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Caixa confirma novo programa habitacional: 80 mil imóveis para classe média em 2026

Caixa vai financiar 80 mil moradias para famílias com renda de R$ 12 mil a R$ 20 mil em 2026; lançamento ocorre nesta sexta (10).

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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O governo federal lançará oficialmente nesta sexta-feira (10) uma nova política habitacional voltada à classe média, com a promessa de viabilizar 80 mil unidades habitacionais adicionais em 2026, por meio da Caixa Econômica Federal. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (9) pelo ministro das Cidades, Jader Filho (MDB), durante o evento Incorpora 2025, promovido pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em São Paulo.

A medida amplia o alcance da política pública de moradia para famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil mensais, segmento que, até agora, não era atendido pelo Minha Casa, Minha Vida (MCMV), mesmo após a criação da Faixa 4, que beneficia famílias com rendimento de até R$ 12 mil.

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Imagem: Freepik

Nova faixa habitacional: quem será contemplado?

O novo programa será uma espécie de extensão do Minha Casa, Minha Vida, mas com parâmetros próprios de financiamento, voltados à chamada classe média consolidada, cujas condições de acesso ao crédito não são atendidas pelas faixas tradicionais do MCMV, tampouco encontram taxas acessíveis no mercado privado.

A nova faixa de beneficiários contemplará:

  • Famílias com renda mensal de R$ 12.001 até R$ 20.000;
  • Pessoas físicas com capacidade comprovada de pagamento, mas com dificuldade de obter crédito por altas taxas de entrada;
  • Consumidores que buscam imóveis entre R$ 350 mil e R$ 850 mil, em média, nas capitais.

80 mil moradias financiadas pela Caixa

De acordo com Jader Filho, a estimativa inicial aponta que 80 mil unidades habitacionais serão financiadas apenas pela Caixa Econômica Federal, em 2026, com base nas novas diretrizes do programa.

“Essa política habitacional vem para complementar a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida. É uma resposta ao anseio de uma parte significativa da sociedade que ainda não tem acesso facilitado ao crédito habitacional”, afirmou o ministro.

O número não considera a participação de bancos privados, cuja estimativa de adesão ao programa será divulgada somente na cerimônia oficial de lançamento.

Mudanças no compulsório da poupança

Um dos principais instrumentos para viabilizar o novo programa será a alteração no recolhimento compulsório dos depósitos de poupança, uma medida de impacto direto na oferta de crédito.

Atualmente, o Banco Central exige que os bancos mantenham 20% dos depósitos de poupança como compulsório, ou seja, valores retidos e não utilizados no mercado. A proposta do governo é liberar parte desses recursos para ampliar os financiamentos imobiliários.

Segundo Jader Filho, essa discussão só avançou com a chegada do novo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que acolheu a demanda do setor da construção civil e do governo federal.

“Sempre cobramos do Banco Central essa liberação de 20% dos recursos da poupança e só com a chegada do presidente Galípolo conseguimos avançar nessa conversa”, declarou o ministro.

Como será feita a distribuição dos recursos

A divisão dos recursos liberados da poupança será realizada da seguinte forma:

  • 80% para o Sistema Financeiro da Habitação (SFH): voltado para imóveis com valor limitado e contratos com regulamentação social;
  • 20% para o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI): utilizado para imóveis de valor mais elevado e com maior flexibilidade contratual.

SFH vs. SFI: qual a diferença?

CaracterísticaSFHSFI
Valor máximo do imóvelaté R$ 1,5 milhãosem teto definido
Fonte de recursosPoupança e FGTSLivre (mercado, poupança)
Juros máximosReguladosLivre negociação
SubsídiosPossíveisNão aplicáveis

A nova política habitacional pretende ampliar a margem de atuação do SFI, ao mesmo tempo em que fortalece o SFH com novas linhas para a classe média.

Benefícios esperados para a classe média

Financiamento
Imagem: Michael Dechev / Shutterstock.com

Com a nova política, famílias que não conseguiam acessar o MCMV e também não encontravam boas condições nos bancos privados passarão a ter linhas de financiamento com condições mais competitivas, como:

  • Juros menores do que os praticados atualmente no SFI;
  • Prazo estendido para pagamento (até 35 anos);
  • Possibilidade de carência ou entrada facilitada;
  • Liberação de FGTS para uso como entrada ou amortização.

Essa camada da população, apesar de renda mais alta, representa milhões de famílias sem acesso efetivo à moradia própria em grandes centros urbanos.

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Papel da Caixa Econômica e expectativa do mercado

A Caixa será a principal operadora do programa, especialmente por sua expertise em habitação popular e social, além de deter grande parte da carteira de crédito imobiliário no Brasil.

Expectativas para os bancos privados

Embora ainda não haja confirmação, é esperado que bancos como Bradesco, Itaú, Santander e Banco do Brasil também integrem o novo programa habitacional, por meio do SFI, beneficiando-se da nova destinação dos recursos da poupança.

O mercado imobiliário já reage com otimismo, segundo executivos presentes no evento Incorpora 2025. A Abrainc estima que a cada 1.000 unidades financiadas, são gerados mais de 20 mil empregos diretos e indiretos.

Déficit habitacional e impacto social

Segundo o último levantamento da Fundação João Pinheiro, o déficit habitacional brasileiro ultrapassa os 5,8 milhões de moradias. A classe média, historicamente ignorada em políticas de financiamento habitacional público, responde por uma parte considerável da demanda reprimida, principalmente em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Salvador.

O novo programa é visto como estratégico não apenas do ponto de vista econômico, mas também político, por se tratar de um segmento eleitoralmente relevante e que historicamente sofre com a exclusão bancária parcial.

O que falta ser anunciado?

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Na cerimônia de lançamento da sexta-feira (10), são esperados os seguintes anúncios:

  • Nome oficial do programa habitacional;
  • Taxas de juros aplicáveis para as novas faixas de renda;
  • Valor máximo dos imóveis financiáveis;
  • Parâmetros de uso do FGTS e entrada mínima;
  • Condições específicas para diferentes regiões do país;
  • Participação de bancos privados e cooperativas de crédito.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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