O empresário e lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, está novamente no centro de um escândalo que envolve fraude, enriquecimento súbito e possível evasão fiscal internacional. Segundo documentos entregues pela Receita Federal à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o empresário omitiu bens e empresas no exterior em sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) de 2025.
Careca do INSS não declarou imóvel de US$ 610 mil na Flórida
Antonio Antunes, o Careca do INSS, omitiu imóvel de US$ 610 mil na Flórida e empresas no exterior em sua declaração à Receita de 2025.
Entre os itens não declarados, destaca-se um apartamento de 100 m² em Sunny Isles, na Flórida, avaliado em US$ 610 mil (cerca de R$ 3 milhões), comprado por Antunes em fevereiro de 2024. A aquisição não consta na documentação entregue ao Fisco — conduta considerada como omissão patrimonial, passível de sanções, multas e investigação por evasão de divisas.
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Aquisição de imóvel nos EUA e omissão no Imposto de Renda
O imóvel de luxo está localizado em uma das áreas mais valorizadas da Flórida. O próprio Antunes confirmou, durante depoimento à CPMI, ser o proprietário do apartamento, justificando a compra com recursos oriundos da venda de um imóvel em Vicente Pires (DF), avaliado em R$ 3,5 milhões.
“Imóveis na Flórida, tenho – tenho, sim. Tenho um apartamento em Sunny Isles. Vendi um imóvel aqui, em Vicente Pires, no valor de R$ 3,5 milhões, quantia correspondente ao que usei na compra lá”, declarou Antunes à comissão.
Apesar da confissão, a transação foi omitida na declaração entregue à Receita Federal em 2025, o que contraria a Instrução Normativa nº 2.139/2024. A norma obriga pessoas físicas a informar todos os bens e direitos, no Brasil ou no exterior, mantidos em nome próprio ou de seus dependentes.
Empresas abertas nos Estados Unidos também foram omitidas
Além do apartamento, a Receita e a CPMI identificaram que Antonio Antunes é sócio de ao menos duas empresas no exterior, que também não constam na declaração de bens:
- World Cannabis, empresa de maconha medicinal com filial em Miami;
- Camilo Comércio e Serviços LLC, fundada em setembro de 2024 em Orlando (Flórida), em sociedade com seu filho, Romeu Antunes.
A omissão de participação societária em empresas estrangeiras é outro fator grave e pode configurar fraude fiscal, sobretudo quando combinada com movimentações financeiras não declaradas.
Crescimento patrimonial de 5.884% em três anos
Um dos pontos mais alarmantes apontados pela CPMI é o crescimento vertiginoso do patrimônio de Antonio Antunes entre 2021 e 2024. Segundo os documentos entregues à comissão:
- Em 2021, o patrimônio declarado era de R$ 159 mil;
- Em 2024, saltou para R$ 9,5 milhões;
- Um aumento de 5.884%, coincidente com o auge das denúncias de descontos indevidos em benefícios do INSS.
O crescimento coincidiu com o período de operações fraudulentas contra aposentados e pensionistas, alvo da Operação Sem Desconto da Polícia Federal. Antunes foi preso em 12 de setembro de 2025, sob suspeita de fuga e ocultação de bens.
Compra de carrões, viagens e mansão no Lago Sul
A evolução patrimonial de Antonio Antunes também se reflete nos seus gastos e hábitos de luxo:
- Compra de 21 carros de luxo em dois anos;
- Viagens frequentes aos Estados Unidos e à Europa;
- Construção de uma mansão no Lago Sul, área nobre de Brasília;
- Compra do imóvel em Sunny Isles;
- Manutenção de grandes quantias em dinheiro vivo.
Essas movimentações levantam suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, já que parte das transações foi feita sem movimentação bancária rastreável.
Dinheiro vivo declarado: R$ 2,5 milhões e moedas estrangeiras
Na declaração de 2025, Antonio Antunes informou à Receita possuir:
- R$ 2,5 milhões em espécie;
- 30 mil dólares;
- 28,5 mil euros.
Segundo contadores ouvidos pela reportagem, ter grandes somas em espécie não configura crime, mas chama atenção da Receita e da Polícia Federal por ser uma prática típica de operações ilícitas, como corrupção, lavagem de dinheiro e caixa dois.
Em declarações anteriores, ele nunca havia informado posse de dinheiro em espécie, o que agrava ainda mais as suspeitas sobre origem e movimentação desses valores.
Instrução normativa exige declaração de bens no exterior

A Receita Federal é clara ao exigir a inclusão de imóveis e empresas localizados no exterior na Declaração de Ajuste Anual. Segundo a Instrução Normativa de março de 2025:
“A pessoa física sujeita à apresentação da Declaração de Ajuste Anual deve nela relacionar os bens e direitos que, no Brasil ou no exterior, constituíram, em 31 de dezembro de 2023 e em 31 de dezembro de 2024, seu patrimônio e o de seus dependentes relacionados na declaração, e os bens e direitos adquiridos e alienados no decorrer do ano-calendário de 2024.”
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Especialistas alertam que a omissão deliberada desses ativos pode levar à cobrança de:
- Multa de 150% sobre o valor do imposto devido;
- Juros de mora;
- Abertura de procedimento criminal por evasão fiscal e crimes contra o sistema financeiro nacional.
CPMI do INSS investiga rede de fraudes com descontos indevidos
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, instalada no Congresso, analisa um esquema milionário de descontos indevidos aplicados em benefícios de aposentados e pensionistas.
Antunes é apontado como um dos principais articuladores da rede de associações e empresas que operavam esses descontos sem autorização dos beneficiários. O escândalo envolve:
- Fraudes com consignados fantasmas;
- Falsos sindicatos e associações de classe;
- Lobbies em órgãos públicos;
- Movimentações suspeitas com empresas de serviços financeiros e tecnologia.
Defesa promete explicações “nos autos”
Procurada pela reportagem, a defesa de Antonio Antunes declarou que o empresário irá se explicar nos autos do processo, sem fornecer mais detalhes sobre os bens omitidos, empresas internacionais ou movimentações em dinheiro vivo.
A defesa também não respondeu sobre os recursos utilizados na compra do imóvel nos EUA, nem explicou por que o bem não foi incluído na declaração de bens à Receita Federal.
Implicações legais e risco de condenação

Caso a evasão fiscal e a omissão patrimonial sejam confirmadas, Antonio Antunes pode enfrentar:
- Condenação criminal com base nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/1990 (crimes contra a ordem tributária);
- Pena de até 5 anos de prisão, além de multa;
- Bloqueio de bens e confisco de patrimônio no Brasil e no exterior;
- Inabilitação para contratos públicos e perdas de direitos políticos, caso condenado.
Além disso, as empresas estrangeiras não declaradas podem ser alvo de cooperação internacional entre Receita, Polícia Federal e autoridades fiscais dos EUA.
Imagem: Reprodução/ Edição: Seu Crédito Digital
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