Recém-nomeado vice-chairman do Nubank, o ex-presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, defendeu o sistema de pagamentos Pix como um bem público, em sua primeira aparição oficial no novo cargo.
Campos Neto, agora no Nubank, defende Pix como “bem público” e rebate críticas dos EUA
No Nubank, Campos Neto defende o Pix como bem público, rebate críticas dos EUA e destaca seu impacto social e inovador.
Em meio a críticas recentes vindas do governo dos Estados Unidos, especialmente em meio à gestão republicana de Donald Trump, Campos Neto rebateu os ataques ao sistema e exaltou seu impacto transformador na sociedade brasileira.
No “Nu Videocast” — programa de entrevistas promovido pelo banco digital — Campos Neto participou ao lado do CEO e fundador David Vélez. Durante a conversa, ele reforçou que o Pix foi criado para empoderar a população, especialmente os pequenos empreendedores e trabalhadores informais.
Segundo Campos Neto, o sistema não tem fins arrecadatórios nem representa um monopólio estatal.
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O Pix como ferramenta de inclusão e eficiência

Pix e a democratização do sistema financeiro
Segundo Campos Neto, o Pix nasceu de uma necessidade de facilitar a circulação de dinheiro de forma mais eficiente e segura.
Criado durante sua gestão à frente do Banco Central, o sistema foi pensado para empoderar a população, reduzir a informalidade e permitir que qualquer pessoa, mesmo sem conta em banco tradicional, possa participar da economia formal.
“O Pix é um bem público. Ele não foi criado para acabar com a concorrência, nem para o Banco Central ficar rico porque o BC nem ganha dinheiro com isso”, afirmou o executivo.
Impacto nas ruas e no pequeno comércio
O ex-presidente do BC destacou que o Pix se consolidou rapidamente nas ruas, permitindo que pequenos vendedores, como ambulantes e microempreendedores, recebessem pagamentos com mais agilidade e sem custos abusivos.
Esse aspecto contribuiu diretamente para o combate ao uso de dinheiro em espécie, além de fomentar transparência e segurança nas transações.
Sistema inspirador para outros países
Na conversa, Campos Neto apontou que o Pix tornou-se modelo internacional, com países como México, Colômbia e Coreia do Sul estudando e adotando sistemas semelhantes.
Em volume de transações per capita, o sistema brasileiro já supera o UPI da Índia, considerado um dos pioneiros no segmento de pagamentos instantâneos.
“Acredito que esse barulho [dos EUA] é passageiro. No fim, até os críticos vão reconhecer que o Pix promoveu uma transformação muito importante para o Brasil”, disse.
Nubank e o protagonismo no uso do Pix
Entre 25% e 30% das transações Pix passam pelo Nubank
David Vélez ressaltou que o Nubank sempre acreditou no Pix como uma ferramenta de transformação. Segundo ele, entre 25% e 30% de todas as transações via Pix passam pelo banco digital, evidenciando o papel protagonista da instituição no uso da tecnologia.
Digitalização como chave para a expansão
Com o Pix, o Nubank conseguiu acelerar sua estratégia de inclusão financeira digital, contribuindo para a redução do uso de dinheiro físico e fomentando um ambiente financeiro mais moderno e acessível.
“O Pix criou a oportunidade de digitalizar o sistema, eliminar o dinheiro em espécie e acelerar nosso impacto”, pontuou Vélez.
Inteligência Artificial e tokenização: as próximas revoluções
IA para democratizar o conhecimento financeiro
Durante o videocast, os executivos também abordaram tendências para o futuro dos serviços financeiros.
Para David Vélez, a inteligência artificial (IA) pode ser o próximo grande motor de transformação, ao oferecer educação financeira automatizada e personalizada para milhões de brasileiros.
Apesar do crescimento dos bancos digitais, ainda existe um grande vácuo de conhecimento sobre investimentos, crédito e planejamento financeiro, restrito a uma pequena elite.
“A IA pode democratizar o conhecimento. Um cliente poderá negociar com dez bancos ou escolher investimentos com base em informações sob medida para seu perfil”, explicou.
Tokenização e o fim da burocracia cartorial
Para Campos Neto, o registro de ativos físicos e financeiros no Brasil ainda é arcaico e burocrático.
A tokenização, tecnologia que permite representar ativos do mundo real em forma digital, surge como uma solução para reduzir custos, eliminar intermediários e aumentar a eficiência dos processos financeiros e jurídicos.
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“Não é aceitável que ainda tenhamos que ir a cartórios para registrar imóveis ou validar transações bancárias. A tokenização pode mudar isso”, afirmou.
Críticas dos EUA: política ou desinformação?
O pano de fundo geopolítico
As críticas recentes ao Pix, vindas de setores do governo norte-americano, levantam suspeitas sobre interesses econômicos e geopolíticos.
Na visão de especialistas, o sucesso de um sistema gratuito, estatal e eficiente, como o Pix, contraria interesses de grandes corporações financeiras internacionais, principalmente em um momento de expansão de soluções de pagamento privadas nos EUA.
O argumento da concorrência
Campos Neto foi direto ao afirmar que o Pix não visa eliminar concorrentes, mas sim criar um ambiente mais justo e acessível.
Segundo ele, há espaço para cooperação entre sistemas públicos e privados, e o principal objetivo do Banco Central ao lançar o Pix foi estimular a competição e reduzir o custo dos serviços bancários.
O que esperar do futuro do sistema financeiro brasileiro?

Tendências observadas
- Open Finance ganhando tração com o compartilhamento de dados entre instituições financeiras;
- Drex (Real Digital) ainda ofuscado pelo sucesso e adesão massiva do Pix;
- Avanço das tecnologias de IA e blockchain para criar soluções mais personalizadas e seguras.
Brasil como referência global em inovação financeira
Com o sucesso do Pix e o protagonismo de bancos digitais como o Nubank, o Brasil caminha para se tornar um hub global de inovação financeira.
Segundo Campos Neto, o país já é visto como laboratório de soluções de inclusão e eficiência, e novas iniciativas, como a tokenização de ativos e uso de IA, devem consolidar esse protagonismo.
Conclusão
A estreia pública de Roberto Campos Neto no Nubank não passou despercebida. Ao reafirmar o Pix como um bem público, ele não apenas respondeu às críticas internacionais, mas também reforçou o compromisso do sistema financeiro brasileiro com a inclusão, eficiência e inovação.
O Brasil, que já lidera o mundo em transações instantâneas per capita, agora mira em consolidar sua posição como referência global no setor financeiro digital. E, com lideranças como Campos Neto e David Vélez à frente, esse objetivo parece cada vez mais tangível.
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