A Câmara dos Deputados aprovou, com 346 votos favoráveis e 97 contrários, o regime de urgência para o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 314/2025. O projeto busca revogar o decreto do governo federal que eleva as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mesmo após um recuo parcial do Executivo.
Câmara acelera processo e aprova urgência para revogar decreto do IOF
Câmara dos Deputados aprova urgência para projeto que revoga decreto do IOF. Entenda os impactos, argumentos e próximos passos.
Com a urgência aprovada, a proposta pode ser votada diretamente no Plenário, sem a necessidade de tramitar nas comissões.
O que é o IOF e quem paga?

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Entendendo o IOF
O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incide sobre operações de crédito, câmbio, seguros e títulos ou valores mobiliários.
Quem paga IOF?
- Pessoas que fazem empréstimos;
- Quem realiza compras internacionais no cartão de crédito;
- Operações de câmbio;
- Investidores no mercado financeiro;
- Contratação de seguros.
Para que serve o IOF?
O IOF tem uma função regulatória. Ele pode ser usado pelo governo para controlar a economia, desestimulando ou estimulando determinadas operações financeiras. Contudo, também serve como fonte de arrecadação.
A disputa política por trás da revogação do decreto
Argumentos da oposição
Para a oposição, o decreto do IOF representa mais um aumento de impostos sem redução de gastos públicos. O deputado Zucco (PL-RS) criticou o excesso de ministérios e cargos. Já Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou que o IOF deve ter função regulatória, e não arrecadatória.
Governo defende medida fiscal
O governo argumenta que o decreto é necessário para cumprir o arcabouço fiscal. Segundo José Guimarães (PT-CE), há equilíbrio entre responsabilidade fiscal e social.
O que muda com o decreto do IOF?
Entenda o decreto que elevou o IOF
O decreto presidencial, publicado após uma sequência de críticas, amenizou o aumento inicial, mas manteve elevação nas alíquotas de certas operações financeiras.
Aumento nas operações de crédito
| Tipo de operação | Alíquota anterior | Nova alíquota proposta |
|---|---|---|
| Pessoa física – crédito pessoal | 0,0082% ao dia | 0,0112% ao dia |
| Pessoa jurídica – crédito | 0,0041% ao dia | 0,0056% ao dia |
| Operações de câmbio | 1,10% | 1,50% |
| Cartão de crédito internacional | 5,38% | 6,38% |
Impacto na prática
- Empréstimos mais caros para pessoas físicas e empresas;
- Compras internacionais com custo maior no cartão;
- Câmbio encarecido, afetando viagens e remessas ao exterior;
- Investidores terão menos retorno líquido, devido ao aumento sobre operações financeiras.
Próximos passos na Câmara
Com a aprovação da urgência, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 314/25 pode ser incluído na ordem do dia a qualquer momento. Se aprovado na Câmara, o texto seguirá para o Senado.
Caso os parlamentares derrubem o decreto, o governo será obrigado a rever as projeções fiscais. Segundo o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), a revogação exigirá um contingenciamento imediato superior a R$ 12 bilhões, afetando despesas e programas públicos.
Impacto econômico: risco fiscal e tensão no mercado

O risco de rompimento do arcabouço fiscal
O governo argumenta que o decreto do IOF é uma das medidas necessárias para garantir equilíbrio nas contas públicas, após o Congresso ter barrado outras propostas de aumento de receita, como a reoneração da folha.
Oposição fala em “fome de arrecadação”
Para a oposição, o Executivo está usando o imposto como artifício para ampliar arrecadação sem reduzir gastos. A estratégia, segundo os opositores, gera insegurança jurídica e afasta investimentos.
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Como reage o mercado?
- Câmbio pressionado, com dólar em alta;
- Bolsa volátil, diante do risco fiscal e da percepção de instabilidade nas regras;
- Juros futuros sobem, refletindo expectativa de maior endividamento público.
FAQ – Perguntas frequentes
O que significa a urgência aprovada pela Câmara?
Significa que o projeto pode ser votado diretamente no Plenário, sem passar pelas comissões.
O decreto do IOF já está valendo?
Sim, o decreto com as novas alíquotas já está em vigor, mas pode ser derrubado se o Congresso aprovar o PDL 314/25.
Se o decreto cair, o que acontece?
O governo precisará fazer um corte imediato de mais de R$ 12 bilhões no orçamento para cumprir o arcabouço fiscal.
A população em geral é impactada?
O governo defende que não, mas a oposição afirma que o aumento encarece crédito e operações que também atingem parte da classe média.
Considerações finais
De um lado, o Executivo defende ajustes para cumprir o arcabouço fiscal; de outro, a oposição critica o aumento de impostos como solução para o desequilíbrio das contas públicas.
O tema deve dominar os próximos dias no Legislativo e no noticiário econômico, com impactos diretos sobre a economia, o mercado financeiro e o bolso dos brasileiros.
