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Carro e dados bancários: você sabia que seu veículo pode estar ajudando a clonar suas informações?

Saiba como os carros conectados armazenam e vendem dados pessoais sem conhecimento do motorista. Entenda os riscos e seus direitos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
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Os carros modernos deixaram de ser apenas um meio de transporte para se tornarem verdadeiros computadores sobre rodas. Com sensores inteligentes, assistentes virtuais e sistemas conectados, os automóveis armazenam uma enorme quantidade de dados pessoais dos motoristas, muitas vezes sem que eles saibam.

No entanto, essa avançada tecnologia também levanta questões sobre privacidade e segurança digital. Um estudo recente revelou que quatro a cada cinco carros seminovos vendidos em concessionárias da Alemanha, Reino Unido e Itália ainda contêm dados dos antigos proprietários, expondo-os a riscos graves.

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O que acontece com os dados dos motoristas?

A pesquisa foi conduzida pela Privacy4Cars, uma empresa especializada em privacidade automotiva. Foram analisadas 40 concessionárias e 70 test drives, identificando que informações sensíveis, como localização, endereços residenciais, histórico de chamadas e mensagens de texto, permanecem acessíveis mesmo após a troca de dono do veículo.

O problema é ainda mais alarmante quando se descobre que 35 das 40 concessionárias afirmaram apagar todos os dados dos antigos proprietários, o que não ocorreu na prática. Isso fere regulações como a GDPR (Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia) e pode resultar em penalizações severas para essas empresas.

Quais dados os carros modernos coletam?

Os dados armazenados nos veículos são originados principalmente de sensores e dispositivos conectados dentro do automóvel. Segundo Andrea Amico, fundador da Privacy4Cars, “a quantidade de sensores nos carros determina quais dados são coletados e a quantidade desses dados. E ambos os números crescem a cada ano”.

Entre as informações coletadas, estão:

  • Histórico de localização: trajetos percorridos, endereços frequentes e coordenadas GPS.
  • Registros de chamadas e mensagens: números contatados e conteúdo de SMS.
  • Preferências do usuário: ajustes de conforto, clima e sistemas multimídia.
  • Dados biométricos: reconhecimento facial e de impressões digitais (em alguns modelos premium).
  • Conexões Bluetooth e Wi-Fi: sincronização com dispositivos móveis.

Quem tem acesso a essas informações?

Não são apenas as concessionárias que mantêm os dados dos veículos. Empresas como fabricantes de automóveis, seguradoras, empresas de aluguel de carros e bancos também têm acesso a essas informações.

André Houang, pesquisador do InternetLab, alerta que muitas dessas empresas lucram com a venda de dados. “Elas fornecem ou vendem informações pessoais sem justificativa legal para isso, o que fere normas de privacidade em diversas partes do mundo”, afirma.

A monetização dos dados dos motoristas

Os dados coletados pelos carros conectados são valiosos e são frequentemente utilizados para:

  • Criação de perfis de consumo: os dados ajudam empresas a oferecer serviços personalizados.
  • Publicidade direcionada: fabricantes de carros e terceiros podem segmentar motoristas para vender produtos e serviços.
  • Desenvolvimento de inteligência artificial: gravações de voz e imagem são usadas para aprimorar assistentes virtuais e sistemas de reconhecimento.

Como a falta de transparência prejudica o consumidor?

A Mozilla Foundation realizou um estudo sobre os riscos de privacidade dos carros conectados e concluiu que as políticas de privacidade são vagamente redigidas, dificultando a compreensão dos consumidores.

De acordo com Tracy Kariuki, porta-voz da Mozilla, “a maioria dos consumidores não lê as políticas de privacidade dos fabricantes e, mesmo que leiam, os textos são técnicos e pouco claros”.

Outro problema identificado foi a variação das políticas de privacidade conforme a localização geográfica, o que confunde ainda mais os motoristas sobre quais regras estão em vigor em cada região.

Como proteger seus dados ao trocar de carro?

Se você pretende vender ou trocar seu veículo, siga algumas recomendações para evitar que seus dados fiquem expostos:

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1. Apague suas informações antes da venda

  • Restaure o sistema do carro para as configurações de fábrica.
  • Remova conexões Bluetooth e Wi-Fi salvas.
  • Apague histórico de GPS e trajetos recentes.

2. Verifique com a concessionária

  • Pergunte se os dados serão apagados antes de revender o carro.
  • Exija um comprovante de formatação dos sistemas multimídia.

3. Desvincule serviços conectados

  • Cancele assinaturas atreladas ao veículo, como assistência por GPS e aplicativos de monitoramento.

Considerações finais

Os avanços tecnológicos nos automóveis trouxeram mais comodidade e conectividade para os motoristas, mas também abriram brechas para a coleta indiscriminada de dados pessoais.

A falta de transparência das montadoras e concessionárias agrava o problema, tornando essencial que os consumidores estejam atentos ao que é armazenado e como podem proteger suas informações.

Com a crescente regulamentação da proteção de dados, espera-se que novas leis e diretrizes obriguem as empresas a garantirem mais segurança e privacidade para os motoristas. Enquanto isso, cabe a cada um tomar medidas preventivas para evitar que seus dados caiam em mãos erradas.

Imagem: fadfebrian/ Freepik

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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