O ministro da Educação, Camilo Santana, reforçou sua oposição a qualquer tipo de redução orçamentária no setor educacional e defendeu a universalização do programa Pé-de-Meia, uma das principais bandeiras do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na área social. Santana classificou como “terminantemente contra” qualquer medida de contenção de despesas que afete o Ministério da Educação (MEC), mesmo diante das pressões fiscais enfrentadas pelo governo.
Ministro da Educação defende Pé‑de‑Meia universal e se opõe a cortes no orçamento
Camilo Santana defende mais investimentos na educação, universalização do programa Pé-de-Meia e critica cortes no MEC.
A declaração ocorre em meio ao avanço das discussões sobre o controle de gastos públicos e ao crescimento acelerado das emendas parlamentares, que se expandiram de R$ 8 bilhões para mais de R$ 50 bilhões, enquanto o orçamento do MEC sofreu corte de quase R$ 3 bilhões em 2025.
Leia mais:
Consignado CLT: a melhor opção para formar o pé de meia ou não?

Programa Pé-de-Meia como prioridade
R$ 12 bilhões anuais para 4 milhões de estudantes
O programa Pé-de-Meia foi lançado com o objetivo de reduzir a evasão escolar no ensino médio por meio de transferência direta de renda para estudantes de baixa renda. Atualmente, 4 milhões de alunos inscritos no Cadastro Único são beneficiados, com um custo anual de R$ 12 bilhões aos cofres públicos.
Santana destacou que, embora o programa seja considerado uma conquista social relevante, ele ainda não atende todos os 6,7 milhões de estudantes da rede pública matriculados no ensino médio. Por isso, defende que a universalização seja implementada até 2026, como parte da meta do Plano Nacional de Educação (PNE).
O papel do Pé-de-Meia na estratégia educacional
Para o ministro, o Pé-de-Meia tem papel estratégico no combate à desigualdade educacional. “A gente tem de investir forte na juventude e não ficar sempre nesse passo lento em relação a outros países que conseguiram dar um salto de forma mais rápida”, declarou. A crítica é voltada a décadas de atraso nos investimentos estruturais em educação, especialmente para os mais pobres.
Críticas ao desequilíbrio no orçamento
Cortes no MEC versus aumento de emendas parlamentares

Segundo Santana, o orçamento da Educação deveria refletir as prioridades do país. Ele criticou abertamente o crescimento das emendas parlamentares, que saltaram para mais de R$ 50 bilhões enquanto o MEC teve seu orçamento reduzido. “Quem foi eleito para governar o país foi o presidente”, afirmou, em referência à crescente influência do Congresso sobre a alocação de recursos.
Comparativo de gastos entre programas
O ministro apontou desequilíbrio na distribuição orçamentária dentro do próprio MEC. Enquanto o Pé-de-Meia consome R$ 12 bilhões anuais, programas como alfabetização e tempo integral recebem menos de R$ 2 bilhões. Ele avalia que esse contraste precisa ser corrigido com uma revisão na alocação de recursos e a ampliação de investimentos em outras etapas da educação básica.
Fundeb, ensino superior e metas do PNE
Fundeb movimenta R$ 350 bilhões
O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) é o principal mecanismo de financiamento da educação pública básica no Brasil. Em 2025, o fundo movimenta cerca de R$ 350 bilhões, com R$ 56 bilhões em complementação da União. Santana reconheceu a importância do fundo, mas alertou para tentativas recentes de reduzir a participação da União, o que afetaria a equidade entre estados e municípios.
Ensino superior em dificuldades
Apesar da robustez do Fundeb, o ensino superior público federal enfrenta graves dificuldades financeiras. O orçamento previsto é de mais de R$ 80 bilhões, mas universidades federais têm relatado falta de recursos para custeio, manutenção e expansão de programas. O ministro mencionou a necessidade de garantir financiamento para que as instituições consigam atender à crescente demanda e cumprir seu papel de formação, pesquisa e inovação.
Cumprimento das metas do PNE até 2026
Camilo Santana também reafirmou o compromisso do governo em cumprir todas as metas do Plano Nacional de Educação até o final de 2026. O PNE prevê, entre outros objetivos:
- Universalização do ensino médio
- Expansão do tempo integral
- Valorização dos profissionais da educação
- Aumento do investimento público em educação até atingir 10% do PIB
Segundo o ministro, sem orçamento estável e planejamento contínuo, as metas não poderão ser alcançadas.
O papel do ministro da Fazenda e o contexto fiscal
Apoio de Fernando Haddad
Santana revelou que Fernando Haddad, ministro da Fazenda, apoia a proposta de universalização do Pé-de-Meia, mesmo em meio ao esforço de reequilíbrio das contas públicas. O diálogo entre os dois ministérios é considerado essencial para garantir que as áreas sociais não sejam sacrificadas em nome do ajuste fiscal.
Tentativas de mudança no piso constitucional
No início de junho, surgiram propostas de eliminar o piso constitucional de investimento em educação e saúde, o que poderia abrir espaço para cortes mais amplos. No entanto, a repercussão negativa e a resistência de setores do próprio governo fizeram com que a ideia não prosperasse.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
O ministro reiterou que qualquer tentativa de flexibilização do piso é inaceitável, pois compromete o acesso universal e a qualidade do ensino. Ele defendeu que o governo continue tratando a educação como área prioritária, tanto nas políticas quanto no orçamento.
Emendas parlamentares: críticas e propostas
O que são emendas parlamentares
As emendas parlamentares são mecanismos pelos quais deputados e senadores destinam parte do orçamento público para projetos e obras em suas bases eleitorais. Embora sejam legítimas dentro do processo democrático, o crescimento desenfreado dessas emendas tem provocado desequilíbrios e reduzido a margem de manobra do Executivo para gerir recursos de forma estratégica.
“Quem governa é o presidente”, diz Santana
Camilo Santana questionou o modelo atual, sugerindo que as emendas poderiam estar integradas a um plano maior do governo federal, em vez de serem pulverizadas em ações de interesse local sem articulação com a política nacional de desenvolvimento. “As emendas poderiam fazer parte de uma estratégia de política pública. Mas hoje funcionam muitas vezes de forma descoordenada”, disse.
O ministro defendeu a construção de um sistema de planejamento orçamentário mais eficaz, em que as decisões políticas reflitam as verdadeiras prioridades da sociedade — e, segundo ele, a educação está entre elas.
O futuro do Pé-de-Meia e a juventude brasileira

Desempenho do programa até agora
Desde sua implementação, o Pé-de-Meia tem sido avaliado positivamente por reduzir índices de evasão escolar, especialmente entre jovens de baixa renda. A transferência de até R$ 2.000 por aluno ao longo do ano letivo, dividida em parcelas mensais, bônus por frequência e conclusão de série, tem incentivado a permanência dos estudantes no ensino médio.
O MEC já avalia impactos preliminares, indicando que, em algumas redes estaduais, o índice de evasão caiu quase pela metade entre os beneficiários. A meta agora é ampliar o alcance e garantir recursos permanentes, para que o programa não sofra descontinuidade em futuras gestões.
Universalização e equidade
A universalização do Pé-de-Meia até 2026 é vista como uma medida de justiça educacional, que busca corrigir desigualdades históricas e oferecer aos jovens a oportunidade de permanecer na escola com dignidade. Para Santana, essa política pode ser o “divisor de águas” no combate à evasão e no estímulo à formação de uma juventude mais preparada.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
