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Câmara aprova lei que mantém Bolsa Família para trabalhadores da colheita

Projeto aprovado na Câmara garante Bolsa Família a trabalhadores temporários da colheita durante contratos de safra.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Bolsa Família

A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 715/23, conhecido como Lei do Safrista, que garante a manutenção do Bolsa Família para trabalhadores rurais temporários contratados durante o período de colheita.

A proposta segue agora para sanção presidencial e é considerada uma das principais medidas recentes para reduzir a informalidade no campo e combater a falta de mão de obra no agronegócio brasileiro.

A proposta recebeu apoio de parlamentares ligados ao agronegócio e também da base governista, consolidando um consenso em torno da necessidade de ampliar a inclusão produtiva no campo.

O que muda?

Leia mais: Bolsa Família inova aplicativo e serviços passam a ser adquiridos on-line

Na prática, o projeto permite que trabalhadores contratados temporariamente para atividades agrícolas continuem recebendo o Bolsa Família enquanto estiverem empregados durante a safra.

Atualmente, muitos beneficiários evitam formalizar o trabalho porque a renda registrada pode gerar bloqueios ou cancelamentos no benefício social. Isso criou, ao longo dos anos, um cenário de escassez de trabalhadores em períodos críticos da produção agrícola.

Como funciona?

Os contratos de safra já existem na legislação brasileira desde a Lei 5.889/73, que regula o trabalho rural.

Preparo do solo

O trabalhador pode ser contratado para atuar no plantio e preparação da área agrícola.

Manejo e manutenção

Durante o desenvolvimento da lavoura, o contrato pode envolver atividades operacionais ligadas à produção.

Colheita e encerramento da safra

O vínculo termina ao final da colheita ou quando as atividades sazonais são encerradas.

A duração varia conforme cada cultura agrícola e pode durar semanas ou alguns meses.

Manutenção do Bolsa Família reduz insegurança financeira

Um dos principais argumentos favoráveis ao projeto é que o trabalhador rural temporário continua em situação de vulnerabilidade social mesmo após o encerramento da safra.

Por isso, parlamentares defenderam que o Bolsa Família funcione como complemento de renda para famílias em situação de pobreza, evitando interrupções bruscas no orçamento doméstico.

O vice-líder do PT na Câmara, Bohn Gass, destacou que a manutenção do benefício protege a subsistência de famílias do interior que dependem simultaneamente da renda agrícola e dos programas sociais.

Setor agropecuário comemora aprovação

A aprovação do projeto foi celebrada pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que há anos defende mudanças para facilitar a contratação de trabalhadores temporários.

Segundo o coordenador da bancada, Pedro Lupion, a medida ajuda a combater o chamado apagão de mão de obra no campo, especialmente em períodos de colheita intensa.

Nos últimos anos, produtores rurais relataram dificuldades crescentes para encontrar trabalhadores dispostos a aceitar contratos formais temporários.

Em estados produtores de café, frutas e grãos, a escassez de mão de obra já vinha pressionando custos operacionais e atrasando etapas da produção agrícola.

Mudança temporária no e-Social evita burocracia

Outro ponto importante aprovado pelos deputados foi uma solução provisória relacionada ao e-Social.

Enquanto o governo federal não cria um campo específico para contratos de safra no sistema, os empregadores rurais ficarão dispensados de informar detalhes adicionais relacionados à manutenção do Bolsa Família.

Mesmo sem o novo campo específico no sistema, as informações básicas de contratação continuarão acessíveis aos órgãos responsáveis pela gestão do ?Bolsa Família, permitindo fiscalização e prevenção contra fraudes.

Quem poderá ser beneficiado

A expectativa é que milhares de trabalhadores rurais temporários sejam impactados pela nova regra em diferentes regiões do Brasil.

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Entre os principais beneficiados estão:

  • Trabalhadores da colheita de café;
  • Cortadores de cana;
  • Colhedores de frutas;
  • Trabalhadores da safra de grãos;
  • Famílias inscritas no Cadastro Único;
  • Beneficiários do Bolsa Família em áreas rurais.

Além do impacto social, especialistas do setor avaliam que a medida pode aumentar a formalização no campo e ampliar a arrecadação previdenciária.

Bolsa Família continuará seguindo critérios de renda

Apesar da flexibilização para trabalhadores temporários, o Bolsa Família continuará observando critérios de renda e elegibilidade definidos pelo governo federal.

Isso significa que o recebimento do benefício ainda dependerá das regras do Cadastro Único e das faixas de renda estabelecidas pelo programa social.

Impacto econômico pode atingir produção agrícola nacional

O agronegócio brasileiro depende fortemente de mão de obra sazonal em períodos específicos do ano.

Ao reduzir o medo da perda do Bolsa Família, o projeto pode incentivar mais trabalhadores a aceitarem contratos formais temporários, melhorando a oferta de mão de obra em regiões agrícolas.

Especialistas apontam que a medida também pode trazer benefícios indiretos, como:

  • Maior formalização trabalhista;
  • Redução de fraudes;
  • Ampliação da contribuição previdenciária;
  • Mais segurança jurídica para produtores;
  • Estabilidade no abastecimento interno;
  • Menor risco de perdas na colheita.

Considerações finais

A aprovação da Lei do Safrista representa uma mudança importante na relação entre programas sociais e trabalho temporário no campo. A proposta busca eliminar o receio de trabalhadores rurais perderem o Bolsa Família ao aceitarem contratos formais durante períodos de safra.

Além do impacto social para famílias em situação de vulnerabilidade, o projeto também atende a uma demanda antiga do agronegócio brasileiro, que enfrenta dificuldades crescentes para contratar mão de obra em momentos estratégicos da produção.

Se sancionada, a nova regra poderá ampliar a formalização no campo, fortalecer a inclusão produtiva e reduzir gargalos operacionais em diversas cadeias agrícolas do país.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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