Um caso recente envolvendo a Infinita Incorporadora e o edifício Life.co, localizado no bairro Jardim do Salso, em Porto Alegre, acendeu um alerta no mercado imobiliário do Rio Grande do Sul.
Calote no mercado imobiliário do RS abala investidores e compradores
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Investidores e compradores de imóveis estão no centro de uma disputa judicial que ameaça gerar insegurança no setor. Este episódio expõe riscos financeiros significativos e evidencia a importância de se seguir rigorosamente as normas legais em operações imobiliárias.
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Caso Life.co: como tudo começou

O empreendimento Life.co foi concebido pela Infinita Incorporadora, que também é responsável pelos projetos Infinita Parque e Town.co. Para viabilizar a construção, a empresa recorreu a fundos imobiliários geridos pela securitizadora HabitaSec, com mais de 10 anos de experiência e mais de 250 operações de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).
Os CRIs são instrumentos financeiros que garantem o investimento em projetos imobiliários, utilizando os imóveis como garantia através de alienação fiduciária.
Neste caso, os recursos levantados pelos CRIs deveriam ser depositados em uma conta centralizadora para assegurar o reembolso aos investidores. Contudo, parte dos valores destinados à construção foi desviada para outras contas, prejudicando tanto investidores quanto compradores.
Desvio de recursos: a acusação contra a incorporadora
Segundo o advogado Tiago Munoz, representante da HabitaSec, “a Infinita pegou o dinheiro dos investidores e dos compradores dos apartamentos e colocou no bolso”, dificultando a devolução dos valores.
Esse desvio resultou em prejuízos financeiros consideráveis, afetando poupadores, empreendedores e compradores de imóveis em diversas regiões do país.
O desvio de valores gera um efeito dominó no mercado imobiliário, já que compromete a confiança de investidores em novos projetos financiados por CRIs e outros mecanismos de securitização.
Tentativa de recuperação e o leilão extrajudicial
Para recuperar os valores devidos, a HabitaSec recorreu à execução extrajudicial das garantias, que consiste na execução da dívida através de leilões de imóveis vinculados ao empreendimento. Inicialmente, o leilão extrajudicial do Life.co estava marcado para janeiro, mas foi suspenso por decisão judicial.
A seguradora conseguiu efeito suspensivo em instância superior, remarcando o certame para 8 de agosto. Contudo, uma nova decisão determinou que o leilão só poderá ocorrer após julgamento pelo colegiado da 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS).
Impactos sobre compradores e investidores
Segundo Tiago Munoz, o objetivo da HabitaSec não é prejudicar os compradores que quitaram suas unidades corretamente.
Os imóveis pagos integralmente junto à conta centralizadora não serão afetados pelo leilão. Já os promitentes compradores que tiveram os recursos desviados devem exigir indenização da Infinita Incorporadora, conforme previsto em contrato.
Enquanto a disputa judicial se arrasta, o condomínio Life.co enfrenta dificuldades financeiras para manutenção, afetando serviços essenciais como segurança, limpeza e conservação.
Precedentes jurídicos e segurança no mercado
O advogado ressalta a relevância de decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para este caso.
A Quarta Turma reconheceu que a Súmula 308, frequentemente utilizada para proteger terceiros que não efetuaram pagamentos corretamente, não se aplica quando imóveis estão em garantia de financiamentos via alienação fiduciária. Isso fortalece a posição da HabitaSec na recuperação dos recursos.
Riscos para o mercado imobiliário do RS
Especialistas alertam que casos como o Life.co podem gerar insegurança jurídica e financeira no setor imobiliário gaúcho. Investidores podem se tornar mais cautelosos, aumentando custos de financiamento e, consequentemente, o preço final dos imóveis.
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Além disso, a percepção de risco pode afastar novos investimentos, prejudicando a economia local. A credibilidade do mercado depende da confiança de investidores, securitizadoras e compradores, e episódios de desvio de recursos colocam essa confiança em xeque.
Papel da HabitaSec na recuperação dos valores

A HabitaSec atua como gestora dos fundos e responsável pela execução das garantias, mas não possui gestão direta sobre o empreendimento.
A atuação da securitizadora é voltada para assegurar o cumprimento da legislação e garantir que investidores e compradores lesados tenham seus direitos respeitados.
Tiago Munoz enfatiza que a securitizadora busca unir forças com todos os afetados para assegurar a recuperação dos recursos e o cumprimento dos contratos, minimizando os danos financeiros e jurídicos.
Medidas preventivas para investidores
Especialistas recomendam que investidores:
- Confirmem a legalidade e a transparência das operações de CRIs antes de investir;
- Verifiquem a existência de contas centralizadoras e mecanismos de proteção dos valores;
- Acompanhem de perto a execução das obras e relatórios financeiros das incorporadoras;
- Busquem assessoria jurídica para assegurar direitos contratuais em caso de descumprimento.
Conclusão
O caso Life.co e a atuação da Infinita Incorporadora expõem vulnerabilidades no mercado imobiliário do Rio Grande do Sul. Desvios de recursos, disputas judiciais e insegurança jurídica podem encarecer imóveis e reduzir investimentos futuros. A experiência reforça a importância de práticas transparentes, gestão profissionalizada de fundos e atenção dos investidores às garantias legais.
Imagem: Andrey_Popov / shutterstock.com
