A Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que promete transformar a realidade de milhares de trabalhadores brasileiros. A proposta permite que 21 atividades do setor de eventos sejam incluídas no regime de Microempreendedor Individual (MEI), abrindo caminho para a formalização, acesso a benefícios sociais e maior segurança jurídica.
Câmara aprova ampliação do MEI e mais brasileiros serão beneficiados
Câmara aprova projeto que inclui 21 atividades do setor de eventos no MEI, ampliando a formalização e garantindo benefícios previdenciários e segurança jurídica.
O texto ainda precisa avançar em outras comissões antes de chegar ao plenário, mas já é visto como um marco para uma categoria que movimenta cerca de R$ 291 bilhões por ano e emprega diretamente meio milhão de pessoas em todo o país.
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A importância do setor de eventos no Brasil

Um motor econômico relevante
O setor de eventos não é apenas entretenimento: ele envolve turismo, serviços, gastronomia, cultura e tecnologia. Festas, casamentos, congressos, feiras e shows movimentam cadeias produtivas inteiras e geram impacto significativo no PIB brasileiro.
O problema da informalidade
Grande parte dos profissionais que atuam em eventos trabalha sem contrato formal, dependendo de pagamentos eventuais e sem acesso a benefícios previdenciários. Essa realidade torna a categoria mais vulnerável em momentos de crise, como ocorreu durante a pandemia de Covid-19, quando milhares de trabalhadores ficaram sem renda.
O que muda com a inclusão no MEI
Benefícios para os trabalhadores
A formalização como MEI permitirá que profissionais de eventos tenham:
- Aposentadoria por idade e possibilidade de contribuição para outros regimes.
- Licença-maternidade e auxílio-doença em casos de afastamento.
- CNPJ ativo, que facilita a emissão de notas fiscais e abre portas para novos contratos.
- Acesso a linhas de crédito exclusivas para microempreendedores.
- Segurança jurídica, reduzindo a dependência de acordos informais.
O impacto no mercado
Com a formalização, empresas contratantes terão mais facilidade em fechar parcerias com prestadores de serviços. Além disso, o governo poderá ampliar sua base de arrecadação sem sobrecarregar os trabalhadores, já que o regime do MEI é simplificado e de baixo custo.
Quais profissionais serão beneficiados?
Principais atividades contempladas
Entre as 21 atividades incluídas no projeto, destacam-se:
- DJs e músicos, essenciais em festas, baladas e casamentos.
- Fotógrafos e videomakers, responsáveis por registrar momentos e produções.
- Técnicos de som e iluminação, que garantem a qualidade dos eventos.
- Garçons, bartenders e chefs de cozinha, fundamentais na área de gastronomia.
- Decoradores, floristas e montadores de cenário, que criam ambientes temáticos.
- Produtores culturais, cerimonialistas e recepcionistas, que organizam e conduzem as atividades.
- Seguranças e brigadistas de eventos, que atuam na proteção dos participantes.
Expansão das oportunidades
Profissionais autônomos que antes dependiam apenas da reputação e do boca a boca agora poderão atuar em feiras, convenções e contratos corporativos, ampliando as chances de renda estável.
O que pensam os especialistas
Visão de associações do setor
Entidades ligadas ao turismo e à produção cultural defendem que a medida é um avanço histórico, pois reconhece a importância do setor e valoriza trabalhadores que por anos estiveram à margem da legislação trabalhista e previdenciária.
Economistas e analistas
Segundo especialistas, a medida tende a estimular o empreendedorismo e reduzir a dependência de empregos formais. Contudo, alertam que será necessário um esforço de capacitação para que os profissionais compreendam suas obrigações como MEI, como pagamento mensal do DAS e a entrega da declaração anual.
Os próximos passos do projeto
Tramitação no Congresso
Após a aprovação na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços, o projeto seguirá para análise em:
- Comissão de Finanças e Tributação (CFT) – onde será avaliado o impacto fiscal da medida.
- Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) – que analisa a constitucionalidade e legalidade do texto.
- Plenário da Câmara dos Deputados – votação final antes de seguir para o Senado.
Expectativa do setor
A expectativa é que o projeto avance rapidamente, já que há consenso entre parlamentares sobre a necessidade de apoiar o setor de eventos. Se aprovado em todas as etapas, poderá entrar em vigor já no próximo exercício fiscal.
Desafios da implementação
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Fiscalização e enquadramento
Será necessário garantir que apenas profissionais que realmente atuam nas atividades descritas possam se cadastrar como MEI, evitando distorções e fraudes.
Educação financeira e previdenciária
Muitos trabalhadores não estão habituados a lidar com obrigações tributárias. O desafio será oferecer orientação sobre contribuição mensal, emissão de notas fiscais e acesso a crédito.
Limite de faturamento
O limite atual do MEI é de R$ 81 mil por ano. Para alguns profissionais de eventos que atuam em grandes produções, esse teto pode se tornar um entrave, exigindo avaliação futura sobre ajustes no regime.
Impactos sociais e econômicos esperados

Redução da vulnerabilidade social
Com acesso a benefícios como auxílio-doença e aposentadoria, os trabalhadores terão mais segurança em situações imprevistas, diminuindo a dependência de apoios emergenciais do governo.
Estímulo à formalização
A medida pode servir de exemplo para outros segmentos altamente informais, como serviços de beleza e trabalhos criativos, incentivando a regularização de mais categorias.
Fortalecimento do setor cultural
Ao valorizar os profissionais, o projeto fortalece toda a cadeia da economia criativa, ampliando a competitividade do Brasil no turismo de eventos e no mercado internacional.
Considerações finais
A inclusão de 21 atividades do setor de eventos no regime de Microempreendedor Individual representa uma vitória para trabalhadores que há anos lutam por reconhecimento e direitos. A medida promete não apenas impulsionar a economia, mas também oferecer dignidade e estabilidade para milhares de brasileiros.
Se confirmada pelo Congresso, essa mudança poderá marcar uma nova era para DJs, fotógrafos, garçons, produtores culturais e tantos outros profissionais que fazem da indústria de eventos um dos motores da economia nacional.
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