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Carrefour: frigoríficos ameaçam boicotar e interromper fornecimento de carne

Carrefour: Frigoríficos começam a interromper o fornecimento de carne, após boicote ao CEO Alexandre Bompard contra as carnes do Mercosul.

MarinaPor Marina7 min de leitura
Imagem da fachada de uma das lojas do Carrefour

A relação entre as grandes redes de supermercados e os fornecedores de carne no Brasil vive um momento tenso após o anúncio de um boicote contra os produtos do Mercosul feito por Alexandre Bompard, CEO global do Carrefour. O boicote, declarado na última quarta-feira (20), gerou uma onda de retaliações por parte de empresas do setor frigorífico brasileiro, que, desde sexta-feira (22), iniciaram a interrupção do fornecimento de carne para a rede de supermercados e seu braço de atacado, o Atacadão.

Este artigo detalha os desdobramentos do conflito, os impactos nas operações do Carrefour e as reações das entidades ligadas ao agronegócio brasileiro, além de analisar o contexto político e econômico por trás dessa crise.

O Boicote de Alexandre Bompard

Carrefour Carne
Imagem: Veja / Shutterstock.com

O que motivou o boicote?

Alexandre Bompard, CEO do Carrefour, anunciou em 20 de novembro que a rede de supermercados faria um boicote às carnes provenientes dos países do Mercosul. Esse movimento foi justificado como uma ação de solidariedade ao agronegócio europeu, que tem se posicionado contra o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE).

O CEO do Carrefour reforçou sua oposição ao acordo, que ainda está sendo revisado pelas partes envolvidas, com ênfase nas questões políticas internas da França, principalmente relacionadas ao setor agrícola. De acordo com Bompard, o acordo pode enfraquecer a agricultura francesa, pois empresas francesas que seguem leis ambientais mais rígidas teriam que competir com as empresas do Mercosul, que, em sua visão, não respeitam os mesmos padrões.

O impacto do boicote para o Carrefour

A decisão de Bompard de banir a carne proveniente do Mercosul gerou um impacto imediato nas relações comerciais com os fornecedores brasileiros. As principais empresas do setor frigorífico começaram a retaliar a decisão interrompendo o fornecimento de carne para o Carrefour e Atacadão, com aproximadamente 30% das unidades da rede no Brasil já enfrentando dificuldades no abastecimento de carne bovina.

A retaliação dos frigoríficos brasileiros

Empresas envolvidas na interrupção do fornecimento

Fontes próximas ao setor frigorífico brasileiro informaram que grandes empresas do ramo, como JBS, Marfrig, Minerva e Frigol, tomaram a decisão de interromper a entrega de carne para a rede Carrefour e seus outros canais de vendas. Embora a JBS e a Frigol não tenham se manifestado publicamente sobre o caso, Marfrig e Minerva optaram por não comentar a situação, o que aumenta o clima de tensão entre as partes.

A medida afetou principalmente o fornecimento de carne bovina, mas fontes indicam que o frango também já começa a sofrer interrupções. A carne suína, por outro lado, ainda não foi impactada diretamente, conforme as informações disponíveis até o momento.

A reação das entidades do agronegócio

Entidades representativas do agronegócio brasileiro não demoraram a emitir uma nota de repúdio contra as declarações de Bompard. Assinada por entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), o documento criticou duramente a postura do Carrefour, apontando que o Mercosul tem excelência na produção de carnes e é líder mundial em exportação para mercados exigentes como Estados Unidos, União Europeia e Japão.

As entidades também relembraram o compromisso das empresas do Mercosul com a qualidade e segurança alimentar, destacando que as carnes da região são periodicamente auditadas e certificadas por organismos internacionais.

Leia a nota de repúdio, na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO DO AGRONEGÓCIO DO BRASIL PARA O GRUPO CARREFOUR

“Em resposta às alegações do CEO Global da rede de supermercados Carrefour, Alexandre Bompard, as entidades abaixo assinadas manifestam o repúdio aos ataques proferidos contra a produção agropecuária no Mercosul. A produção de proteína do bloco econômico sulamericano chega a todos os países do mundo, incluindo os mercados mais exigentes, entre eles as maiores economias mundiais, como Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, China e Japão.

