o alcance da política.
Como solicitar o financiamento?
Para aproveitar as novas condições, os interessados devem seguir algumas etapas simples:
1. Simulação online
A Caixa oferece um simulador em seu site oficial que calcula o valor das parcelas, o montante financiável e as condições de pagamento de acordo com o perfil do comprador e a renda familiar.
2. Reunir a documentação
Será necessário apresentar:
- Documentos de identidade (RG e CPF)
- Comprovante de residência
- Comprovante de renda (holerite, extrato bancário, declaração de IR)
- Certidão de estado civil
3. Análise de crédito
Com a simulação e os documentos em mãos, o comprador deve comparecer a uma agência da Caixa para dar início à análise de crédito e formalização da proposta.
Regras de transição: o que muda nos recursos da poupança?
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Além das mudanças nas regras do financiamento em si, o governo também alterou a forma como os recursos da caderneta de poupança serão utilizados no setor imobiliário.
Situação atual:
- 65% dos recursos da poupança são destinados ao crédito habitacional
- 20% são recolhidos pelo Banco Central como depósito compulsório
- 15% ficam livres para operações dos bancos
De 2025 até janeiro de 2027:
Durante esse período de transição:
- Os depósitos compulsórios cairão de 20% para 15%
- Esses 5% adicionais deverão ser obrigatoriamente aplicados no crédito habitacional
A partir de 2027:
- Fim da exigência de aplicar 65% dos recursos da poupança em crédito habitacional
- Depósitos compulsórios extintos
- Bancos poderão aplicar até 100% dos recursos da poupança em crédito imobiliário
Essas mudanças visam dar mais flexibilidade ao sistema bancário e ampliar a oferta de crédito habitacional a juros regulados.
Estímulo à economia e impacto esperado
De acordo com estimativas do governo e da Caixa Econômica Federal, as novas medidas devem injetar R$ 20 bilhões em crédito imobiliário até o final de 2026, com a expectativa de financiar 80 mil novos imóveis nesse período.
Já o Banco Central calcula que, somente no primeiro ano de vigência das novas regras, o sistema poderá movimentar R$ 111 bilhões — um salto de R$ 52,4 bilhões em comparação com o modelo anterior.
O que diz o setor da construção civil?
Representantes do setor imobiliário e da construção civil comemoraram o anúncio. Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a ampliação do teto do SFH e a liberação do uso do FGTS para imóveis mais caros devem estimular a geração de empregos, impulsionar novos lançamentos e destravar projetos que estavam parados por falta de demanda.
Segundo a entidade, cada R$ 1 bilhão investido em habitação gera, em média, 50 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Com o aumento esperado na liberação de crédito, o impacto pode ultrapassar a marca de 1 milhão de empregos até 2026.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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