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Proposta aprovada na Câmara reduz jornada máxima para 40 horas

Câmara aprova PEC que reduz jornada semanal para 40 horas e extingue escala 6x1. Veja o que muda para trabalhadores e empresas.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
jornada

A Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e prevê o fim gradual da escala 6×1 no Brasil. A proposta representa uma das maiores mudanças nas regras trabalhistas brasileiras desde a Constituição de 1988 e pode afetar milhões de trabalhadores com carteira assinada.

A PEC estabelece uma nova lógica para a rotina de trabalho formal no país, priorizando a escala 5×2, com dois dias de descanso remunerado por semana e sem redução salarial.

O que prevê a PEC?

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A proposta altera o limite constitucional da jornada semanal dos trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho.

Na prática, a PEC reduz gradualmente a carga horária semanal até chegar ao teto definitivo de 40 horas.

Como ficará a jornada?

O texto aprovado determina que a jornada semanal será reduzida de forma escalonada.

Nos primeiros meses após a promulgação da emenda constitucional, as empresas deverão iniciar a adaptação para garantir dois dias de descanso semanal aos trabalhadores.

Posteriormente, o limite definitivo de 40 horas entrará plenamente em vigor.

Mudança na escala semanal

O principal impacto será a substituição da tradicional escala 6×1 pela escala 5×2.

Atualmente, muitos trabalhadores atuam seis dias por semana e descansam apenas um. Com a nova regra, o modelo predominante deverá ser de cinco dias trabalhados e dois dias de folga.

Um dos descansos deverá ocorrer preferencialmente aos domingos, sempre que houver viabilidade operacional.

Regra atual e a nova proposta

AspectoRegra atualNova PEC
Jornada semanal máxima44 horas40 horas
Dias trabalhados6 dias5 dias
Escala predominante6×15×2
Descanso semanal1 dia2 dias
Trabalho aos sábadosComum em muitos setoresTendência de redução
SalárioMantidoMantido
ImplantaçãoJá vigenteGradual após promulgação

Quem será afetado?

A proposta impacta principalmente trabalhadores celetistas do setor privado.

Entre os segmentos mais afetados estão:

  • comércio;
  • supermercados;
  • telemarketing;
  • indústria;
  • restaurantes;
  • farmácias;
  • serviços gerais;
  • logística;
  • hotelaria.

Esses setores tradicionalmente operam com escalas extensas e funcionamento contínuo durante finais de semana.

Já categorias com regras específicas poderão ter regulamentações complementares. Isso inclui áreas como segurança pública, saúde, transporte e serviços essenciais.

Trabalhador poderá receber menos?

Não. O texto aprovado na Câmara não prevê redução salarial.

O parecer do deputado Leo Prates estabelece que a diminuição da jornada não poderá reduzir os salários dos trabalhadores formais.

Assim, a lógica da proposta é reduzir o tempo de trabalho mantendo a remuneração atual.

Esse ponto foi um dos principais argumentos defendidos por parlamentares favoráveis à PEC e por representantes sindicais.

Argumentos favoráveis à PEC

Parlamentares governistas, centrais sindicais e movimentos trabalhistas classificaram a medida como um avanço histórico para os direitos dos trabalhadores.

O deputado Pedro Uczai afirmou que a redução da jornada pode ampliar o tempo destinado à convivência familiar, educação e lazer.

Já o deputado Paulo Pimenta destacou que a proposta beneficia especialmente trabalhadores de baixa renda e mulheres, que representam parcela significativa das categorias submetidas à escala 6×1.

O deputado Tarcísio Motta afirmou que o objetivo da mudança é permitir melhor equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

A deputada Benedita da Silva relembrou que a luta pela redução da jornada semanal existe desde a Assembleia Constituinte, quando o limite caiu de 48 para 44 horas semanais.

O que acontece agora?

Após aprovação na Câmara dos Deputados, a PEC seguirá para análise do Senado Federal.

Para entrar em vigor, o texto precisará:

  1. ser aprovado em dois turnos no Senado;
  2. alcançar o mínimo de três quintos dos votos dos senadores;
  3. ser promulgado pelo Congresso Nacional;
  4. ser publicado oficialmente.

Somente após a promulgação começará o período de adaptação previsto na proposta.

Quando a nova jornada pode começar?

A implementação será gradual.

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Segundo o texto aprovado:

  • após a publicação da emenda, haverá prazo inicial de dois meses para adaptação;
  • nesse período, empresas deverão organizar escalas com dois dias de descanso;
  • posteriormente, ocorrerá a redução intermediária;
  • ao final da transição, a jornada máxima será oficialmente limitada a 40 horas semanais.

O cronograma definitivo ainda poderá sofrer alterações durante a tramitação no Senado.

Afetar empresas

Especialistas apontam que empresas poderão precisar reorganizar escalas, contratar novos funcionários ou investir em automação para compensar a redução da jornada semanal.

Setores que funcionam sete dias por semana devem enfrentar maior necessidade de reestruturação operacional.

Entre os possíveis impactos estão:

Para trabalhadores

  • mais tempo livre;
  • maior convivência familiar;
  • redução do desgaste físico e mental;
  • melhora na qualidade de vida;
  • possibilidade de qualificação profissional.

Para empresas

  • revisão de escalas;
  • aumento de custos operacionais;
  • necessidade de novas contratações;
  • reorganização logística;
  • adaptação tecnológica.

Outros países

Diversos países já adotam jornadas inferiores a 44 horas semanais.

Na Europa, por exemplo, modelos com carga horária reduzida são comuns em economias desenvolvidas. Alguns países também testam semanas de quatro dias de trabalho.

No Brasil, a jornada de 44 horas foi estabelecida pela Constituição Federal de 1988. Antes disso, o limite legal era de 48 horas semanais.

Considerações finais

A aprovação da proposta na Câmara representa um marco nas discussões sobre produtividade, saúde mental e equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Caso seja aprovada definitivamente pelo Senado, a mudança poderá alterar a rotina de milhões de trabalhadores formais em todo o país, especialmente aqueles submetidos a escalas intensas no comércio e no setor de serviços.

Além das mudanças práticas na carga horária, o debate também amplia a discussão sobre modelos de trabalho mais flexíveis e qualidade de vida no mercado brasileiro.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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