O empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como o “Careca do INSS”, decidiu que irá comparecer voluntariamente à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional nesta segunda-feira, 15 de setembro de 2025. A comissão investiga um amplo esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS.
‘Careca do INSS’ será ouvido pela CPMI nesta segunda-feira (15)
"Careca do INSS" depõe à CPMI nesta segunda (15) após escândalo que derrubou presidente do INSS e ministro Carlos Lupi.
A decisão foi confirmada pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), neste domingo (14). Antunes está preso preventivamente desde a última sexta-feira (12), após ser alvo de uma operação da Polícia Federal. Também foi preso o empresário Maurício Camisioti, igualmente convocado a depor pela comissão.
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A origem do escândalo
Reportagens do Metrópoles deram início à investigação
O escândalo teve início com uma série de 38 reportagens publicadas pelo portal Metrópoles entre dezembro de 2023 e março de 2024. Os jornalistas revelaram como associações e entidades passaram a arrecadar até R$ 2 bilhões ao ano com descontos automáticos em aposentadorias e pensões, sem a devida autorização dos beneficiários.
Esses descontos eram realizados diretamente no benefício do INSS, sob o pretexto de associação a entidades classistas. A maioria dos segurados, no entanto, jamais havia autorizado a filiação. Os dados para essas filiações, segundo apurações da CGU e da PF, teriam sido repassados por intermediários como Antunes, que atuava como lobista para essas associações.
Operação Sem Desconto e desdobramentos políticos
PF e CGU reagem com operação de grande porte
Diante da gravidade das denúncias, a Polícia Federal abriu inquérito com base no material jornalístico. A Controladoria-Geral da União (CGU) também passou a investigar. O resultado foi a deflagração da Operação Sem Desconto, em 23 de abril de 2025, com mandados de prisão, busca e apreensão em vários estados.
Demissões no alto escalão
A repercussão política foi imediata: o então presidente do INSS foi exonerado e o ministro da Previdência, Carlos Lupi, deixou o cargo por pressão do Congresso e da opinião pública. Ambos foram acusados de omissão diante das evidências que vinham sendo levantadas.
Segundo fontes da CPMI, Lupi teria sido alertado em ao menos três ocasiões sobre irregularidades, mas optou por ignorar os sinais de alerta. A omissão culminou com sua convocação e depoimento à comissão na semana passada.
CPMI busca ouvir os principais investigados

Segurança reforçada para ouvir o “Careca do INSS”
O senador Carlos Viana afirmou que a Polícia Legislativa e a Polícia Federal montaram um forte esquema de segurança para o depoimento de Antunes. Ele é visto como uma peça-chave no esquema, e sua integridade física preocupa os investigadores e parlamentares.
Segundo o senador, o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), está em contato com outros investigados para garantir seus depoimentos de forma voluntária. A identidade desses nomes ainda não foi divulgada.
Quem já depôs na CPMI
Desde sua instalação, a CPMI já colheu depoimentos de:
- Representantes da Defensoria Pública da União (DPU)
- Auditores da Controladoria-Geral da União (CGU)
- Delegados da Polícia Federal
Além disso, prestaram esclarecimentos os ex-ministros da Previdência:
- Carlos Lupi, do governo Lula, que deixou o cargo em maio
- José Carlos Oliveira, do governo Bolsonaro, cujo depoimento foi marcado por contradições e trocas de acusações entre a base governista e a oposição
Quem é o “Careca do INSS”
O lobista das associações de aposentados
Antonio Carlos Camilo Antunes é um empresário com atuação no setor de associações previdenciárias, responsável por intermediar negócios entre entidades de aposentados e servidores do INSS. Conhecido como “Careca do INSS” nos bastidores políticos e administrativos, ele operava com empresas que supostamente intermediavam filiações de beneficiários.
Segundo a Polícia Federal, Antunes está ligado diretamente a dezenas de contratos fraudulentos e ao uso indevido de dados pessoais de aposentados.
Relação com empresas investigadas
Entre as empresas sob investigação que teriam ligação com Antunes estão:
- Instituições de fachada que funcionavam como “sindicatos fantasmas”
- Call centers terceirizados com acesso a dados sigilosos
- Entidades com registros inconsistentes na Receita Federal
Descontos indevidos e rombo bilionário
Como funcionava o esquema
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O golpe se baseava no uso indevido do consentimento automático de aposentados, mediante o uso de dados obtidos sem autorização. Com isso, associações conseguiam:
- Descontar mensalidades diretamente no benefício do INSS
- Firmar contratos com bancos para operar linhas de crédito consignado
- Oferecer planos de assistência médica e jurídica não solicitados
Prejuízo e indignação popular
O escândalo causou revolta entre os mais de 39 milhões de beneficiários do INSS. Muitos só perceberam os descontos ao verificar o extrato detalhado, e quando tentavam cancelar, encontravam dificuldades burocráticas intencionais.
Estima-se que o prejuízo gerado pelos descontos irregulares ultrapasse R$ 2 bilhões por ano.
Consequências para o sistema previdenciário
Risco à credibilidade do INSS
O caso expôs falhas graves no sistema de controle do INSS, especialmente no que diz respeito ao desconto em folha por entidades de classe. A própria Dataprev, estatal responsável pelo processamento dos dados, passou a ser investigada por possível negligência ou conivência.
Mudanças propostas pela CPMI
Entre as principais recomendações da CPMI até o momento, estão:
- Proibição de novos descontos automáticos até revisão do sistema
- Auditoria em todos os contratos de filiação de aposentados
- Criação de canal exclusivo no app Meu INSS para contestação imediata
- Responsabilização criminal das entidades e seus representantes
Expectativa para o depoimento desta segunda-feira

Antunes pode delatar nomes de parlamentares e servidores
A presença de Antonio Carlos Camilo Antunes na CPMI pode revelar a verdadeira extensão do esquema. Circulam nos bastidores rumores de que o lobista poderá entregar nomes de políticos, servidores do INSS e até banqueiros que participaram direta ou indiretamente da fraude.
A oposição aposta que o depoimento será bombástico, enquanto a base governista tenta reduzir a temperatura política e proteger aliados.
Imagem: Reprodução/ X
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