A Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e prevê o fim gradual da escala 6×1 no Brasil. A proposta representa uma das maiores mudanças nas regras trabalhistas brasileiras desde a Constituição de 1988 e pode afetar milhões de trabalhadores com carteira assinada.
Proposta aprovada na Câmara reduz jornada máxima para 40 horas
Câmara aprova PEC que reduz jornada semanal para 40 horas e extingue escala 6x1. Veja o que muda para trabalhadores e empresas.
A PEC estabelece uma nova lógica para a rotina de trabalho formal no país, priorizando a escala 5×2, com dois dias de descanso remunerado por semana e sem redução salarial.
O que prevê a PEC?
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A proposta altera o limite constitucional da jornada semanal dos trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho.
Na prática, a PEC reduz gradualmente a carga horária semanal até chegar ao teto definitivo de 40 horas.
Como ficará a jornada?
O texto aprovado determina que a jornada semanal será reduzida de forma escalonada.
Nos primeiros meses após a promulgação da emenda constitucional, as empresas deverão iniciar a adaptação para garantir dois dias de descanso semanal aos trabalhadores.
Posteriormente, o limite definitivo de 40 horas entrará plenamente em vigor.
Mudança na escala semanal
O principal impacto será a substituição da tradicional escala 6×1 pela escala 5×2.
Atualmente, muitos trabalhadores atuam seis dias por semana e descansam apenas um. Com a nova regra, o modelo predominante deverá ser de cinco dias trabalhados e dois dias de folga.
Um dos descansos deverá ocorrer preferencialmente aos domingos, sempre que houver viabilidade operacional.
Regra atual e a nova proposta
| Aspecto | Regra atual | Nova PEC |
|---|---|---|
| Jornada semanal máxima | 44 horas | 40 horas |
| Dias trabalhados | 6 dias | 5 dias |
| Escala predominante | 6×1 | 5×2 |
| Descanso semanal | 1 dia | 2 dias |
| Trabalho aos sábados | Comum em muitos setores | Tendência de redução |
| Salário | Mantido | Mantido |
| Implantação | Já vigente | Gradual após promulgação |
Quem será afetado?
A proposta impacta principalmente trabalhadores celetistas do setor privado.
Entre os segmentos mais afetados estão:
- comércio;
- supermercados;
- telemarketing;
- indústria;
- restaurantes;
- farmácias;
- serviços gerais;
- logística;
- hotelaria.
Esses setores tradicionalmente operam com escalas extensas e funcionamento contínuo durante finais de semana.
Já categorias com regras específicas poderão ter regulamentações complementares. Isso inclui áreas como segurança pública, saúde, transporte e serviços essenciais.
Trabalhador poderá receber menos?
Não. O texto aprovado na Câmara não prevê redução salarial.
O parecer do deputado Leo Prates estabelece que a diminuição da jornada não poderá reduzir os salários dos trabalhadores formais.
Assim, a lógica da proposta é reduzir o tempo de trabalho mantendo a remuneração atual.
Esse ponto foi um dos principais argumentos defendidos por parlamentares favoráveis à PEC e por representantes sindicais.
Argumentos favoráveis à PEC
Parlamentares governistas, centrais sindicais e movimentos trabalhistas classificaram a medida como um avanço histórico para os direitos dos trabalhadores.
O deputado Pedro Uczai afirmou que a redução da jornada pode ampliar o tempo destinado à convivência familiar, educação e lazer.
Já o deputado Paulo Pimenta destacou que a proposta beneficia especialmente trabalhadores de baixa renda e mulheres, que representam parcela significativa das categorias submetidas à escala 6×1.
O deputado Tarcísio Motta afirmou que o objetivo da mudança é permitir melhor equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
A deputada Benedita da Silva relembrou que a luta pela redução da jornada semanal existe desde a Assembleia Constituinte, quando o limite caiu de 48 para 44 horas semanais.
O que acontece agora?
Após aprovação na Câmara dos Deputados, a PEC seguirá para análise do Senado Federal.
Para entrar em vigor, o texto precisará:
- ser aprovado em dois turnos no Senado;
- alcançar o mínimo de três quintos dos votos dos senadores;
- ser promulgado pelo Congresso Nacional;
- ser publicado oficialmente.
Somente após a promulgação começará o período de adaptação previsto na proposta.
Quando a nova jornada pode começar?
A implementação será gradual.
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Segundo o texto aprovado:
- após a publicação da emenda, haverá prazo inicial de dois meses para adaptação;
- nesse período, empresas deverão organizar escalas com dois dias de descanso;
- posteriormente, ocorrerá a redução intermediária;
- ao final da transição, a jornada máxima será oficialmente limitada a 40 horas semanais.
O cronograma definitivo ainda poderá sofrer alterações durante a tramitação no Senado.
Afetar empresas
Especialistas apontam que empresas poderão precisar reorganizar escalas, contratar novos funcionários ou investir em automação para compensar a redução da jornada semanal.
Setores que funcionam sete dias por semana devem enfrentar maior necessidade de reestruturação operacional.
Entre os possíveis impactos estão:
Para trabalhadores
- mais tempo livre;
- maior convivência familiar;
- redução do desgaste físico e mental;
- melhora na qualidade de vida;
- possibilidade de qualificação profissional.
Para empresas
- revisão de escalas;
- aumento de custos operacionais;
- necessidade de novas contratações;
- reorganização logística;
- adaptação tecnológica.
Outros países
Diversos países já adotam jornadas inferiores a 44 horas semanais.
Na Europa, por exemplo, modelos com carga horária reduzida são comuns em economias desenvolvidas. Alguns países também testam semanas de quatro dias de trabalho.
No Brasil, a jornada de 44 horas foi estabelecida pela Constituição Federal de 1988. Antes disso, o limite legal era de 48 horas semanais.
Considerações finais
A aprovação da proposta na Câmara representa um marco nas discussões sobre produtividade, saúde mental e equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Caso seja aprovada definitivamente pelo Senado, a mudança poderá alterar a rotina de milhões de trabalhadores formais em todo o país, especialmente aqueles submetidos a escalas intensas no comércio e no setor de serviços.
Além das mudanças práticas na carga horária, o debate também amplia a discussão sobre modelos de trabalho mais flexíveis e qualidade de vida no mercado brasileiro.
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