Periodicamente as empresas são auditadas e certificadas por centenas de missões sanitárias internacionais e também por clientes que confirmam a segurança de alimentos do que vai para cada destino. Entre as certificações obtidas por empresas do Mercosul destacam-se as do BRC (British Retail Consortium), principal referência global em qualidade quando o assunto é produção de proteína.

O bloco é líder mundial em exportação de carne de frango e bovina e está entre os principais na suína. Foram necessárias décadas para que o Mercosul por inteiro avançasse em sua reputação internacional como produtor de carnes. Com responsabilidade, o setor na região foi o principal fornecedor para todos os mercados durante a maior crise global de saúde pública neste século, a pandemia do coronavírus em 2020 e 2021. Tudo isso demonstra a excelência da produção na região, num comprometimento que as entidades e associações que representam os 29 milhões de trabalhadores no agronegócio no Brasil reforçam dia a dia com a segurança alimentar e a qualidade do que chega aos consumidores em todo o mundo.

Portanto, se o CEO Global do Grupo Carrefour, Alexandre Bompard, entende que o Mercosul não é fornecedor à altura do mercado francês – que não é diferente do espanhol, belga, árabe, turco, italiano –, as entidades abaixo assinadas consideram que, se não serve para abastecer o Carrefour no mercado francês, não serve para abastecer o Carrefour em nenhum outro país.

Reafirmamos o compromisso do setor com a produção responsável, sustentável e com a segurança alimentar.”

Brasília, 21 de novembro de 2024

ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes)

ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal)

ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio)

CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil)

SRB (Sociedade Rural Brasileira)

FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)

A repercussão política internacional

Esse conflito também ganhou dimensão política, com a intervenção do presidente francês, Emmanuel Macron, que, durante a Cúpula de Líderes do G20 no Rio de Janeiro, reafirmou a posição contrária ao acordo Mercosul-UE. O presidente francês argumenta que o acordo pode enfraquecer o setor agrícola francês, uma vez que as leis ambientais mais rigorosas na França criam um desequilíbrio competitivo frente às práticas do Mercosul.

O Carrefour se pronuncia

Logotipo Carrefour em frente de loja.
Imagem: HJBC / Shutterstock.com

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O Carrefour, por meio de uma nota, afirmou que não há desabastecimento nas suas lojas, apesar das dificuldades de fornecimento. A empresa reforçou seu compromisso com os consumidores brasileiros, assegurando que continuará a fornecer produtos, embora a retaliação de fornecedores tenha gerado impactos no abastecimento de carne bovina.

Consequências para o Mercado de Carnes

O futuro das negociações

Com o boicote e as retaliações afetando diretamente o fornecimento de carne para as lojas Carrefour, o impacto na cadeia de suprimentos será significativo. As negociações futuras entre os frigoríficos brasileiros e a rede francesa podem ser afetadas, gerando possíveis mudanças no abastecimento de carne em outras redes de supermercados que seguem os mesmos fornecedores.

Além disso, as entidades brasileiras devem continuar pressionando contra a postura de Bompard, argumentando que o mercado do Mercosul é competitivo e segue padrões internacionais rigorosos de qualidade e segurança alimentar.

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O impacto econômico para o Carrefour

O Carrefour, uma das maiores redes de supermercados do Brasil, pode enfrentar desafios logísticos e financeiros com a interrupção do fornecimento de carne, especialmente no segmento de carne bovina. As dificuldades de abastecimento podem resultar em prateleiras vazias, o que afeta diretamente a imagem da marca e sua competitividade no mercado.

O confronto entre os frigoríficos brasileiros e o Carrefour ilustra um momento de tensão nas relações comerciais internacionais, envolvendo disputas comerciais e políticas no âmbito do Mercosul e da União Europeia. As ações de retaliação dos frigoríficos demonstram como um simples boicote pode gerar repercussões no mercado global de carnes e impactar tanto os fornecedores quanto as grandes redes de distribuição.

Marina

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Marina

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