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FGTS: carência de 24 meses pode alterar decisões de saída da empresa

Carência de 24 meses no FGTS pode impedir saque total após demissão. Entenda regras do saque-aniversário e impactos na rescisão.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
fgts

A confirmação da regra de carência de 24 meses para retorno ao saque-rescisão reacendeu o alerta entre trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário do FGTS. A regra, aplicada pela Caixa Econômica Federal, pode alterar decisões estratégicas de quem pensa em pedir demissão ou teme uma dispensa sem justa causa.

Na prática, o trabalhador que escolhe o saque-aniversário abre mão do direito de retirar o saldo total do FGTS em caso de demissão. Se decidir voltar ao modelo tradicional (saque-rescisão), precisará aguardar dois anos para que a mudança produza efeitos completos.

A seguir, entenda o que diz a legislação, quais são os impactos financeiros e quando pode valer — ou não — a pena optar pela modalidade.

Qual sua função?

Leia mais: Bloqueio de 3 anos no FGTS gera dúvidas entre trabalhadores

Todos os meses, a empresa é obrigada a recolher o equivalente a oito por cento da remuneração bruta do trabalhador e depositar esse valor em uma conta do FGTS vinculada ao seu contrato de trabalho.

Essas quantias podem ser usadas:

  • Demissão sem justa causa
  • Aposentadoria
  • Compra da casa própria
  • Doenças graves
  • Saque-aniversário (modalidade opcional)

A gestão operacional do fundo é feita pela Caixa, que também administra os saques e liberações.

A carência de 24 meses: o ponto decisivo

O ponto que mais gera dúvidas é a carência.

Quem opta pelo saque-aniversário e depois decide retornar ao saque-rescisão precisa:

  1. Solicitar a mudança pelo aplicativo FGTS ou agência da Caixa.
  2. Aguardar 24 meses para que a alteração tenha efeito completo.

Durante esse período de carência:

  • Se for demitido sem justa causa, continuará sem acesso ao saldo total.
  • Terá direito apenas à multa de 40%.

Somente após o prazo de dois anos é que o direito ao saque integral será restabelecido.

O que muda para quem já foi demitido?

Trabalhadores que já estavam no saque-aniversário e foram desligados seguem as regras vigentes:

  • Recebem apenas a multa rescisória de 40%.
  • O saldo fica retido.
  • A liberação integral só ocorrerá se houver migração para saque-rescisão e cumprimento da carência.

Não há exceção automática para quem já foi desligado.

Quando o saque-aniversário pode valer a pena?

Apesar das restrições, a modalidade pode ser interessante para quem:

  • Tem estabilidade no emprego.
  • Não pretende sair da empresa no curto prazo.
  • Precisa de liquidez anual.
  • Deseja contratar antecipação do saque-aniversário (modalidade de crédito oferecida por bancos).

Instituições financeiras utilizam o valor anual futuro como garantia de empréstimo, o que reduz juros. Porém, essa operação compromete parcelas futuras do FGTS.

Quando pode ser arriscado?

O saque-aniversário pode representar risco para quem:

  • Trabalha em setor com alta rotatividade.
  • Está em empresa com risco de demissões.
  • Planeja pedir desligamento negociado.
  • Precisa do FGTS como reserva de emergência.

A carência de 24 meses exige planejamento. Não é possível “voltar atrás” de forma imediata.

Comparativo das modalidades

ModalidadeSaque anualSaque total na demissãoMulta de 40%Carência para mudar
Saque-rescisãoNãoSimSimNão se aplica
Saque-aniversárioSimNãoSim24 meses para retorno

Como solicitar a mudança de modalidade?

O pedido pode ser feito:

  • Pelo aplicativo FGTS
  • Pelo site da Caixa
  • Em agências da Caixa

A mudança não é retroativa. O prazo de 24 meses começa a contar a partir da solicitação.

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O que diz a legislação?

A modalidade saque-aniversário foi criada por alteração na legislação do FGTS, mantendo o caráter opcional. A regra da carência de 24 meses é prevista para evitar mudanças estratégicas imediatas após demissões.

Especialistas em direito trabalhista destacam que a decisão deve considerar o cenário profissional do trabalhador e seu planejamento financeiro.

Impacto nas decisões de saída da empresa

A regra pode influenciar diretamente decisões como:

  • Pedir demissão voluntária
  • Negociar acordo trabalhista
  • Aceitar propostas de desligamento

Trabalhadores que cogitam sair da empresa devem avaliar se estão no saque-aniversário e há quanto tempo solicitaram eventual retorno ao saque-rescisão.

Em alguns casos, a diferença pode representar dezenas de milhares de reais indisponíveis no momento da demissão.

FAQ

Quem está no saque-aniversário pode sacar todo o FGTS se for demitido?
Não. O trabalhador que optou pelo saque-aniversário e é demitido sem justa causa pode sacar apenas a multa rescisória de 40% paga pelo empregador. O saldo total da conta permanece retido, sendo liberado apenas conforme as regras da modalidade.

Qual é a carência para voltar ao saque-rescisão?
A carência é de 24 meses. Após solicitar a mudança para o saque-rescisão, o trabalhador precisa aguardar dois anos para que o direito ao saque integral em caso de demissão volte a valer.

A partir de quando começa a contar o prazo de 24 meses?
O prazo começa a contar a partir da data em que o pedido de mudança de modalidade é registrado no aplicativo FGTS, site ou agência da Caixa.

Considerações finais

A carência de 24 meses para retorno ao saque-rescisão transforma o saque-aniversário em uma decisão estratégica de médio prazo. Embora ofereça liquidez anual, a modalidade limita o acesso ao saldo total em caso de demissão sem justa causa.

Antes de optar ou solicitar a mudança, é fundamental avaliar estabilidade no emprego, planejamento financeiro e necessidade de reserva. A decisão não deve ser tomada apenas pela possibilidade de saque imediato anual, mas considerando o impacto em uma eventual rescisão.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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