O grupo Carrefour iniciou uma das movimentações mais marcantes de sua trajetória recente: a venda de cerca de 650 a 700 lojas na Argentina, marcando um possível encerramento de mais de quatro décadas de atuação no país vizinho. O movimento faz parte de um plano global de reestruturação, que busca concentrar os esforços do grupo em mercados considerados mais estáveis e rentáveis, como Brasil, França e Espanha.
Carrefour em retirada: 700 lojas colocadas à venda e saída do país
Carrefour anuncia venda de 700 lojas na Argentina em meio a plano global de reestruturação e foco em mercados mais estáveis.
A decisão ocorre em um momento de forte instabilidade econômica na Argentina, que tem impactado significativamente o setor varejista. Embora as lojas continuem operando normalmente, a expectativa é que o anúncio de um comprador seja feito ainda em outubro de 2025.
O Deutsche Bank foi contratado para liderar o processo de avaliação e negociação, com ofertas estimadas entre US$ 800 milhões e US$ 1,5 bilhão, segundo fontes ligadas à operação.
Leia Mais:
CazéTV anuncia primeiro patrocinador da Copa de 2026 — e é gigante!
Corrida pela compra das operações

Grupos argentinos e fundos estrangeiros mostram interesse
A venda das lojas do Carrefour na Argentina despertou o interesse de importantes players do setor varejista e financeiro. Entre os nomes mais citados estão o Grupo Coto, que possui forte presença no mercado argentino, e o empresário Francisco De Narváez, proprietário do Grupo GDN, dono da rede Walmart Argentina — que hoje opera sob a marca Hiper Changomás.
Além dos grupos locais, fundos internacionais também analisam o negócio, especialmente aqueles especializados em reestruturação de ativos e revitalização de operações de varejo em países emergentes. A possibilidade de uma compra total ou mesmo de parcerias estratégicas está em aberto, o que indica que o Carrefour poderá optar por um modelo híbrido de transição.
“O Carrefour busca garantir uma saída ordenada, que preserve empregos e mantenha o funcionamento das lojas durante o processo”, afirmou uma fonte próxima às negociações.
Motivos da saída do Carrefour da Argentina
Instabilidade e baixa rentabilidade pressionam o grupo
A história do Carrefour na Argentina remonta a 1982, quando a varejista francesa inaugurou sua primeira loja no país. Desde então, a marca consolidou-se como uma das principais redes de supermercados argentinas, com presença em diversas províncias e uma base fiel de consumidores.
Entretanto, nos últimos anos, a deterioração das condições econômicas — marcada por alta inflação, queda do poder de compra e volatilidade cambial — comprometeu a rentabilidade das operações. Além disso, custos operacionais elevados e instabilidade regulatória tornaram cada vez mais difícil a manutenção do modelo de negócios.
Diante desse cenário, o Carrefour decidiu rever sua presença internacional e priorizar mercados com perspectivas de crescimento mais previsíveis, como o brasileiro, onde o grupo é líder no setor alimentar e mantém um desempenho estável.
Impactos no setor varejista argentino
Transformações e oportunidades em um mercado desafiador
A possível saída do Carrefour da Argentina representa uma mudança significativa no panorama do varejo local. A empresa é uma das maiores empregadoras do setor, com cerca de 15 mil funcionários e uma rede que inclui hipermercados, lojas de conveniência e formatos express.
A venda das lojas pode gerar rearranjos no mercado, com novos operadores assumindo unidades estratégicas e adaptando-as a modelos de gestão mais enxutos. Ao mesmo tempo, o fechamento de eventuais unidades não absorvidas pode impactar o emprego e o abastecimento de produtos em determinadas regiões.
Para o consumidor argentino, a transição pode significar mudanças de marca, política de preços e estrutura de promoções, mas também a possibilidade de novos investimentos e modernização de lojas sob novas gestões.
Estratégia global do Carrefour

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Foco em mercados estáveis e digitalização
A decisão de vender as operações na Argentina não é um caso isolado. O grupo Carrefour vem promovendo, desde 2023, uma revisão global de seus ativos. O objetivo é reduzir exposição a mercados voláteis e reforçar a presença em países-chave, onde já possui margens mais robustas e uma estratégia digital consolidada.
No Brasil, por exemplo, o Carrefour segue ampliando seus investimentos no atacarejo e no comércio eletrônico, segmentos que têm garantido crescimento consistente mesmo em períodos de desaceleração econômica. Já na França e na Espanha, o grupo aposta em modelos híbridos de venda, combinando lojas físicas com plataformas digitais integradas.
Essa reestruturação faz parte do plano chamado “Carrefour 2026”, que inclui metas de sustentabilidade, eficiência operacional e aumento da margem líquida. A expectativa é que o grupo realinhe sua presença internacional para garantir estabilidade e foco no longo prazo.
O que esperar nos próximos meses
Negociações intensas e expectativa por anúncio oficial
Com o processo conduzido pelo Deutsche Bank em andamento, o mercado argentino de varejo vive um momento de expectativa. Analistas acreditam que o anúncio do comprador deve ocorrer até o final de outubro, com transição gradual das operações ao longo do primeiro semestre de 2026.
Enquanto isso, as lojas continuam abertas e operando normalmente, com o Carrefour garantindo o abastecimento e a manutenção dos empregos até que o processo seja concluído.
“Nosso compromisso é assegurar uma transição responsável, preservando o relacionamento com clientes, fornecedores e colaboradores”, afirmou um porta-voz do grupo em comunicado.
A conclusão da operação representará o fim de um ciclo histórico de mais de 40 anos do Carrefour na Argentina, e ao mesmo tempo, o início de uma nova fase de foco e consolidação em mercados onde a empresa mantém liderança e rentabilidade.

