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Por que quem tem carro elétrico troca o veículo muito mais rápido que donos de carros a gasolina?

Estudo revela que motoristas de carros elétricos trocam de veículo com mais frequência do que os de modelos a gasolina. Entenda os motivos!

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
BYD

A decisão da União Europeia de proibir a venda de carros novos a combustão a partir de 2035 representa um marco global na luta contra as emissões de carbono. No entanto, um novo estudo da S&P Global alerta que o impacto real dessa política pode demorar décadas para se tornar visível nas ruas.

Isso porque milhões de veículos a combustão seguirão circulando até meados do século, alimentados pela tendência dos motoristas de manterem seus carros por longos períodos.

Enquanto a transição para os carros elétricos (VE) avança, sobretudo em países como Reino Unido, Japão e Estados Unidos (Califórnia), o relatório da consultoria mostra que a idade média da frota global e os hábitos de consumo retardam significativamente os efeitos positivos esperados com a eletrificação.

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O que diz a proibição da União Europeia?

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Imagem: Freepik

A legislação europeia aprovada prevê que a partir de 2035 estará proibida a venda de novos veículos com motores a gasolina ou diesel nos países da União Europeia. A exceção fica por conta dos carros que utilizam combustíveis sintéticos (e-fuels), tecnologia ainda emergente e de custo elevado.

O Reino Unido adotará medida semelhante a partir de 2030, enquanto Califórnia e Japão seguem a linha europeia com metas para 2035. A proibição busca acelerar a redução de emissões de gases do efeito estufa, cumprir metas do Acordo de Paris e estimular a indústria automotiva a investir em tecnologias limpas.

Estudo revela que impacto prático será lento

Apesar do avanço regulatório, a S&P Global concluiu que a permanência dos carros a combustão na frota global retardará os resultados práticos da política. A razão principal é o tempo médio de permanência dos veículos com os proprietários, especialmente no caso dos modelos com motor a combustão interna.

Dados do estudo:

  • Idade média da frota nos EUA: 12,5 anos (13,6 anos para carros de passeio)
  • Idade média da frota na Espanha: 14,2 anos
  • Média europeia: 12,3 anos
  • Tempo médio de posse de carros a combustão: 12 a 14 anos
  • Tempo médio de posse de carros elétricos: 3,6 anos

Em termos práticos, mesmo que a venda de novos carros a combustão cesse em 2035, os veículos comprados até essa data continuarão rodando por mais 10 a 15 anos, ou até além, principalmente em países em desenvolvimento que importam carros usados da Europa e dos Estados Unidos.

Por que os donos de carros a combustão mantêm seus veículos por mais tempo?

A longevidade dos carros a combustão está ligada a fatores culturais, econômicos e tecnológicos, entre eles:

1. Confiabilidade e autonomia

Veículos a combustão ainda são vistos como mais confiáveis para viagens longas, com acesso facilitado a combustíveis e maior autonomia, especialmente em regiões com infraestrutura deficiente para carregamento elétrico.

2. Custo de substituição

A substituição por modelos elétricos envolve altos custos de aquisição. Mesmo com incentivos e queda nos preços, muitos consumidores optam por manter seus carros antigos ao invés de investir em um modelo novo.

3. Menor depreciação percebida

Carros a combustão têm mercado de revenda consolidado e ampla oferta de peças. Além disso, sua durabilidade mecânica faz com que sejam mantidos como “segundo carro” em muitas famílias.

E por que os carros elétricos são trocados com mais frequência?

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Imagem: Freepik

Em contrapartida, os carros elétricos tendem a ser renovados com maior rapidez, por diferentes motivos:

1. Alta rotatividade via leasing e renting

Nos EUA, cerca de 80% dos carros elétricos novos foram adquiridos por leasing ou renting em 2024. Esses contratos costumam durar até quatro anos, após os quais os veículos voltam ao mercado como seminovos.

2. Perfil de consumidor

Os primeiros compradores de elétricos são, em geral, consumidores de alta renda, que valorizam a inovação e trocam de carro com mais frequência, especialmente em busca de melhorias tecnológicas.

3. Medo da degradação da bateria

Mesmo com garantias de fábrica, muitos usuários temem a perda de autonomia com o envelhecimento da bateria. A substituição pode custar de R$ 40 mil a R$ 95 mil, a depender da marca, o que leva muitos a repassar o carro antes desse momento.

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Carros elétricos usados enfrentam desvalorização acelerada

Esse cenário também pressiona o mercado de seminovos elétricos, que sofre com depreciação acelerada. Um estudo da iSeeCars mostrou que, nos EUA:

  • Os preços de elétricos usados caíram 15,1% em um ano
  • Na Europa, a queda média foi de 8,1%, segundo a Autoscout24

Essa realidade cria barreiras à entrada de consumidores de classe média, justamente quando o mercado espera uma popularização dos elétricos usados.

Um mercado em rápida transformação

Apesar dos desafios, a mobilidade elétrica vive um momento de inovação constante. Montadoras como Tesla, BYD, Volkswagen, Hyundai e Renault continuam lançando modelos mais acessíveis, com melhor desempenho e baterias de maior durabilidade.

Muitos consumidores que fazem a transição para o carro elétrico acabam mantendo fidelidade à tecnologia, motivados por fatores como:

  • Menor custo de manutenção
  • Dirigibilidade silenciosa
  • Incentivos fiscais
  • Redução de emissões e consciência ambiental

O papel dos países em desenvolvimento

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Imagem: Showmetech/Shutterstock.com

Outro ponto relevante é o reaproveitamento da frota a combustão em países do sul global. Como ocorreu com os veículos usados da Europa no passado, a tendência é que carros a gasolina ou diesel continuem sendo exportados para América Latina, África e Sudeste Asiático, estendendo sua vida útil por mais décadas.

Esse processo dificulta a transição energética em escala global e exige políticas internacionais coordenadas para evitar que a “sucata poluente” da Europa vire frota ativa em regiões mais pobres.

Considerações finais

Embora a proibição da venda de carros a combustão na Europa a partir de 2035 represente um avanço ambiental e político importante, o impacto prático dessa decisão será gradual e potencialmente diluído por décadas, conforme mostram os dados da S&P Global.

A combinação entre hábitos de consumo, economia, infraestrutura e mercado secundário fará com que os carros a combustão continuem sendo presença comum nas ruas até pelo menos 2050.

A urgência climática, portanto, exigirá mais do que apenas novas leis: será necessário reeducar consumidores, garantir acesso equitativo à eletrificação e desenvolver políticas de transição justa, especialmente nos países mais vulneráveis da cadeia automotiva global.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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