O embate sobre a política fiscal do governo federal ganhou um novo capítulo com a resistência do Ministério da Fazenda à proposta de usar reservas de dividendos de estatais para compensar as perdas com a possível derrubada do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Embora parte da base do governo no Congresso considere a medida viável, a equipe econômica vê riscos na solução considerada temporária e ineficaz a longo prazo.
Ministério da Fazenda resiste à proposta de recorrer a reservas de estatais para bancar o IOF
Ministério da Fazenda resiste à proposta de usar dividendos de estatais para compensar perdas com IOF.
A pressão por alternativas vem aumentando, principalmente após o avanço de um projeto que pode anular o decreto que eleva a alíquota do IOF. Com impacto estimado entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões em 2025, o recuo parcial na arrecadação exigiria fontes de compensação, e o uso de dividendos de estatais surgiu como alternativa entre parlamentares governistas.
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Governo enfrenta dilema entre arrecadação e impacto fiscal

A proposta ventilada no Congresso envolve utilizar recursos da Petrobras (R$ 10,3 bilhões), do Banco do Brasil (R$ 2,5 bilhões) e do BNDES (R$ 16,1 bilhões). No entanto, técnicos da Fazenda avaliam que essa saída não resolve o problema estrutural das contas públicas, funcionando apenas como um “remendo” para o orçamento de um único ano fiscal.
Além disso, o uso de dividendos não é novidade. A ideia já havia sido cogitada como solução temporária para compensar a desoneração da folha de pagamentos, que também é alvo de embates entre Executivo e Legislativo.
Segundo informações do Poder360, a Fazenda já comunicou a insatisfação interna sobre a proposta e mantém a posição de que os dividendos não podem ser usados como solução recorrente para equilibrar as finanças públicas.
Empresariado resiste e teme impacto nas empresas
A proposta de aumentar a carga tributária como forma de manter o equilíbrio fiscal encontra resistência também no setor produtivo. Empresários demonstram preocupação com a série de medidas que elevam impostos, entre elas o fim dos incentivos ao JCP (Juros sobre Capital Próprio).
O empresariado teme que, sem um ambiente tributário favorável, empresas brasileiras migrem para o exterior, onde a carga sobre o capital é menor. Isso poderia fragilizar o mercado nacional, reduzir investimentos internos e impactar a geração de empregos.
Apesar de manterem diálogo com o governo, representantes do setor afirmam que apostam no Congresso para barrar as medidas, tanto no caso do IOF quanto no das mudanças sobre o JCP.
Congresso se articula para derrubar o aumento do IOF
Nesta segunda-feira, 16 de junho de 2025, os líderes da Câmara dos Deputados decidiram avançar com o requerimento de urgência do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que revoga o decreto de aumento do IOF. O texto ainda não será analisado em mérito, mas a articulação política em torno da pauta é vista como uma mensagem clara de resistência ao Palácio do Planalto.
A expectativa é que o PDL receba mais de 300 votos favoráveis, consolidando uma derrota significativa para o governo no tema fiscal. Essa movimentação pressiona o Ministério da Fazenda a buscar alternativas mais sustentáveis e de maior aceitação tanto entre parlamentares quanto no setor privado.
Outras medidas fiscais também enfrentam resistência
Além do impasse em torno do IOF, o governo também editou uma medida provisória que aumenta outros tributos, com projeção de arrecadar cerca de R$ 10 bilhões em 2025. A proposta, no entanto, enfrenta resistência de deputados e senadores, que já sinalizaram a possibilidade de rejeição, seguindo o mesmo caminho do debate sobre o IOF.
Com o Congresso cada vez mais engajado em frear aumentos de impostos, a agenda econômica da equipe do ministro Fernando Haddad entra em zona de turbulência. O desafio é encontrar fontes de receita que não comprometam a competitividade das empresas, nem desagradem os parlamentares.
Dividendos de estatais: solução paliativa ou risco fiscal?
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A proposta de recorrer às reservas de estatais, defendida por parte da base governista, levanta questionamentos sobre a sustentabilidade fiscal da medida. O principal ponto de crítica da equipe econômica é o caráter pontual da solução. Usar os dividendos de empresas como Petrobras, BB e BNDES serviria apenas para cobrir uma lacuna temporária, sem garantir segurança para o planejamento financeiro futuro.
Especialistas alertam que transformar dividendos em colchão fiscal pode fragilizar o patrimônio das estatais, desincentivar a boa gestão empresarial e gerar dependência de receitas não recorrentes.
O que está em jogo com o IOF?

O IOF é um imposto federal que incide sobre operações de crédito, câmbio e seguros. Alterações na sua alíquota impactam diretamente os custos de transações financeiras para consumidores e empresas. A tentativa de aumentar esse imposto, mesmo que parcialmente, representa um esforço do governo para aumentar a arrecadação em um momento de aperto fiscal.
No entanto, com a economia ainda em processo de recuperação e o crédito caro, o aumento da alíquota pode ser visto como um obstáculo ao consumo e ao crescimento econômico.
Caminho incerto para a política fiscal
Diante da dificuldade de aprovar medidas impopulares e da limitação de opções viáveis de compensação, o governo se vê em um caminho estreito para manter o equilíbrio fiscal. Ao mesmo tempo em que precisa cumprir regras de responsabilidade fiscal, enfrenta resistência política e empresarial às medidas de aumento da carga tributária.
O desfecho da votação do PDL e das demais propostas econômicas em tramitação no Congresso nas próximas semanas será determinante para os rumos da política fiscal brasileira em 2025.
Com informações de: Poder360
